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Domingo, Outubro 29, 2006(este blog não será actualizado novamente)
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Posto de Escuta
"Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um dia areia branca seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos a água azul do mar
Janelas e portas vão se abrir prá ver você chegar
E ao se sentir em casa, sorrindo vai chorar
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história prá contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante
As luzes e o colorido que você vê agora
Nas ruas por onde anda, na casa onde mora
Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente
Você só deseja agora, voltar prá sua gente
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história prá contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante
Você anda pela tarde e o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito uma saudade um sonho
Um dia vou ver você chegando num sorriso
Pisando a areia branca que é seu paraíso"
Este post é dedicado aos ainda não ouviram e aos que continuam a ouvir aqueles que são para mim os melhores álbuns nacionais do ano passado.
Humanos
Camané, David Fonseca e Manuela Azevedo interpretam temas inéditos de António Variações, vinte anos depois da sua morte, com a produção de Nuno Rafael (director musical de Sérgio Godinho) e Hélder Gonçalves (dos Clã), num álbum que foi aclamado pela crítica como o melhor do ano de 2004 em Portugal, juntamente com o Cinema, do Rodrigo Leão.
De entre as doze canções apresentadas surgem pelos menos seis interpretações notáveis do legado de Variações acondicionado numa caixa de sapatos (43 cassetes de 60 minutos religiosamente guardadas nas instalações da EMI Valentim de Carvalho). "Mudar de Vida", "A Culpa é da Vontade" (ambas de Manuela Azevedo), "Maria Albertina", "Adeus que me vou embora" (ambas de Camané), "Já não sou quem era" (de David Fonseca) e o fantástico dueto "Rugas" (Manuela Azevedo e Camané) são exemplos da melhor música portuguesa já alguma vez produzida.
Bom dia
O grupo portuense Pluto - liderado pelos ex-Ornatos Violeta Manuel Cruz e Peixe - lançou em 2004 o seu primeiro álbum (curiosamente a apresentação foi realizada na Recepção ao Caloiro da Universidade Nova de Lisboa, organizada pela FAUNL).
O disco apresenta-se sem as teclas dos Ornatos e num registo ainda mais rock que "Cão" ou o "O Monstro precisa de Amigos" (que, só para fazer inveja, eu tenho autografado pelo Manel Cruz e pelo Peixe) . No entanto, é redutor comparar o novo grupo aos Ornatos Violeta, até porque os elementos não são os mesmos.
O resultado é um disco forte, com as letras de grande qualidade de Manuel Cruz, mas que parece não ter vingado em termos comerciais apesar da promoção do single "Só mais um começo" se ter arrastado por largos meses antes da edição do álbum em Outubro.
O Assobio da Cobra
O Assobio da Cobra - A banda sonora de um filme por fazer - álbum de Manuel Paulo, é um dos discos de 2004 que passou quase despercebido, apesar da qualidade da produção e dos artistas envolvidos no projecto, talvez devido à sua fraca promoção.
Conta com a colaboração de Rui Veloso, Manuela Azevedo, Manuel Cruz, Isabel Abreu, Filipa Pais, Camané, Zeca Baleiro, Sérgio Godinho, Jorge Palma, Tim, entre outros, ao longo de 13 faixas e 47 minutos da melhor música de expressão portuguesa.
Só para revelar um pouco mais deste tesouro escondido cito a faixa 9 "Só penso nisso" em que canta a actriz Isabel Abreu, interpretando um monólogo tipicamente masculino de um modo singularmente risonho, com uma voz imperdível.
Rosa Carne
O quarto álbum dos Clã é um disco cuidado, com a voz inconfundível de Manuela Azevedo a falar de mulheres, de amores imperfeitos, promessas não cumpridas, relações fugazes ou de alienação. Um disco para "pôr no "play" e deixar correr até ao fim" segundo a vocalista.
Feminino (lembremo-nos da frenética "Mulher da Vida" ou a grávida da faixa 8), violento e até libidinoso são adjectivos que lhe encaixam como uma luva. Longe de ser um disco comercial, contém no entanto uma musicalidade viciante ao longo das letras de Arnaldo Antunes, Sérgio Godinho, Carlos Tê ou Adolfo Luxúria Canibal, entre outros. Aqui e ali, encontram-se influências de Portishead ou PJ Harvey.
Destaque para o single "Competência para amar" ou para a silly song "Carrocel dos esquisitos" com uma letra que tange o imaginário de Tim Burton. Por tudo isto e muito mais, Rosa Carne é um disco completo e pensado ao pormenor, que funciona muito bem ao vivo - é provavelmente o melhor dos Clã.
Depois de ver o filme e de ouvir mais de mil vezes a ost... estou viciado no site! |
O novo espaço é muito mais agradável que o antigo no CC Portugália da Almirante Reis mas os preços muitas das vezes continuam a não compensar as ofertas convidativas da fnac... No entanto é sempre uma boa opção para explorar alguns fundos. |
| Após um fim-de-semana a devorar o word virus: the william s. burroughs reader sinto-me obrigado a celebrar o dia mundial da Poesia (dia 21 de março) com alguém da beat generation. A Supermarket in California de Allen Ginsberg Para ler em voz alta! Para quem não conhece a página www.poets.org aconselha-se uma visita. Saudações poéticas!!! |
No próximo dia 16 de Março termina para mim um percurso. Foi no já longínquo mês de Outubro de 2001 que entrei para a Associação de Estudantes da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Por esses dias as coisas eram um pouco diferentes, apenas quatro pessoas restavam da direcção eleita naquele ano - o Policarpo, o David, o Marcos e o Duarte - enquanto o Nuno (o Portalegre) começava a preparar a sua campanha. Eu era apenas o caloiro disposto a ajudar no que fosse possível. Já no mês de Dezembro e até ao final de Fevereiro de 2002, o Nuno, a Sofia, o David, o Marcos, a Ana Gomes, o Fanático e eu constituíamos o núcleo duro que levaria a Lista A ("A atitude certa!") à memorável vitória contra a Lista S (do intragável Tam e do execrável Antunes). As peripécias desses tempos são tantas e tão marcantes que levaria dias a descrevê-las. Foram os melhores tempos de sempre para mim nesta casa. A campanha de então foi sensacional, saíamos da faculdade às 4 da manhã dada a conivência com os funcionários da casa, abrindo as salas de computadores fechadas desde as onze para colocar a página da lista como webpage (não me perguntem como arranjávamos a chaves), preenchendo o corredor principal de cartazes e balões (como diziam que éramos socialistas juntámos aos balões azuis uns cor-de-laranja) e ficando até tarde a decorar o bar com um gigantesco A de hélio que no final do dia já estava meio vazio. Entretanto pelas 7 horas já estávamos prontos para dar os programas e o restante merchandising da campanha (os programas eleitorais em formato de revista surgiram pela primeira vez na FEUNL pela mão da Lista A) - sempre com um sorriso rasgado (penso que foi a direcção mais simpática que conheci, pessoas divertidas e humildes). Foi um mandato fantástico, em que se abriram as portas da AE ("A tua Associação está de portas abertas!") e se iniciaram uma série de serviços até ali inexistentes e que ainda hoje são assegurados (as sebentas, as colecções de exames, o business forum, o guia dos finalistas, os computadores na sala da AE, venda de material académico, semana cultural, conferências, o cartão magnético, o envio de e-mails através de uma base de dados actualizada, etc). Foi bom ser responsável pelo pelouro cultural de então. Entretanto o David Machado tornava-se presidente da Federação Académica da Universidade Nova de Lisboa. Em 2003 a Lista A ("Absolutamente por ti!") concorreu como lista única com a Rita a presidir a Direcção, e a Ana Rita como tesoureira implacável. Foi um mandato de manutenção e de estabilização financeira, aproveitando os apoios financeiros angariados pelo Nuno junto da CGD e do David na FAUNL. A Rita assumiu ainda em 2003 a Presidência da FAUNL levando Economia a um segundo mandato. Em 2004 a Lista A ("Aposta nesta equipa!") voltava a ter oposição e numa campanha esforçada, a equipa liderada pelo Luís, venceria a Lista M por apenas 100 votos. Penso que foi um mandato muito bem sucedido, levando a AEFEUNL a assumir um papel mais preponderante no seio da comunidade académica da UNL e junto do meio empresarial. Terminei também em 2004 o meu terceiro e último mandato como reprentante dos alunos no Conselho Pedagógico e em 2005 concluo os mandatos de 4 anos na Assembleia de Representantes, na Assembleia da Universidade, no Senado Universitário e o mandato de um ano na Secção Permanente do mesmo. Sem dúvida terei muitas saudades das horas passadas na sede da AEFEUNL, das directas feitas em frente ao computador, da escrita de programas eleitorais e das moções, das noites passadas nos ENDAs e nas assembleias da AAL, do Nova Opinião, de vender sebentas quando mais ninguém pode... tenho saudades do primeiro mandato, do David e do Nuno, da Sofia e da Ana Gomes, do Marcos, da Ana Rita e do Fanático e todas aqueles pessoas que se revelaram verdadeiros amigos à entrada na Faculdade... e das dezenas de pessoas que passaram pela AE ao longo destes quatro mandatos... e fico com saudades de trabalhar mesmo quando se tem exame no outro dia e faltar às aulas durante meses inteiros. Em Março de 2005 disputam as eleições em Economia não os sucessores dinásticos da Lista A e uma qualquer oposição de circunstância mas dois elementos da Direcção anterior, dois amigos meus cujo empenho prezo muito, o Vargas e o Fernando, Lista V vs Lista W. Tenho pena que não possam ter encetado uma candidatura conjunta mas acredito que qualquer uma das equipas possa fazer um trabalho, ainda melhor que as direcções anteriores (algo que já é perceptível pela qualidade da campanha). O meu boletim de voto ficará em branco, não poderia ser de outro modo, mas independentemente do resultado do sufrágio espero que ambos se empenhem no desenvolvimento da estrutura associativa da UNL em favor dos seus alunos. Espero que a tradição das eleições da AEFEUNL serem das mais participadas do país se mantenha e que seja ultrapassada a barreira dos 800 votantes. Para aqueles que queiram discernir acerca da melhor alternativa a eleger sugiro uma visita pelas webpages das listas. Lista V http://www.voarmaisalto.com/ Lista W http://www.workmakesthedifference.pt.vu/ |
| Sem dúvida um dos melhores álbuns de 2004, de classificação livre, um disco para crianças e para adultos que conservam o gosto pelo que é mais simples e verdadeiro, arredados de qualquer materialismo. Todo o disco é um caminho terno mas incisivo sobre a inocência que reservamos ou perdemos ao longo da vida, num curto álbum que nos leva a uma versão de "Saiba" (de Arnaldo Antunes), uma das melhores músicas do ano e terrivelmente doce, tal como "Fico assim sem você", a faixa quatro para cantar ao ouvido de quem nos quer bem, que é acompanhada de um videoclip animado brilhante. Este álbum recorda-nos o mundo do pequeno príncipe criado pelo aviador francês que o mundo venera, com desenhos de cobras com elefantes lá dentro. |
| A escrita de José Luís Peixoto [JLP] apresenta-se, sem intenção de catalogar o autor, como um universo ficcional pleno de elementos fantásticos, no qual se estabelece uma relação com o mundo do absurdo de cariz existencialista. Os seus romances, quer em Nenhum Olhar quer em Uma Casa na Escuridão, medeiam entre o realismo mágico de Gabriel García Márquez e os aspectos mais reflexivos dos ciclos do absurdo e do amor de Albert Camus. O escritor encara a escrita como redentora, salvando-se ao escrever e possibilitando salvar quem lê, com os seus limites. É uma forma de atenuar angústias e obter consolação. JLP abraça como temas principais dos seus livros os grandes temas da escrita universal, a morte e o amor. Até agora a genialidade deste jovem escritor tem presenteado o público com uma narrativa e uma poética de qualidade inquestionável. Os seus textos estão marcados por um negrume que parece quase involuntário, apesar de revelar a intenção de transportar em elementos taciturnos a alteração da normalidade, do quotidiano das personagens-sombra, induzindo-as à acção. É talvez susceptível que o facto dos narradores (e talvez o próprio JLP) verem a morte como o fim de tudo, sem que no seu mundo fantástico seja introduzido qualquer elemento esotérico, conduza a uma narrativa impregnada de melancolia. Respira-se uma falta de esperança inerente à consciência de que Deus não existe, pelo menos por enquanto. Em entrevista ao DN, JLP refere "não quero estar, de maneira nenhuma, condenado a escrever livros tristes durante toda a minha vida. No entanto, como diz Alberto Caeiro, às vezes a tristeza é natural, às vezes faz falta como a chuva faz falta em certos dias." Mas a melancolia presente nas obras publicadas é consequência das realidades que o autor pretendeu caracterizar, como a ocorrência permanente de suicídios nas vilas do Alentejo. Mas o brilhantismo de JLP espelha-se no modo de levar a intensidade da escrita aos leitores, com a intenção de que estes possam assimilar a experiência vivida no choque dos estados espíritos presentes, o do escritor e o do leitor. Por exemplo, em Nenhum Olhar, JLP domina na perfeição as hipóteses da escrita e da leitura e recorre várias vezes a aspectos fantásticos, como elementos bíblicos, desafiando o leitor a descodificá-los. A sua narrativa está repleta do fantástico dos contos populares e da literatura oral. O autor convida quem lê a entrar num universo de onde só sairá na última página do livro. Entra-se numa dimensão literária que compreende um gigante, um demónio que preside às cerimónias religiosas, uma arca que fala, dois gémeos ligados pelo dedo mindinho e outras personagens que narram um universo paralelo em que a proximidade do real nos envolve de modo a ler este livro de um só fôlego. Uma Casa na Escuridão é um livro que enfrenta a vida com uma gravidade incisiva, abordando a inevitabilidade do amor e da solidão. O autor conduz-nos a um espaço intangível do nosso imaginário onde opõe a certeza de um destino fatídico, do qual não podemos fugir, à aventura de viver e de nos deixarmos resgatar por uma ternura que, apesar de breve, constitui a única razão de existir de uma civilização que se encontra presa a um mundo efémero. Cingidos a esta realidade, as personagens tentam descobrir na possibilidade do amor a única capacidade libertadora da sua condição humana.José Luís Peixoto equilibra o que sente e pensa acerca do real na utilização dos elementos literários que sustentam a sua narrativa e os seus versos, deve-se a esta estabilidade o facto de se apresentar como um dos melhores escritores lusófonos da actualidade. |
| Originalmente produzido em 1994, o álbum de estreia de Jeff Buckley é hoje considerado um dos melhores álbuns da década de 90. Dez anos após o seu lançamento, a Columbia Records lançou uma edição especial do álbum, remasterizado, com um cd adicional de raridades (incluindo alguns inéditos) e um dvd com todos os vídeos de Grace acompanhados de um breve documentário acerca da produção do mesmo. Para quem não conhece Grace sugere-se uma breve visita à web em busca de "Grace", "Hallelujah" ou "Love, You should've come over". Em 1994, era difícil imaginar que Grace seria tão bem sucedido. Apesar do talento de JB ser já reconhecido, o lançamento foi uma desilusão, dado que não representou uma redeclaração do poder do Rock'N'Roll, nem um sucesso comercial - não era um Nevermind, apenas um disco subtil, meditativo. Num momento fantástico da história da música, num espaço entre Nine Inch Nails e Smashing Pumpkins, Grace surgiu desconectado da revolução em curso. Ninguém podia imaginar que se tornaria num dos discos mais influentes dos anos 90. De facto, actualmente, é possível perscrutar a influência de Jeff Buckley em todo o lado - desde Coldplay a Ryan Adams, PJ Harvey ou Radiohead. Ao não se enquadrar na expressão artística do seu tempo Grace tornou-se um disco intemporal. Falhando qualquer catalogação específica, JB tornou-se universal. Uma década depois, mais de dois milhões de pessoas possuem o seu álbum debutante, além dos downloads cibernéticos. Durante a sua breve vida JB ganhou a admiração de artistas como Elvis Costello, Paul MacCartney, Lou Reed ou Bono dos U2 (artistas que o convidaram para actuações conjuntas). Grace está impregnado de beleza e de sofrimento e o talento de JB, que tocava de uma forma inconfundível, influenciou inúmeros músicos. Podia tocar qualquer nota imaginável, musical ou emocional. Jeff Buckley faleceu sem sequer concluir o seu segundo trabalho, cujas gravações inacabadas foram editadas como "Sketches for my sweetheart the drunk". |
tom waits investe toda a sua genialidade em cada álbum que edita. Real Gone (outubro de 2004) é um disco para ouvir e ficar viciado. desta vez waits surpreende-nos não apenas com novos conceitos musicais e vocais ("cubist funk") mas também ao tomar o lugar de qualquer imberbe ao serviço da vontade primata de uma elite déspota - "day after tomorrow" (faixa 15) - uma canção de intervenção sublime, intemporal, acerca da guerra. waits já editou cerca de 20 discos de originais a solo desde Closing Time em 1973 e continua a constituir uma referência incontornável para músicos de todos os géneros, de todo o globo. este seu último trabalho ganha especial relevância pela nova fuga ao piano. real gone foi considerado por diversas publicações internacionais o melhor álbum do ano. |
a verdade é que nestes últimos meses dou por mim, com alguma felicidade, a enriquecer a minha discografia de smashing pumpkins (o problema é mesmo a box de singles do Siamese Dream "The aeroplane flies low") e de tom waits. entretanto continuo a ouvir aqueles que considero os meus preferidos, mas que já não vão lançar mais álbuns, devido a razões pessoais. Ian Curtis (15.07.1956-18.05.1980) dos Joy Division, Jeff Buckley (17.11.1966-29.05.1997) e provavelmente Elliot Smith (06.08.1969 - 21.10.2003)* cometeram suicídio. E toda a aura de mistério envolvente contribuiu para um reconhecimento póstumo estelar. Mas a verdade é que o seu talento é imediatamente perceptível ao perscrutar os seus trabalhos e não basta o obscurantismo dos seus destinos para justificar que as suas músicas sejam alvo de milhões de downloads diários (a única medida credível do sucesso de qualquer artista que se preze). De qualquer modo toda a sua actividade criativa potencial, por frustração ou demência, foi destruída. Assim, lanço um desafio ao reduzido número de seres inteligíveis do submundo da net que vagueiam por aqui: enviem repetidamente mensagens aos agentes dos vossos artistas preferidos no sentido destes últimos adoptarem de imediato o hábito de visitar semanalmente um psiquiatra, de modo a que não se verifiquem perdas de valor inquestionável para o nosso bem-estar, enquanto promotores dos desportos de sofá mais radicais (como aproveitar o max sound da nossa aparelhagem) e defensores daquelas futuras inúmeras faixas de mp3 seleccionadas com carinho ou daqueles álbuns que ao serem alvo da nossa alocação financeira arruinarão os nossos planos de embriaguez semanal. Pela minha parte, tenho encetado esforços com o intuito de levar o Ryan Adams a evitar uma futura depressão, dado que não quero capitalizar já o investimento nos quatro cd's comprados recentemente, que tenho consumido horas a fio, de uma forma quase demente, apenas pelo facto do mesmo vir a achar que já não tem mais nada a fazer pela comunidade de ouvintes que está dele dependente. Assim, enviei uma lista de contactos de possíveis clínicas a que ele pode recorrer, no entanto chamei desde logo a atenção para os efeitos secundários plausíveis, como a elevação do ego até ao tecto ou a exacerbação de um pretenciosismo que o poderia levar a aderir à agenda de futuros festivais fluviais de cariz comercial. No que concerne ao Billy Corgan não vou efectuar qualquer esforço dado que a credibilidade de qualquer vontade suicida é posta em causa pelos longos anos de melancolia a que nos sujeitou, para além de que quem resiste a uma relação com a CL revela algo de premonitório quanto a uma longevidade de vida assegurada. *"The coroners report on the death of Elliot Smith found a few inconsistencies from a typical suicide. At the time of his death, Smith and his girlfriend (Jennifer Chiba) were heavily arguing. Chiba then locked herself in the bathroom, only to hear Smith scream moments later. Chiba rushed out and removed a knife from his chest and called 911. The coroner found Smith's history to be consistent with a suicide, but the report also found some inconsistencies. The absence of "hesitation wounds," the presence of "possible defensive wounds" and "stabbing through clothing" are noted as atypical of suicide. The LAPD are reinvestigating the case." |
| wish you gave me your number wish i could call you today, just to hear a voice i got a long way to go i'm getting further away if i didn't know the difference living alone'd probably be ok it wouldn't be lonely i got a long way to go i'm getting further away a lot of hours to occupy, it was easy when i didn't know you yet things i'd have to forget but i better be quiet now i'm tired of wasting my breath carrying on and getting upset maybe i got a problem, but that's not what i wanted to say i'd prefer to say nothing. i got a long way to go i'm getting further away. had a dream as an army man with an order just to march in my place while a dead enemy screams in my face but i better be quiet now i'm tired of wasting my breath carrying on, not over it yet wish i knew what you're doing and why you want to do it this way, so i can't go the distance i got a long way to go i'm getting further away i got a long way to go i'm getting further away Elliot Smith, figure 8 |
Cd's
1. O Assobio da Cobra
2. Dirty - Sonic Youth
3. Sister - Sonic Youth
4. Sketches for my sweetheart the drunk - Jeff Buckley
5. Mistery White Boy (versão em papel) - Jeff Buckley
6. Poses - Rufus Wainwright
7. Riot on an empty street - Kings of Convenience
8. Mule Variations - Tom Waits
9. Blood Money - Tom Waits
10. Cão - Ornatos Violeta
Livros
1. O Medo - Al Berto
2. Os Passos em Volta - Herberto Hélder
3. O Idiota - F. Dostoiesky
4. Da Alvorada à Decadência - Jacques Barzun
5. Ou o Poema Contínuo - Herberto Hélder
6. Le Premier Homme - Albert Camus
7. On the Road - Jack Kerouac
8. Ghost of a Chance - William Burroughs
9. Blinking with Fists - Billy Corgan
10. Memoria de mis putas tristes - Gabriel Garcia Marquez
DVD's
1. Gato Fedorento
2. Eyes Wide Shut - Stanley Kubrick
3. Dead Poets Society - Peter Weir
4. Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain - Jean Jeunet
5. Gato Preto, Gato Branco - Emir Kusturica
6. Lost Highway - David Lynch
7. Manhattan - Woody Allen
8. Annie Hall - Woody Allen
9. Basquiat - Julian Schnabel
10. 24 Hour Party People - Michael Witterbottom
b- already bought
(a enumeração não reflecte qualquer hierarquia)
Etiquetas: Poetry
Carta 1
nus, no chão, um copo de vinho tinto… aperto as pálpebras...
não estás a tremer, nunca tremes...tirito...
tomo uma lâmina, ferimos ambos o indicador, deixamos as gotas cair no copo... bebemos...
criámos um laço imortal, não estou doente, não estás... simplesmente somos eternos... se nos cortarem as asas os nossos lábios não deixarão de sangrar...
no dia da minha morte ficarás feliz pois terás a certeza de que estarei para sempre ao teu lado, terminarão as distâncias, apagar-se-ão os segundos, a eternidade é doce apesar de intangível...
morto... até te encontrar, a vida que me deste a beber não pode ser real... és perfeita... não penso... não falo... amo-te
nunca chores, nunca cales os teus olhos, sonha e flutua, voa, tange a água, dormir é inútil, toca-me, sempre!