Recatos


Madeira quebrada ao sabor do gelo.
Restos de quotidiano em farrapos,
espaço de desinteresse público que se resume a depósito de alegrias e frustrações pessoais.

fim.

Domingo, Outubro 29, 2006
quando nada é retribuído torna-se mais difícil acreditar na possibilidade do amor

(este blog não será actualizado novamente)

fim

.

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos

Terça-feira, Outubro 24, 2006
Conheci uma menina que demora sempre mais uns minutos de manhã por causa dos seus caracóis

Posto de Escuta

"Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um dia areia branca seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos a água azul do mar
Janelas e portas vão se abrir prá ver você chegar
E ao se sentir em casa, sorrindo vai chorar

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história prá contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

As luzes e o colorido que você vê agora
Nas ruas por onde anda, na casa onde mora
Você olha tudo e nada lhe faz ficar contente
Você só deseja agora, voltar prá sua gente

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história prá contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

Você anda pela tarde e o seu olhar tristonho
Deixa sangrar no peito uma saudade um sonho
Um dia vou ver você chegando num sorriso
Pisando a areia branca que é seu paraíso"

all day listening

Domingo, Outubro 22, 2006
Glósóli

Hoppipolla

Etiquetas:

Arrependimento

desculpa por nunca te ter dito que és pessoa mais brilhante do mundo.

()

Josh Rouse

Quinta-feira, Outubro 19, 2006
Quiet town

sufjan stevens

John Wayne Gacy, Jr.

beloved Arcade Fire

Rebellion (Lies)

my favorite song (as for many)

Escuta


"Lover, You Should`ve Come Over

Looking out the door i see the rain fall upon the funeral mourners
Parading in a wake of sad relations as their shoes fill up with water
And maybe i'm too young to keep good love from going wrong
But tonight you're on my mind so you never know

When i'm broken down and hungry for your love with no way to feed it
Where are you tonight, child you know how much i need it
Too young to hold on and too old to just break free and run

Sometimes a man gets carried away, when he feels like he should be having his fun
And much too blind to see the damage he's done
Sometimes a man must awake to find that really, he has no-one

So i'll wait for you... and i'll burn
Will I ever see your sweet return
Oh will I ever learn

Oh lover, you should've come over
'Cause it's not too late

Lonely is the room, the bed is made, the open window lets the rain in
Burning in the corner is the only one who dreams he had you with him
My body turns and yearns for a sleep that will never come

It's never over, my kingdom for a kiss upon her shoulder
It's never over, all my riches for her smiles when i slept so soft against her
It's never over, all my blood for the sweetness of her laughter
It's never over, she's the tear that hangs inside my soul forever

Well maybe i'm just too young
To keep good love from going wrong

Oh... lover, you should've come over
'Cause it's not too late

Well I feel too young to hold on
And i'm much too old to break free and run
Too deaf, dumb, and blind to see the damage i've done
Sweet lover, you should've come over
Oh, love well i'm waiting for you

Lover, you should've come over'
Cause it's not too late"

Damien Rice

Blower's Daughter

Viciado em Feist

Mushaboom

queda ficcionada

Quarta-feira, Outubro 18, 2006
três e dezassete da madrugada, apercebo-me que me precipitei subitamente para o abismo. não enquanto chuva mas na condição de apaixonado.

talvez tudo se encerre em tragédia, com um enforcamento numa écharpe de seda rarefeita ou com um corte paralelo à base da mão com palitos la reine.

mas consomes-me à força de me rebentar o coração de alegria com a quietude do teu olhar e a ternura do teu sorriso.

a tua fragilidade é sincera demais para me deixar confortável. de cima do meu ego artificialmente elevado ao tecto, caio até não saber o que possa dizer sem balbuciar como um doido.

não sei se haverá um dia propício a um beijo roubado e tremo na presença desta imagem que surge repetidamente no meu subconsciente órfico.

cada gesto que esboças faz ruir todos os meus cenários premeditados. desempenho apenas o papel do meu patético "eu".

mas mesmo que não me queiras, consome-me. revolta toda a minha racionalidade. torna-me humano e expõe-me ao vazio da rejeição.

se algum dia me quiseres espero estar inteiro.

mas mesmo que me encontres quebrado a teus pés, agarra-me como um tinteiro velho que caiu ao chão, recolhe a tinta como se fossem as minhas palavras e guarda-me num canto de coisas inúteis das quais não te consegues desfazer.

mas sabes que o final que quero não é este, o que quero é ser a máquina fotográfica com que prendas os crepúsculos sobre o mar ou um relógio de plástico a que te tenhas afeiçoado, uma t-shirt que leves sempre que vás visitar a marginal. quero ser teu, as rodas dos teus patins ou qualquer coisa ainda mais rídícula que te faça feliz.

o final que quero é este princípio de me amares, de me guardares ao teu lado, de exigires que não te magoe, que me deixes animar-te quando te afundas nos teus problemas, que me queiras por perto quando o fogo de artíficio se eleva e rebenta nos céus mas também me puxes para a tua beira quando necessitas de sossego.

quero que me mordas com o teu brilho, que me roubes a almofada e não me devolvas os meus livros nem os meus vinys na incerteza de ficarmos juntos.

Jorge Palma

Sábado, Outubro 14, 2006
Acabo de chegar a casa.

Ainda com um sorriso rasgado devido ao concerto desta noite.

Jorge Palma - num terraplano junto ao Rio, algures depois do Lux.

Claro que poucos sabiam do concerto e o público não devia chegar à centena de pessoas.

Mas foi bom ouvir Estrela do Mar, Maçã de Junho, Dá-me Lume e tantas outras canções ao vivo e com o travo a cerveja, cuja lata o cantor ainda fingiu atirar às pessoas.

Obrigado pelo convite grande Gyzmo e Menina da Lua.

(Entretanto não ouvi Infected Mushroom pelas piores razões. Pulguenta Lobinho espero que fiques bem!!!)

Fim-de-Semana bem ouvido

Domingo, Outubro 01, 2006
Depois de mais um concerto em ambiente caseiro de Old Jerusalem, o fim-de-semana parecia destinado a vaguear por esplanadas em busca de um bom sítio para espreguiçar.

Toda a monotonia que agradavelmente prezava gozar foi sacudida pelo concerto dos Dazkarieh, no pátio do Mosteiro dos Jerónimos e sem a precipitação de S.Pedro (como recordado por alguém no público na hora dos agradecimentos).

As pessoas iniciaram danças contidas até ao esboço de um frenesim corporal que não tardou a surgir.

A voz telúrica-tribal-arábe-casta-medieva da vocalista Joana Negrão, as incursões rock em Nyckelharpa ou Bouzouki do grupo e o abraço do público sobre a névoa levantada atrás do Mosteiro enlevaram o ambiente do recinto a um plano quase místico.


www.dazkarieh.com
http://www.myspace.com/dazkarieh

Kong Hei Nei Paulo! – entre Bali, Istambul, Lisboa e Barcelona

Quarta-feira, Agosto 23, 2006
Um dos meus melhores amigos, o Paulo aka “Macau”, regressou a Lisboa de um PhD em Barcelona e de uma viagem pela Ásia para gozar as férias com a família e amigos.
Teve de ser ele, vindo de Barcelona a mostrar-me, há umas noites atrás, mais um bastião da vida boémia alfacinha a um canto da Praça da Alegria, o grande Maxime.
Entretanto no casamento de uns amigos nossos foi também ele o entertainer do grupo da faculdade, respectivos e respectivas.
Mas o melhor do seu regresso ficou reservado para ontem.
Agendou o jantar de cumpleaños com alguns dos seus doze irmãos e mais duas mãos cheias de amigos, num sítio quase surreal, numa cortada estreita a esgueirar-se já da penumbra insegura do Martim Moniz. Já nessa viela sobem-se umas escadinhas de madeira até ao segundo andar, no último vão de escada lê-se, supostamente em mandarim, “estamos perto”. Tocamos a campainha da porta com motivos orientais.
Trata-se de uma casa de família chinesa como tantas outras, com uma cabaça pendurada e pandas à mistura. Cadeiras e bancos de plásticos, utilmente furtados de algum café de esquina, ainda com a imagem da marca do café utilizada no estabelecimento. A televisão não sintonizava canais portugueses e não vimos o jogo da eliminatória do glorioso para o acesso à Champions.
As garrafas de cervejas da marca que substituiu o cabo de Sagres por outro nome eram já poucas e reduzimo-nos à leve Tsing Tao.
No entanto, entre delícias de camarão, lulas fritas, uma sopa picante que não cheguei a provar e uma carne agridoce que espero não ser de gato e um doce fantástico de côco com manteiga de amendoim, empreendemos um dos melhores repastos de sempre, no melhor restaurante chinês, bem como insólito, que encontrei até hoje (apesar de nunca ter apreciado a cozinha chinesa esta menos falsa que o habitual aguçou-me o apetite à medida que os diferentes pratos se sucediam).
No final, após o gentil esforço de reproduzir a letra da canção de aniversário Chinesa, uma das irmãs do Paulo distribuiu algumas cópias pela mesa e cantou-a primeiro para acertarmos o ritmo (mais umas 30 tentativas e teríamos conseguido).

Fica aqui uma aproximação Ocidental:

CHOK CHOCK, LEI FOR SAU
MUI TIN CHAI
IUT Ó, LEI SAN SAN, FAI LÓH
LIN LIN, TUI IAU KAM IAT,
SOI SOI, TUI IAU KAM TCHIU
KONG HEI NEI
KONG HEI NEI

Obrigado “Macau”, espero voltar a este restaurante mais vezes.
Boas aventuras na Turquia.

Página de Diário

Terça-feira, Agosto 01, 2006
Dado que já são raras as visitas que aqui faço, permito-me a desbaratar os factos inócuos de uma vida de rumos atalhados neste espaço que tenho esquecido.

Ainda hoje me espanta algo que sucedeu há semanas atrás, mais até dado que acredito em coincidências, e como agnóstico, céptico e quase niilista respeitável não adivinho destinos nem intervenções exteriores. Apesar de conhecer a determinação probabilística adequada à minha questão, continuo a perguntar-me como foi possível com duzentos ou talvez mais lugares, escolher a cadeira à frente da minha ex-namorada no concerto do Old Jerusalem. Há meses que não nos víamos, (des)encontrámo-nos, trocámos o que me pareceu nem meio dedo de conversa e supostamente fingimos que não existimos, muito por causa da minha perda imediata da capacidade de articular qualquer frase com sentido.

Nunca me senti tão patético, sem saber o que dizer. Mas, já não havia nada a tentar. Nem as palavras gastámos, como diria o poeta dos ombros, à força de não as termos dito.

No entanto, e devido a este acaso e a outros da mesma natureza, mas sem a incredibilidade daquele, a vida estupidificante que me assombra por estes dias deixa-me não acomodado, mas confortável na desorganização em que tudo se tornou. Apesar da circunstância estranha de ser tudo ainda mais desconectado e inseguro do que antes.

Esqueci-me do aniversário de um dos meus melhores amigos, e não me consigo perdoar por isso. Desculpa, apesar de saber que não vens aqui.

Sexta, perdi a boleia para Sines. Claro, não fui ao Festival nem regressei à casa no Alentejo.
Mas, pelo menos não segui para as areias do algarve, apesar disso causar alguma dor de estômago às entidades paternais. No entanto, o saldo de créditos obtidos por ter terminado o curso ainda é positivo e resta-me alguma folga de desprazeres a cometer.

A minha vida permanece um passeio aleatório de futilidades, preenchendo as noites da semana no Carmo ou nas ruas do Bairro, nem janto depois de ter saído do escritório já tarde, e aí vou eu.

Volto à loja das t-shirts no final da Rua da Atalaia, e as encomendas continuam por satisfazer. Será que algum dia estarão prontas? A única coisa que me agrada naquela loja é a simpatia dos donos e as suas desculpas pouco mordazes.

Encontro não pontual no Camões com os meus drunk buddies, direcção: Adamastor. Animatogarfo, só para comer uma tosta e matar saudades (a propósito, talvez já tenha referido isto, mas o Noobai devia fechar mais tarde).

Voltamos à Tasca, ali por baixo do Luso, música espanhola no ar, espaço exíguo, portas abertas para a rua, depois de nos termos apaixonado pela rapariga do bar na noite anterior, uma catalã de olhos amendoados e um sorriso desarmante, que nos interpela logo à porta, requerendo o nosso pedido alcoólico, bem caro naquelas paragens. Estratégia de marketing adequada a tipos impressionáveis como nós (nos dias seguintes, multiplicaríamos a falange de rapazes inquietos ao arrastar mais e mais conhecidos). O meu rubor não disfarça a incapacidade que tenho de desenvolver um discurso de engate gratuito, e a ela também só lhe interessa que cada imperial de três euros seja seguida de outra o mais depressa possível. Mas se no fundo somos todos promíscuos de algum interesse, decido não me insurgir contra a doce gal, como diria o Ryan.

Depois de passagens fugazes pelas noites vazias do Velvet ou do Bedroom, pela habitual Bicaense… decidimos empreender a descida heróica até ao Incógnito.

E a revolução atacou-nos em cheio e explodiu entre os nossos corpos e os dos habitantes daquele espaço fantástico. Recebidos com Arcade, e presenteados de seguida com o Passenger do Iggy e os saudosos Violent Femmes. Algumas faixas depois escuta-se "Radio... live transmission..." e a pista inunda-se da epilepsia de Ian Curtis.
No sábado voltamos, sem saber que seria o último dia antes de Setembro, e encontramos as raparigas do dia anterior, que vieram juntar-se a nós de novo, as quais nem chegámos a conhecer, não sei se por desinteresse se por tacanhez. Ainda tentei um confronto quando a loira esguia saiu da fila interminável para o quarto de banho, mas sem sucesso.
O que é certo é que aqui o rapaz que não dança, ficou até fechar, as duas noites, a última das quais já a manhã rompia e o relógio tocava quase as sete. Fabuloso Incógnito, se ficasse em Lisboa em Agosto ficaria destroçado por só reabrir em Setembro. Acho que até fiquei com saudades dos bigodes surrealistas que torcem muitas vezes a possibilidade de entrar, até insistir educadamente, e já pela terceira vez, que está alguém conhecido no interior. E a noite terminou, ao som de Kurt Cobain e bebida por conta da casa.

As tardes do fim-de-semana, agendei-as para a revisão da Baixa à luz do dia, a visita a uma loja de discos perto do Mezcal, que há uns tempos atrás me encheu a caixa de e-mail, e para a re-leitura de Suskind junto ao espelho de água de um café ao cimo do Parque. E soube bem, ler a Mondo Bizarre, com um artigo do Small Change do velho Waits.

A verdade é que não tenho uma rapariga que me consuma, e esta vida displicente e boémia agrada-me, equilibrando o meu dia, esquecendo o nó da gravata digital que se revela em horários pesados frente ao monitor.

Segunda-feira, Junho 26, 2006
Josh Rouse - Aula Magna

Sexta-feira, Junho 16, 2006
apraz saber que já não me amas,
que talvez nunca o tenhas feito.
é dócil viver esta solidão solene
de quem não lamenta nem receia,
de quem não roga mais a teus pés
nem soçobra à sombra das tuas lágrimas.

apraz provar de novo
o travo agridoce do olvido,
ao saber do malte o sabor negro
com que alinhavo os meus retalhos
nos soturnos passos que arrasto,
rarefeito, pela calçada
buscando a penumbra dos dias úteis

Regresso Mitigado

Quarta-feira, Junho 14, 2006
Após algum tempo de ausência, venho só recordar que haverá um concerto de Old Jerusalem no próximo dia 7 de Julho, no Anfiteatro ao ar livre da Culturgest.

Bilhete: 5€
CD's à venda na cdgo e bor-land (procurem os links aqui ao lado)

(e ainda a não perder... Josh Rouse com o novo álbum Subtítulo, após cambiar para terras de Espanha, no dia 23 de Junho na Aula Magna e Belle & Sebastian, dia 17 de Julho no Coliseu)

Sexta-feira, Abril 28, 2006
Kings of Convenience

amanhã, na Aula magna

Nova Editora: Livramento

Quinta-feira, Março 16, 2006
Os primeiros livros da Livramento foram apresentados esta semana nas novas (provisórias?) instalações (uma desilusão para quem passou tanto tempo no espaço anterior) da Ler Devagar (na ZDB).

Os Dias Não Estão Para Isso de Nuno Costa Santos, apresentado por Pedro Mexia.

(a verdade é que os dias estão para a poesia do quotidiano que Nuno Costa Santos nos apresenta de forma inteligente).

e

Heartbreak Hotel de Alexandre Borges, irmão de um outro escritor, Luis Filipe Borges, cara do programa A Revolta dos Pastéis de Nata da 2.

(deambulação ficcional da recepção ao último piso de um Hotel que se percorre com entusiasmo em escassos minutos)

Exposições

Sexta-feira, Março 10, 2006
ontem aproveitei para visitar a exposição patente no Palácio das Galveias dos Finalistas da FBAUL

saí de lá maravilhado com um armário de pronto socorro branco, com uma cruz vermelha, entreaberto. lá dentro, a solução para o socorro, uma pequena Biblía e dezenas de velas brancas. mordaz.

entre instalações, quadros, fotografia e vídeo os finalistas da FBAUL expõem ali peças de arte até ao dia 26 de Março.


ainda houve tempo para ver a mostra dos alunos e Bolseiros do Ar.Co no Museu da Cidade. no seio do jardim do museu, dividida em dois pavilhões a exposição apresenta trabalhos de joalharia, vídeo, fotografia e pintura.

à volta passeiam-se os pavões, junto aos pés dos visitantes e empoleirados em cima dos bancos, despreocupados e vaidosos com as cores que exibem, como se fossem parte da exposição de arte.

Bandas gástricas

há uns dias atrás, vindo do Pavilhão Chinês e depois de ver a porta ainda fechada do Loucos e Sonhadores (o quadro eléctrico deu o berro), decidi descer até ao Clandestino...

e fui surpreendido por um pequeno cartaz na porta do Frágil, com um nome discretamente inscrito ao fundo: Rodrigo Leão.

mas o melhor de tudo é que entrei no início do concerto, casa cheia embevecida com uma rapariga gordinha a tocar acordeão. Fantástica Celina!

depois entraram os Dazkarieh, com Vasco Casais sempre a falar e um instrumento estranhíssimo, Luís Peixoto com um bandolim, ou guitarra eléctrica ou guitarra portuguesa (não consegui perceber:), Baltazar Molina na percussão e a excelente voz de Helena Madeira!

os Dazkarieh visitaram o Frágil para contagiar o público com a sua folk, que explodia no corpo dos presentes que não resistiam a dançar freneticamente, embriagados na força telúrica de sons ancestrais. aplausos, aplausos e mais aplausos.

no espaço exíguo as pessoas movimentavam-se entre desculpas e licenças, alguém surge atrás de mim pedindo para passar. Digo: "Desculpa." Ele diz com um sorriso: "Desculpe". Ele era afinal o Rodrigo Leão, com pressa para chegar ao palco.

e começa a parte final do concerto, com Rodrigo Leão nas teclas, um baixo, um violino e de novo Celina - com acordeão, em francês, em castelhano ("Pasion")... uma diva!.

é sempre bom voltar ao Frágil, depois foi ficar mais um pouco para ouvir o Gonçalo Siopa e o Kaspar que abriu com Ramones...

mais informações em Música no Ar.

Alison’s Starting to Happen

Terça-feira, Janeiro 24, 2006
She’d shake it up, was hard to make out.
Now it’s plain to see
I couldn’t cook to save myself,
Found my life a recipe.
I never looked at her this way before,
But now she’s all I see...
Alison’s starting to happen,
Alison’s starting to happen,
Alison’s starting to happen to me
It’s so mesmerizing,
Can’t describe it,
All that inside, hey.
No one’s heard her last name,
I ain’t asked,
So, who am I to blame?
An earthquakes started forming underneath my feet today...
Alison’s starting to happen,
Alison’s starting to happen,
Alison’s starting to happen to me
Oh, this world is topsy-turvy,
And it is mine to eat.
She’s the pebble in my mouth and underneath my feet.
She’s the puzzle piece behind the couch, made the sky complete.
Alison’s starting to happen.
Alison’s starting to happen.
Alison’s starting to happen.
Alison’s starting to happen.
Alison’s getting her tit pierced.
Alison’s growing a mohawk.
Alison’s starting to happen to me.

Lemonheads

Random Rules

Sexta-feira, Janeiro 20, 2006
In 1984 I was hospitalized for approaching perfection.
Slowly screwing my way across Europe, they had to make a correction.
Broken and smokin' where the infrared deer plunge in the digital snake.
I tell you, they make it so you can't shake hands when they make your hands shake.

I know you like to line dance, everything so democratic and cool,
But baby there's no guidance when random rules.

I know that a lot of what I say has been lifted off of men's room walls.
Maybe I've crossed the wrong rivers and walked down all the wrong halls.
But nothing can change the fact that we used to share a bed
and that's why it scared me so when you turned to me and said:

"Yeah, you look like someone
Yeah you look like someone who up and left me low.
Boy, you look like someone I used to know."

I asked the painter why the roads are colored black.
He said, "Steve, it's because people leave
and no highway will bring them back."
So if you don't want me I promise not to linger,
But before I go I gotta ask you dear about the tan line on your ring finger.

No one should have two lives,
now you know my middle names are wrong and right.
Honey we've got two lives to give tonight.

Silver Jews, American Water

dias úteis

Terça-feira, Janeiro 17, 2006
chego a casa sem saber se o exame correu mal ou bem, a verdade é que já não me interessa. está feito. feels dos animal collective para descontrair.

devo sair para jantar ou então limito-me a fazer uns ovos mexidos. vou deitar-me e descanso um pouco, selecciono o random e surge she bangs the drums dos stone roses, viciante.

levanto-me para aquecer água para o café senão não vou acordar nunca, salto o jantar a petiscar algumas coisas porque a preguiça é gulosa. prison on route 41 (in the reins dos iron&wine and calexico) doce demais para algo tão amargo.

pause. um banho quente ainda me vai fazer pior mas tem que ser, estou cheio de frio e tenho poucos minutos antes do último 58 passar.

direcção ao bairro alto via amoreiras-rato-escola politécnica-príncipe real-largo da misericórdia, tiro o random para ouvir o funeral dos arcade. atalho até ao clandestino e não está ninguém, é melhor passar pelo arroz doce, nada, random outra vez e Sufjan para sorrir, o melhor é ver nas primas ou no trombada. uma sangria da velhota, um relance à janela da atalaia e flowers' grave do waits para descontrair. o melhor é passar pelo Loucos e Sonhadores para beber uma preta. pause. dois dedos de conversa com o dono do bar. entrego a teoria da indiferença para quem quiser levar e levo uma edição antiga do catcher in the rye.

play. eastmountainsouth com hard times, hora de uma guiness no catacumbas. ninguém e a petra não canta esta noite. ok, tiro o random e escuto o cold roses do ryan. mezcal, meia-nota, é uma pena a tasca do fadista ter fechado, tenho saudades daquela pocilga.

random de novo, a incerteza tem mais piada, começa a ficar tarde e é noite gótica no tocsin, love will tear us apart dos joy conduz-me até ao room.

encontro umas caras conhecidas, acena-se, cumprimenta-se, conversa de ocasião e, então boa noite e isto está cheio de mais. saio e perguntam-se se quero coca. não, obrigado. estes tipos dantes só vendiam chocolate agora é assim. nick drake e elliott smith, um pouco de josh rouse (winter at the hamptons) e sigo para o já disse. desde que o macau se foi embora que não há quem queira vadiar por estas vielas, ouve-se o fado vadio que foge das portas das adegas mas a lisboa que amanhece do sérgio godinho sobrepõe-se.

estou com fome, o melhor é voltar ao arroz doce para um pontapé e um pão com chouriço. ponho o siamese dream até à faixa 9 e passo pelo etílico, conheço o tipo que está a passar música e ainda bebo uns copos à pala até o estaminé fechar. faz-se tarde, o melhor é tentar o incógnito.
a descida é tão longa que serve para ouvir o april do old jerusalem. chego, uma fila enorme, já não deixam entrar ninguém. é sempre a mesma merda.

são quatro e um quarto se me despachar ainda apanho o 202 de regresso a casa. desta vez não há bolos para ninguém. antónio pinho vargas com o hit tom waits seguido da dança dos pássaros e vilas morenas acompanha-me até à paragem. conversa nonsense com um tipo que me veio pedir um cigarro, entretanto desaparece assim que se apercebe que não fumo.

já em campolide penso no que vai ser a minha vida daqui a uns meses, provavelmente sem poder fazer noitadas como estas a meio da semana, num trabalho de fato e gravata que me vai estrangular ainda mais. o melhor é terminar os exames e depois logo se vê.

a minha namorada vai para a dinamarca no final do mês e fica lá até julho... into my arms do nick cave, apropriado, não?

apetece-me kings of convenience enquanto abro a porta do prédio.

subo as escadas com uma sobriedade que não me agrada, tenho saudades dos tempos em que o corrimão ainda era útil e a casa de banho parecia sempre longe demais. chave à porta, casa vazia e lençóis frios. dream brother do jeff buckley acorda-me a tempo de fazer uma torrada. só falta o chá para ter setenta anos. deito-me com white stripes à espera de um toque de campainha e não resisto a ver por breves momentos o que dá na televisão, televendas, raios parta, desligo.

introspecção breve. quase 23, o aniversário esperado para sonhos que afinal não se vão cumprir. a culpa é toda minha. e os amigos desapareceram de vista, pelo menos para os lados da rua da rosa, da atalaia, da barroca, do norte, do diário de notícias...

adormeço com o salinger na mão e a bateria a terminar a meio do horses da patti smith (ou seria uma canção da pj harvey? tanto faz).

16, MAYBE LESS

beyond the ridge on the left, you asked me what i want
between the trees and the chirping by the shading pond
“i spent and hour with you, should i want anything else”
she rose and winked like the owner of a candy store
we were sixteen maybe less, maybe a little more
i walked home smiling, i finally had a story to tell

and though an autumn-time lullaby sang our new-born love to sleep
my brother wrote me, he saw her there
in the woods one Christmas eve, asleep

i met my wife at a party when i drank too much
my son is married and tells me we don’t talk enough
it’s so predictable, yesterday my dream was of you:
beyond the ridge on the left, the sun had left the sky
between the trees and pond you put your hand mine,
said “time has bridled us both but I remember it, too”

and though an autumn-time lullaby sang our new-born love to sleep
i dreamt i traveled and found you there
in the woods one Christmas eve, with me

Iron & Wine and Calexico

A HISTORY OF LOVERS

Louise only got from me innocent poetry
i thought she played to not listen
still i can hear myself speak as if no one else
ever went over to sleep

some say she knowingly tast’d like a recipe
although so foolish and willing
still i can picture you bend as if wanting to
bow as the curtain went down

coddle some men, they’ll remember you bitterly
fuck ‘em, they’ll come back for more
i asked my Louise would she leave and so cripple me
then came a knock at the door

“i came for my woman”, he came with a razor blade
bound like us all for the ocean
i hope that she’s happy i’m blamed for the death of
the man who would take her from me

some they saw in me innocent poetry
some some they’ll never be certain
but still it’s been written, a history of lovers
given and taken in ink

cuckhold some men they’ll remember you fittingly
cut ‘em, they’ll come back for more
i asked my Louise would she leave and so cripple me
then came the knock at the door

Louise came to rescue me; listen, the irony:
blood made her heart change it’s beating
i hope that she’s happy i’m blamed for the death of
the man she found better than me

Iron & Wine and Calexico

Os melhores de 2005

Sexta-feira, Janeiro 06, 2006
pitchfork

Os melhores de 2005 - segundo o semanário Blitz

Terça-feira, Dezembro 20, 2005
Geralmente não dou muita atenção aos balanços de final de ano, valem o que valem, mas já que este ano a preferência generalista premiou alguns dos meus favoritos...

O jornal de música Blitz lançou hoje o seu ranking e balanço dos melhores álbuns de 2005.

Não posso deixar de mostrar o meu agrado pela escolha do vencedor na categoria nacional (e à semelhança de 2003): Old Jerusalem (com o genial e "recatado" "Twice the Humbling Sun").
Francisco Silva (Old Jerusalem) também participou numa das melhores surpresas do ano, "Uma outra História" (iniciativa da FNAC), com a sua versão de "For what it's worth" dos Buffalo Springfield.

A eleição de "Funeral" (dos Arcade Fire) não constituiu qualquer surpresa, aliás em quase todos os rankings internacionais eles surgem de mãos de dadas nos lugares cimeiros com Sufjan Stevens (com a continuação do seu projecto megalómano de lançar de dedicar um álbum a cada um dos estados americanos, desta feita com "Illinois(e)", o estado de Chicago).
Já para Sufjan, a redacção do Blitz não foi tão amistosa, ao atribuir-lhe um modesto 26º lugar.

blitz

a rádio feita à tua medida

Segunda-feira, Dezembro 19, 2005
a descobrir! sensacional!

http://www.pandora.com/

(obrigado Inês!)

Lounge

Sexta-feira, Dezembro 09, 2005
debaixo de um foco de luz vermelho, com uma acústica má, mas com o espaço hiper povoado, tocou ontem no Lounge Old Jerusalem. (nota: gostei imenso do som seleccionado pelo dj da casa)

desta vez Francisco Silva actuou sozinho, durante uns escassos 45 minutos e sem encore para infelicidade dos presentes.


humilde, desconfortável e inseguro, rodeado do silêncio quebrado apenas pelas palmas de quem escutava algo maravilhoso, Old Jerusalem voltou a Lisboa com o encanto da sua simplicidade.

set list

April
- Swan
- Stroll
- Always do

Twice the Hubling Sun
- Earlier the Lake Today
- Seasons
- One I Should Know
- The Cry of a New Birth

Não editadas
- Boxes
- So developed in our serfdom (incluída no 4º volume da compilação Cais doRock, da LowFly Records)
- Her scarf
- Holland
- Twice the Humbling Sun (que já tinha tocado na ZDB)
- Loving Cows (idem - hilariante)

Francisco, obrigado pela ajuda na set list.

Old Jerusalem (de novo em Lisboa)

Domingo, Dezembro 04, 2005
boas notícias, Old Jerusalem, estará presente no Lounge no próximo dia 8 de Dezembro.

oportunidade para relembrar April e Twice the Humbling Sun, bem como escutar novos temas de Francisco Silva.



25 anos de impunidade

Ao início da noite do dia 4 de Dezembro de 1980 faleceram o primeiro-ministro português, Francisco Sá Carneiro, e o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa.

(viajavam de Lisboa para o Porto, no último dia de campanha para as eleições presidenciais, os restantes passageiros também faleceram na viagem realizada num bimotor Cessna)

Foram vítimas de atentado devido à ameaça que constituíam para o tráfico de armas.

Antes de se extinguir o Conselho da Revolução, morria o visionário, fundador de um regime democrático de cariz ocidental, nascia o mito.

Há mais de 50 anos que a República Popular da China ocupa o território tibetano e procede à extinção de uma cultura milenar. Eluard onde estás?

Domingo, Novembro 27, 2005
"Liberté

Sur mes cahiers d'écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable de neige
J'écris ton nom

Sur les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J'écris ton nom

Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J'écris ton nom

Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l'écho de mon enfance
J'écris ton nom

Sur tous mes chiffons d'azur
Sur l'étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J'écris ton nom

Sur les champs sur l'horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J'écris ton nom

Sur chaque bouffées d'aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J'écris ton nom

Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l'orage
Sur la pluie épaisse et fade
J'écris ton nom

Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J'écris ton nom

Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J'écris ton nom

Sur la lampe qui s'allum
Sur la lampe qui s'éteint
Sur mes raisons réunies
J'écris ton nom

Sur le fruit coupé en deux
Du miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J'écris ton nom

Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ses oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J'écris ton nom

Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J'écris ton nom

Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J'écris ton nom

Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attendries
Bien au-dessus du silence
J'écris ton nom

Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J'écris ton nom

Sur l'absence sans désir
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J'écris ton nom

Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l'espoir sans souvenir
J'écris ton nom

Et par le pouvoir d'un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer"

likely the best song i've heard for a long time

Terça-feira, Novembro 22, 2005
"Come On! Feel The Illinoise!

Oh great intentions
I've got the best of interventions
But when the ads come
I think about it now

In my infliction
Entrepreneurial conditions
Take us to glory
I think about it now

Cannot conversations cull united nations?
If you got the patience, celebrate the ancients
Cannot all creation call it celebration?
Or united nation. Put it to your head.

Oh great white city
I've got the adequate committee
Where have your walls gone?
I think about it now

Chicago, in fashion, the soft drinks, expansion
Oh Columbia!
From Paris, incentive, like Cream of Wheat invented,
The Ferris Wheel!

Oh great intentions
Covenant with the imitation
Have you no conscience?
I think about it now

Oh God of Progress
Have you degraded or forgot us?
Where have your laws gone?
I think about it now

Ancient hieroglyphic or the South Pacific
Typically terrific, busy and prolific

Classical devotion, architect promotion
Lacking in emotion. Think about it now.

Chicago, the New Age, but what would Frank Lloyd Wright say?
Oh Columbia!
Amusement or treasure, these optimistic pleasures
Like the Ferris Wheel!

Cannot conversations cull united nations?
If you got the patience, celebrate the ancients

Columbia!

I cried myself to sleep last night
And the ghost of Carl, he approached my window
I was hypnotized, I was asked
To improvise
On the attitude, the regret
Of a thousand centuries of death

Even with the heart of terror and the superstitious wearer
I am riding all alone
I am writing all alone

Even in my best condition, counting all the superstition
I am riding all alone
I am running all alone

And we laughed at the beatitudes of a thousand lines
We were asked at the attitudes
They reminded us of death

Even with the rest belated, everything is antiquated
Are you writing from the heart?
Are you writing from the heart?

Even in his heart the Devil has to know the water level
Are you writing from the heart?
Are you writing from the heart?

And I cried myself to sleep last night
For the Earth, and materials, they may sound just right to me

Even with the rest belated, everything is antiquated
Are you writing from the heart?
Are you writing from the heart?

Even in his heart the Devil has to know the water level
Are you writing from the heart?
Are you writing from the heart?"

Sufjan Stevens, Illinois(e)

favourite song from X&Y

"Swallowed in the Sea

You cut me down a tree and brought it back to me
and that’s what made me see where I was going wrong
You put me on a shelf and kept me for yourself
I can only blame myself, you can only blame me
and I could write a song a hundred miles long
Well that’s where I belong and you belong with me
and I could write it down or spread it all around
Get lost and then get found or swallowed in the sea

You put me on a line and hung me out to dry
Darling that’s when I decided to go to see you
You cut me down to size and opened up my eyes
Made me realize what I could not see

and I could write a book, the one they'll say that shook the world
and then it took, it took it back from me
and I could write it down and spread it all around
Get lost and then get found and you'll come back to me
Not swallowed in the sea

Oohhhhh Ahhhhhh

and I could write a song a hundred miles long
Well that’s where I belong and you belong with me
The streets you’re walking on, a thousand houses long
Well that’s where I belong and you belong with me
Oh what good is it to live with nothing left to give
Forget but not forgive, not loving all you see
Oh the streets you’re walking on a thousand houses long
Well that’s where I belong and you belong with me
Not swallowed in the sea

You belong with me, not swallowed in the sea
Yeah you belong with me

Not swallowed in the sea."

Coldplay, X&Y

Coldplay

Segunda-feira, Novembro 21, 2005
Esta quarta-feira vou ouvir música de anúncios de telemóvel...

E isso não é nada mau, entre o rock e o pop, num ambiente Kraftwerk ou U2, o que interessa é que os Coldplay sobem ao palco com uma energia fantástica, com um som agridoce enlevado nos falsetes de Chris Martin.

Fogem ao brit-pop e conquistaram o mundo ao primeiro cd (quem não se lembra dos singles shiver, trouble ou yellow).

Não desiludiram num segundo volume, a abrir com a faixa magnífica In my place que fez a ponte perfeita entre este e o trabalho anterior.

E agora, depois de dvd e tudo, cativam as plateias do mundo inteiro com aquele que é talvez o seu melhor trabalho.

X&Y, com influências assumidas e desprendimento total, com uma versatilidade e disponibilidade espantosas (desde a empatia criada na farsola dos MTV awards, um dos momentos (poucos) altos dessa noite, à associação ao projecto make trade fair).

Se até há pouco tempo conhecia muito pouco dos Coldplay, apenas os singles que invadem a generalidade das rádios, desde as mais comercias às mais underground, neste momento encontro-me numa ávida e atenta audição do último álbum de modo a recuperar o tempo perdido...

...e para estar preparado para acompanhar, no pavilhão de todas as utopias, a melancolia sorridente dos vários hinos intimistas a que esta banda (apontada já como uma das melhores, de certeza das que mais vende a nível global) nos tem habituado em apenas cinco anos.

Sigur Rós em Lisboa

"A insónia dos anjos"

Sound+Vision

Sábado, Novembro 19, 2005
Um dos melhores espaços nacionais sobre música e cinema (qualquer semelhança com o dn:música será pura coincidência)

(i miss you so...)

"Beautiful

Beautiful, you're beautiful, as beautiful as the sun
Wonderful, you're wonderful, as wonderful as they come
And I can't help but feel attached
To the feelings I can't even match
With my face pressed up to the glass, wanting you
Beautiful, you're beautiful, as beautiful as the sky
Wonderful, it's wonderful, to know that you're just like I
And I'm sure you know me well, as I'm sure you don't
But you just can't tell
Who'll you love and who you won't
And I love you, as you love me
So let the clouds roll by your face
We'll let the world spin on to another place
We'll climb the tallest tree above it all
To look down on you and me and them
And I'm sure you know me well, as I'm sure you don't
But you just can't tell, who you'll love and who you won't
Don't let your life wrap up around you
Don't forget to call, wheneverI'll be here just waiting for you
I'll be under your stars forever
Neither here nor there just right beside you
I'll be under the stairs forever
Neither here nor there just right beside you"

BC, SP, MCIS

Faixa extra para Illinoise - Sufjan Stevens

Extra-track

devotion

"Grace

There's the moon asking to stay
Long enough for the clouds to fly me away
Well it's my time coming, i'm not afraid to die
My fading voice sings of love,
But she cries to the clicking of time
Of time

Wait in the fire...

And she weeps on my arm
Walking to the bright lights in sorrow
Oh drink a bit of wine we both might go tomorrow
Oh my love
And the rain is falling and i believe
My time has come
It reminds me of the pain
I might leave
Leave behind

Wait in the fire...

And I feel them drown my name
So easy to know and forget with this kiss
I'm not afraid to go but it goes so slow"

Jeff Buckley, in Grace (1994)

Super Baixistas

Domingo, Novembro 13, 2005
"Baixistas dos New Order, Stone Roses e The Smiths reunidos em super-grupo
Peter Hook (New Order), Mani (Stone Roses) e Andy Rourke (The Smiths) preparam-se para apresentar uma nova banda.


Os três baixistas das lendárias bandas britânicas reuniram-se num projecto denominado Freebass. O grupo procura um quarto elemento que possa vocalizar os temas do trio de respeito. Em declarações à revista Filter, Peter Hook contou a história por detrás da reunião dos três baixistas. «Foi numa noite de copos e eu equacionei a ideia. Basicamente o que me deu mais ímpeto foi que toda a gente se riu. Três baixistas num álbum, toda a gente se riu muito», disse.

«Todos os temas, e existem temas muito minimalistas a nível vocal - têm os três baixos. O Mani encarrega-se da parte mais grave, o Andy funciona mais em termos médios, e eu (Peter Hook) trabalho mais com os agudos. Funciona tudo muito bem», acrescentou o músico.

«Temos cerca de 19 ideias. 12 delas já estão prontas para serem vocalizadas. Tivemos problemas em encontrar vocalista. comentou Hook, referindo-se aos nomes de artistas com quem já trabalharam como são o caso de Morrissey, Ian Curtis, Bernard Summer, Bobby Gillespie e Ian Brown. «Queríamos alguém com algo para dizer», preconizou o músico."

in Disco Digital

Pink Martini

Disco Digital

new home

Sábado, Novembro 12, 2005
beautiful beating

Winter in the Hamptons

"Here we go
Singin' our songs with our soul
Winter has gone
Where do we belong
We have stayed too long

Friday night
So uptight we get stoned
Sit in the Hamptons
It is too cold
We have stayed too long

Spring is finally here
And we're so well dressed
It's a talent and it's our style
So put on your hat
Because the forecast is rain clouds

Never know American scene's such a bore
Embarressing
Still, we are hangin' on
We have stayed too long

And we'll fly
Take a gypsy to Eurosize
Our money is gone
Where do we belong
We have stayed too long

Sick of livin' here
It's such a mess
'Cause the government built our lives
So put on your hat
Because the forecast is rain clouds"

Josh Rouse, Nashville

Lisbon Swingers Big Band

Domingo, Novembro 06, 2005
"Os Lisbon Swingers Big Band são uma banda de jazz que interpreta músicas do período do Swing, na qual participam os Professores Pinto Barbosa.

Mais uma vez, no dia 10 de Novembro (5ª feira) às 18H, no Anfiteatro A14
vai dar um concerto que contará com a participação especial do Prof. Luciano Amaral.

Se aprecia jazz, não perca esta oportunidade e venha assistir ao concerto!"

A entrada é livre. Apareçam!!!

Alinhamento

Parte I - Homenagem a Sammy Nestico
Shiny Stockings
Feeling Free
Look what I found
Softly from my window
Care free
Back Home
Brasilia

Parte II - Voz: Luciano Amaral
Beyound the Sea
Fly Me to the Moon
Lady is a Tramp
New York New York
Hey Ba-ba-re-bop

3wk

Sábado, Novembro 05, 2005
i'm totally addicted to 3wk!

Billy e Ryan?

Quinta-feira, Novembro 03, 2005
Quais eram as probabilidades de os ver juntos?

paulo, espero que estejas atento, isto vai limitar seriamente alguns dos teus comportamentos :)

Quarta-feira, Novembro 02, 2005
"Barcelona multará a compradores del 'top manta', a clientes de prostitutas callejeras y a mendigos

Las nuevas ordenanzas para promover la convivencia del Ayuntamiento de Barcelona permitirán multar a las prostitutas callejeras y a sus clientes, a vendedores y compradores del 'top manta' y la práctica de la mendicidad agresiva.

El alcalde de Barcelona, Joan Clos, ha presentado el anteproyecto de la Ordenanza de medidas para fomentar y garantizar la convivencia que dotará al consistorio de mecanismos para hacer efectivas las sanciones impuestas a los infractores que no residan en la capital, incluidos los extranjeros.

Joan Clos ha explicado en rueda de prensa que esta normativa, que se prevé entrará en vigor en enero, será el instrumento, "precursor" en toda España, con el que el ayuntamiento pretende controlar a los ciudadanos incívicos.

Clos ha querido dejar claro que no quieren prohibir la prostitución, ni hacer un juicio ético sobre la misma, sino que pretenden mejorar la convivencia en las zonas en las que se registra una concentración de estas prácticas, con multas de hasta 600 euros.

"No podemos tolerar que haya mafias del Este" (aquela ida a Praga...) "dedicadas a la prostitución que impunemente tengan a chicas trabajando en cuatro o cinco lugares", ha añadido el alcalde quien ha explicado, no obstante, que las cuestiones relacionadas con esta actividad en la calle están todavía a debate en el grupo de trabajo.

Multas 'exprés'

Otro aspecto novedoso de la nueva norma es la puesta en marcha de un procedimiento rápido de medidas cautelares para poder hacer efectivas las multas que se impongan por falta de civismo a quienes no residen en Barcelona, y "que hasta ahora se libraban de pagar".

La mendicidad agresiva, incluida la que realizan los limpiaparabrisas, podrá ser sancionada con multas de entre 120 y 1.500 euros, mientras que la compra y venta callejera ilegal supondrá multas de entre 125 a 500 euros tanto para los vendedores como para clientes, a la vez que prevé la posibilidad de que la Guardia Urbana pueda realizar decomisos del género.

La ordenanzas prohibirán el consumo de alcohol en la calle - menos en terrazas y determinas fiestas- y esta práctica se sancionará con multas de entre 30 y 1.500 euros, con la posibilidad de hacer responsables a los padres de los menores que incumplan esta norma.

Hacer las necesidades fisiológicas (orinar, defecar, escupir, vomitar u otras) en la vía pública, especialmente en las zonas más transitadas de la ciudad costará entre 300 y 1.500 euros, mientras que se pagarán de 120 a 3.000 euros por practicar algunos juegos (monopatines), hacer acrobacias o apuestas de azar (trileros) en el espacio público."

Parabéns Bor Land!!!

Terça-feira, Outubro 25, 2005
algumas das melhores novidades "folk-indie-e qualquer coisa à volta e fora de conotações fáceis" nacionais dos últimos anos foram apresentadas por esta editora, ouça-se o agradável exemplo de Old Jerusalem!

Bor Land

our hearts will beat as one

o novo álbum de david fonseca

decalques subtis de ryan adams, cópias descaradas para bajular Arcade Fire por um fã confesso, uma participação fantástica de uma abelha atómica, ok! nada mau!!!

david fonseca apresenta-nos o seu melhor trabalho, indiscutivelmente, apesar de uma faixa em português que poderia ser mais feliz!

para quem gostava de david fonseca aprecia-se uma evolução significativa, em termos de ambientes e de letras, liberto de alguns complexos que o pareciam acompanhar até aqui.

para quem não gosta, é uma boa oportunidade para ouvi-lo com mais atenção! trata-se de um álbum cuidado, com uma banda suporte que encaixa muito bem na série de canções que surgem ligadas entre si!

trata-se de um disco equilibrado, lado mainstream ou talvez não, pseudo-folk-indie-rock ou simplesmente um pop ornamentado, acaba por soar muito bem!

em palco (fnac colombo, dia 23), a actuação pareceu um pouco artificial, não-teatral mas forçada. david fonseca nunca será um animal de palco, apesar dos anos de estrada continua preso a truques como as referências epilépticas de ian curtis.

o Y atribui-lhe 6/10 enquanto o blitz felicitou-o com 9/10. as classificações não importam muito mas, quer para os que gostavam quer para os que não o suportavam, só posso dizer que vale a pena ouvir este álbum!

quanto ao cuidado gráfico o álbum e a página estão muito bem conseguidos mas as fotos da Rita Carmo deixam-nos sem palavras! (ver últimos dois números do Blitz ou o link)

(esperemos que a apresentação no dia 11 em sintra seja mais feliz que o show case da fnac do chiado)

Entrevista: Disco Digital

All Music

Segunda-feira, Outubro 24, 2005
Um site a explorar

biografia, discografia... de tudo o que possam imaginar!!!

obrigado pela sugestão

Sexta-feira, Outubro 14, 2005
a procura do primeiro emprego é tão frustrante...

desde Lewis Carroll

Quinta-feira, Outubro 13, 2005
da sensação de perda mediatizada até à solidão da busca obsessiva, da depressão e inércia materna ao empenho mecânico de um pai sustentado pelo sistema que inventa para fugir à insanidade.

uma lisboa de desencanto, cinzento-urbana e (des)mitificada, serve de cenário nublado a uma acção que cansa o espectador enquanto o cativa na incerteza de um desfecho aberto ou fechado, até à coincidência de um mesmo casaco azul, cabelo ondulado, face dócil e umas meias bejes que parecem adivinhar o final da dor.

o realizador decidiu-se pela acção fechada e isso magoa quem vê o filme, não porque não seja a melhor solução mas porque reforça a impotência do pai que finalmente desiste para não perder do que lhe resta e a esperança de um regresso a uma vida normal.

não há pudor em ferir, em perturbar, em mostrar a humanidade da perda, da solidão.

o quotidiano demente de um pai, interpretado por Nuno Lopes, e o desespero de uma mãe de olhos vazios, Beatriz Batarda, após o insucesso da investigação da Judite, desgasta-nos à medida que nos apercebemos que é impossível conceber a dor até esta nos tocar.

Alice estreou no cinema no dia 6 de Outubro.

rhythms&blues - 14 de Outubro - Santiago Alquimista

Duas das bandas que passam normalmente pelas Catacumbas do Bairro Alto tocam esta sexta no Santiago Alquimista - Dêsso Blues Band e Nobody's Bizness.

Alguém me quer fazer companhia???

Record Reviews

Pitchfork

Jacksonville City Nights

este tipo barbudo é um onanista musical, o seu prazer incontinente de escrever novas canções é óbvio dada a série de álbums editados e já previstos, como a homenagem a Hank Williams que sairá ainda durante 2005.

Jacksonville City Nights saiu há algumas semanas e não desiludiu ninguém, principalmente quem esperava a melancolia desmedidamente ficcionada porém íntima da veia mais country de Ryan.

a banda e os convidados levam Ryan ao colo e o single escolhido é fantástico, "The Hardest Part", mas pode ser enganador pois não se assemelha ao registo das restantes faixas.

este álbum guarda ainda duas agradáveis surpresas, escutar Norah Jones em "Dear John" e relembrar Elvis na bonus track "Always on my mind".

"Always on my mind

Maybe I didn't love you
Quite as often as I could have
Maybe I didn't treat you
Quite as good as I should have
If I made you feel second best
Girl I'm sorry I was blind

You were always on my mind
You were always on my mind

Maybe I didn't hold you
All those lonely, lonely times
And I guess I never told you
I'm so happy that you're mine
Little things I should have said and done
I just never took the time

You were always on my mind
You were always on my mind

Tell me, tell me that your
Sweet love hasn't died
And give me
Give me one more chance
To keep you satisfied
satisfied

Little things I should have
Said and done"
I just never took the time

You were always on my mind
You were always on my mind
You were always on my mind..."

Para uma crítica mais imparcial ver: Jacksonville City Nights

http://www.ryan-adams.com/
http://www.ryanadamsonline.com/

Ao Vivo!!!

Quinta-feira, Outubro 06, 2005
Novidades dos Clã!!!

Santiago Alquimista, dia 13 de Outubro!!!

(só não percebo porque é o Sérgio Godinho não entra! para mim o Afinidades foi bom mas soube a pouco :)

(site dos Clã)

Sufjan Stevens

Segunda-feira, Outubro 03, 2005
Constantemente a passar no Coiote da Antena 3 será impossível resistir a Sufjan Stevens, que se propõe a dedicar um álbum a cada um dos estados norte-americanos!

Depois de Michingan e Seven Swans, Illinois(e) (de 2005) é um álbum para ouvir vezes sem conta.

"Chicago

I fell in love again
all things go, all things go
drove to Chicago
all things know, all things know
we sold our clothes to the state
I don't mind, I don't mind
I made a lot of mistakes
in my mind, in my mind

you came to take us
all things go, all things go
to recreate us
all things grow, all things grow
we had our mindset
all things know, all things know
you had to find it all things go, all things go

I drove to New York
in the van, with my friend
we slept in parking lots
I don't mind, I don't mind
I was in love with the place
in my mind, in my mind
I made a lot of mistakes
in my mind, in my mind

you came to take us
all things go, all things
go to recreate us
all things grow, all things grow
we had our mindset
all things know, all things know
you had to find it
all things go, all things go

if I was crying
in the van, with my friend
it was for freedom
from myself and from the land
I made a lot of mistakes
I made a lot of mistakes
I made a lot of mistakes
I made a lot of mistakes

you came to take us
all things go, all things go
to recreate us
all things grow, all things grow
we had our mindset
all things know, all things know
you had to find it
all things go, all things go

you came to take us
all things go, all things go
to recreate us
all things grow, all things grow
we had our mindset
(I made a lot of mistakes)
all things know, all things know
(I made a lot of mistakes)
you had to find it
(I made a lot of mistakes)
all things go, all things go
(I made a lot of mistakes)"

Críticas

quando é que o novo álbum do Ryan Adams está disponível em Portugal???

Sábado, Outubro 01, 2005

A não perder...

Quarta-feira, Setembro 28, 2005
Amanhã, quinta-feira, dia 29

Nobody's Bizness

no Catacumbas (Bairro Alto)

Se puderem passem por lá um pouco antes das onze.

(a propósito do Bairro Alto, adoro o café baunilhado do novo Wild Deamers ou Bar dos Loucos e Sonhadores perto da Ler Devagar)

tachos para ex-ministros lançam as barbaridades da silly season

Quarta-feira, Agosto 03, 2005
Caixa Geral de Depósitos - A Quinta dos Tachos (Varas de Porcos à mistura)
Ver notícia

A Million Prizes: The Anthology

Sábado, Julho 30, 2005
Não resisti a comprar este álbum duplo, apesar não gostar muito de adquirir colectâneas do género, mas a selecção das músicas é fantástica e ao adorar o trabalho de Mr. Iggy "Iron Belly" esta é uma forma de aceder facilmente a todos os momentos da sua discografia, desde os míticos Stooges. Ouvir os dois discos, durante horas a fio, foi também, de outro modo, uma reconciliação comigo próprio dado que não consegui assistir ao concerto no último Super Bock.

O álbum oferece-nos alguns dos temas mais enérgicos e viciantes interpretados por Iggy como Search and Destroy, Raw Power, Real Wild Child (Wild One), China Girl ou The Passenger. No entanto, penso que o booklet poderia ser bem melhor.

Deixo aqui as faixas escolhidas para este A Million Prizes.

Disc: 1
1. 1969 - The Stooges
2. No Fun - The Stooges
3. I Wanna Be Your Dog - The Stooges
4. Down On The Street - The Stooges
5. I Got A Right! - Iggy And The Stooges
6. Gimme Some Skin - Iggy And The Stooges
7. I'm Sick of You - Iggy And The Stooges
8. Search and Destroy - Iggy And The Stooges
9. Gimme Danger - Iggy And The Stooges
10. Raw Power - Iggy And The Stooges
11. Kill City - Iggy Pop & James Williamson
12. Nightclubbing - Iggy Pop
13. Funtime - Iggy Pop
14. China Girl - Iggy Pop
15. Sister Midnight - Iggy Pop
16. Tonight - Iggy Pop 17. Success - Iggy Pop
18. Lust For Life - Iggy Pop
19. The Passenger - Iggy Pop

Disc: 2
1. Some Weird Sin - Iggy Pop
2. I'm Bored - Iggy Pop
3. I Need More - Iggy Pop
4. Pleasure - Iggy Pop
5. Run Like A Villain - Iggy Pop
6. Cry For Love - Iggy Pop
7. Real Wild Child (Wild One) - Iggy Pop
8. Cold Metal - Iggy Pop
9. Home - Iggy Pop
10. Candy (w/ Kate Pierson) - Iggy Pop
11. Well Did You Evah! - Iggy Pop w/Debbie Harry
12. Wild America - Iggy Pop
13. TV Eye (live 1993-previously unreleased) - Iggy Pop
14. Loose (live 1993-previously unreleased) - Iggy Pop
15. Look Away - Iggy Pop
16. Corruption - Iggy Pop
17. I Felt The Luxury - Iggy Pop
18. Mask - Iggy Pop
19. Skull Ring - Iggy Pop

(já agora, a Valentim de Carvalho está a vender a um preço mais baixo que a FNAC :)

ascetas profanos (ou violadores suicidas)

Quinta-feira, Julho 28, 2005
além das reacções fundamentalistas, ao processo de globalização e à difusão de valores e hábitos ocidentais, que induziram violentos ataques terroristas injustificáveis, não consigo compreender como podem existir correntes religiosas que sustentam ataques suicidas cuja acção é baseada não num processo ascético mas numa Ideia de "Bem" reflectida na violação de cerca de 70 hipotéticas virgens.

Sudoeste

Segunda-feira, Julho 25, 2005

quem é que teve a ideia de colocar

Humanos e Josh Rouse

à mesma hora???

Coyote

A melhor hora do (meu) dia!!!

Das 22h às 23h na Antena 3!

Uivos lunares e doses (por vezes duplas) de muito boa música!!!

(Pedro Costa é um dos poucos radialistas que felizmente dá a conhecer Ryan Adams ou Old Jerusalem)

Estado de Sítio

estes últimos dias constituíram uma provocação à boa vontade de qualquer cidadão.

um governo desgovernado sugere medidas para apoiar investimentos que claramente induzirão apenas mais encargos estatais.
e enquanto a engorda prossegue, estado-porco que caminha para a matança de outubro, viciada pelo lobbie das construtoras, cujos títulos continuam a valorizar-se, e pela ansiedade própria dos ciclos eleitorais que se aproximam, o cidadão, que até vislumbrava alguma luz com a oportunidade de Bruxelas dada até 2008, pode agora entender nas quatro tentativas de demissão do anterior ministro das Finanças que os sacrifícios impostos só apertam o cinto do próprio Zé Povinho, dado que o Estado alarga o fato enquanto dispõe de um Presidente da República servil.

Luís Campos e Cunha talvez tenha cometido alguns erros (IVA...) mas tentava conduzir o governo com políticas credíveis, a desautorização a que foi constantemente sujeito e o facto de não ser subserviente a uma máquina partidária sedenta de elefantes brancos conduziram-no à porta de saída. Temos então mais uma vara de ministros inconsequente com um líder demasiado ocupado a agradar a interesses vários mas ainda assim suficientemente diversos dos do país que o elegeu para substituir o playboy das pulseiras.

Sócrates tinha a possibilidade de trilhar o caminho certo mas declinou o convite do bom senso. A sujeição a gastos em projectos megalómanos cujos estudos, a existirem, não demonstrarão a sua viabilidade a médio prazo relembra-nos o investimento em estádios que hoje se apresentam tão úteis como a plataforma de Sines. Luís Campos e Cunha é um economista acreditado, doutorou-se em Columbia e é elogiado por vários dos seus professores, entre prémios Nobel da Economia e políticos como Cavaco Silva, mas talvez Lino e Ca. estejam certos acerca do que é mais propício para a economia portuguesa, talvez eu tenha uma perspectiva descabida e caia na ingenuidade da tecnocracia.

quanto a mim só serei feliz quando a demissão de um ministro das finanças não for tão alarmante como hoje, sonho com um Estado regulador que represente apenas um quarto do bolo (e não mais de metade do mesmo)!!!

no plano das candidaturas presidenciais adivinha-se que ao actual PR domesticado o partido de Sócrates proponha como sucessor um socialista-de-gaveta senil. compreendo o desespero dos rosáceos dado haver a possibilidade de pela primeira vez, desde o fim da ditatura, a Presidência fugir para a direita mas apostar em Soares? Mário Soares desempenhou um papel crucial na transicção democrática, alavancou desde o início a derrota do Partido Comunista e apunhalou o socialismo, desde então tornou-se um peso-pesado da política, um psicopata social em busca de alimento para o ego que bateu sempre no tecto de qualquer instituição por onde passou, inútil como tantos outros.

com 81 anos e depois de tantas provas dadas de incompetência e futilidades parece-me inacreditável reeditar o bochechas a montar mais tartarugas. no entanto, entre poetas nostálgicos de uma boa esfrega com os fascisóides e vira-casacas reputados é difícil encontrar quem consiga um bom resultado em 2006 além do balofo ornado de marfim e diamantes. (esta doeu!)

e a acreditar que tal como Carlos Brito ou Jerónimo de Sousa o candidato do PCP, seja ele qual for, desertará à beira do sufrágio (perdendo mais pontos para o BE) até se pode sustentar um bom resultado na corrida a Belém para os Socialistas. de qualquer modo é admirável a capacidade de sacrifício do velho manipulador, ao liderar, depois das europeias de 97, mais uma candidatura da máquina de "Coelho, Lta.".

felizmente não acredito que uma cisão do país devido a uma esquerda una resulte numa vitória de Soares, creio que as pessoas estão conscientes de que não querem um Estado mais interveniente e despesista, não querem um palco político manipulado por um déspota de Belém, companheiro de Chavez ou dos amigos do Mensalão, não querem Soares por ser velho mas por estar ultrapassado. as suas ideias são mais velhas e fracas que os seus cabelos brancos.

Sábado, Julho 16, 2005
Alguém foi ver os Quinteto Tati à ZDB?

Better Off Without a Wife

Quinta-feira, Julho 14, 2005
"all my friends are married
every Tom and Dick and Harry
you must be strong
to go it alone
here's to the bachelors
and the bowery bums
and those who feel that they're the ones
who are better off without a wife

I like to sleep until the crack of noon
midnight howlin' at the moon
goin' out when I wanto, comin' home when I please
I don't have to ask permission
if I want to go out fishing
and I never have to ask for the keys

never been no Valentino
had a girl who lived in Reno
left me for a trumpet player
didn't get me down
he was wanted for assault
though he said it weren't his fault
well the coppers rode him rightout of town

I like to sleep until the crack of noon
midnight howlin' at the moon
goin' out when I wanto, comin' home when I please
I don't have to ask permission
if I want to go out fishing
and I never have to ask for the keys

selfish about my privacy
as long as I can be with me
we get along so well I can't believe
I love to chew the fat with folks
and listen to all your dirty jokes
I'm so thankful for these friends I do receive

I like to sleep until the crack of noon
midnight howlin' at the moon
goin' out when I wanto, comin' home when I please
I don't have to ask permission
if I want to go out fishing
and I never have to ask for the keys"

Tom Waits

( e o melhor é a introdução à música mas só ouvindo o Nighthawks at the Diner)

Nobody's Bizness, Catacumbas, 7 de Julho

uma voz quente, saciada pelo tinto alentejano, enquanto eu, um dos poucos que não havia encontrado uma cadeira, entre duas Guiness e uns amendoins, ficava extasiado com o talento de Petra na pequena sala do Catacumbas.

a sua embriagada simpatia era irresistível!!!

foi um dos concertos que mais gostei de ouvir até hoje, descontraído, caseiro, com a harmónica do dono do bar a espreitar de vez em quando.

há imenso tempo que os queria ouvir, tenho pena que só voltem em Setembro.

ficam aqui as palavras da vocalista:

"O último da temporada.

Faz-se História a cada mês, a cada semana e a cada nova visita à casa que, temos quase a certeza, destronará o Museu de Arte Antiga, o dos Coches e o do Brinquedo, tudo ao mesmo tempo, o Catacumbas Jazz Bar.

Com a ajuda de uma historiadora amiga, a quem pagamos em géneros o trabalho de pesquisa, temos a revelação que vai colocar o Catacumbas nas rotas arqueológicas mundiais! Recentes escavações arqueológicas (fruto de um cano de água roto, godbless Epal) puseram a descoberto um túnel que liga o actual Hospital de S. José (antigo Colégio de Santo Antão) ao Catacumbas Jazz Bar, trazendo uma nova luz sobre as artes a que o jesuítas se dedicavam. Provas irrefutáveis mostram que um grupo de dissidentes percorria otúnel entre o Colégio de Santo Antão (representação máxima daabnegação jesuíta) e o Catacumbas, para aí se entregar de corpo e alma à práctica de ritos johnsonianos (que é como quem diz, tocar umas valentes bluesadas, cortesia dos manos Gama, Paulinho e Vasco, inventores do bottleneck numa das suas viagens à Índia). Descobriu-se também que a estes infortunados jesuítas foi proibida a dedicação à sua música sagrada, os blues (alguém andou a espalhar que era música do demónio, as más-línguas acordam cedo na História de Portugal), passando os coitados a dedicar-se exclusivamente à caridade e aos ministérios sacerdotais.

A História conta-nos agora, sob uma perspectiva completamentediferente, como D. João lll chamou a si o jesuíta johnosoniano mais conhecido da Europa, Francisco Xavier, e o encarregou de ir para aÍndia com a dura missão de converter e educar os hereges que se dedicavam ao hip hop. E é a bravura dos nossos antepassados e das recentes descobertas que celebramos já amanhã, no Mosteiro do costume - o Catacumbas Jazz bar,Travessa Água da Flor n.º 43, se alguém for parar ao S. José não será por falta de aviso- dia 7 de Julho, pelas 23h16.

Quem nós somos e o que nós fazemos, só a História confirmará, mas para já:

Petra - canta e é descendente directa de São Francisco Xavier, levou os blues à Índia, Indonésia, Japão e a um bocadinho da China (três chineses juram que ouviram tudo)

Catman - hoje canta e toca harmónica (e piano quando tem as mãos desocupadas), mas já andou pelo Brasil. É também conhecido por Manuel da Nóbrega e diz que fez muito pelo País

Luís Ferreira - guitarras, primo em terceiro e quarto grau de José de Anchieta, tipo que andou pelo Brasil com o Manuel da Nóbrega a fazer não se sabe bem o quê

Pedro Ferreira - guitarras, coros, é na verdade João Nunes Barreto e apesar dos efeitos terapêuticos dos blues, nunca se recompôs da missão fracassada na Etiópia

Luís Oliveira - baixo, coros, chamamo-lo carinhosamente Andrés de Oviedo, também fracassou na Etiópia e hoje em dia ensina Física, matemática, direito, astronomia e arquitectura. Podia ser bem pior.

Agora corram a passar isto aos vossos contactos porque a Nobody's Bizness só volta lá para o final de Setembro e sabemos que vão sentir a nossa falta. E agradeçam à historiadora Bessa o trabalho de pesquisa, tragam-lhe garrafas de gin e água tónica, obrigado."

Livro Aberto

há umas semanas atrás Francisco José Viegas ofereceu-nos duas entrevistas fantásticas.

uma com os elementos do Gato Fedorento (Tiago Dores, Miguel Góis, Ricardo Araújo Pereira e Zé Diogo Quintela) - e é caso para dizer que o humor são mesmo "cócegas de inteligência" - na apresentação do livro do blog. os tipos são mesmo fenomenais! ( mas é impressão minha ou a esquerda de direita e a direita de esquerda do Inimigo Público terminaram?)

e a outra com a Rititi... ****-se, esta Mulher é demais!!!! mais um livro-blog!!! que toda a gente anda a ler por aí!!! fiquei apaixonado pelo seu à vontade, pelo seu modo de pensar, pela crítica aos nossos provincianismos!!! esta Mulher tem mesmo sangue na guelra!!! faltam mais mulheres assim em portugal, despudoradas e bonitas!

é pena a emissão ser tão tardia! (e o blog não ser actualizado!)

Ain't Nobody's Business

"There is nothing I can do
Nothing I can say
That folks don't criticize me
But I'm gonna do
Just what I want to anyway
Don't care if they all despise me

If I go to church on Sunday
And I honkytonk all day Monday
Ain't nobody's business if I do

And if I should get a feeling
I wanna dance upon the ceiling
Ain't nobody's business, oh it ain't nobody's business if I do

If I stay out all night
Spend all my money, well that's all right
It ain't nobody's business if I do

You try to tell me I got no right to sing the blues
What gives you the right to tell me what I should do?
It ain't nobody's, ain't nobody's business if I do

Well it ain't nobody's business
It ain't no it ain't nobody's business
You know it ain't nobody's businessain't nobody's business what I do
Whoa what I do
You know it ain't nobody's business
ain't nobody's business if I do."

Segunda-feira, Julho 04, 2005
tenho saudades de não ter responsabilidades.

saudades de não ter: casa para arrumar, loiça para lavar, comida para fazer, que trabalhar das 9 às 5, que estudar para os exames de setembro.

estou farto. queria aproveitar as férias. ter tempo para estar com os amigos e com a Inês.

231 discos - Para um percurso pela Música Urbana em Portugal (edição gratuita da FNAC)

Terça-feira, Junho 28, 2005
Saí da loja sem gastar dinheiro, não são raras as vezes que vagueio pela loja do Chiado e acabo por não comprar nada, dado que o orçamento não estica (estou com vontade de comprar a edição especial do Dirty há quase seis meses... talvez no início de Julho), mas desta vez trouxe algo de que gostei bastante, grátis.

Esta é uma iniciativa em formato de livro, interessante e, dentro da dimensão proposta, completa e equilibrada.

Haverá discos que veneramos e outros que nunca vamos querer ouvir mas o objectivo não foi editar uma selecção dos melhores trabalhos lançados desde a década de 60 até hoje, pura e simplesmente, a intenção, cumprida, era reunir informação (álbum, autor, ano e editora) dos discos nacionais mais representativos de cada género.

E aí está, gratuita, aberta a críticas e sugestões e lançando um repto à reunião de originais já difíceis de encontrar numa "estrutura acessível".

Pela minha parte, como cliente assíduo, agradeço!

Fica a nota introdutória dos autores:

"Quando a Fnac nos propôs a escolha de 250 discos que considerámos relevantes para desenhar um percurso pela música portuguesa do último quarto do século XX, a primeira preocupação foi estabelecer critérios de selecção. Queríamos que esta lista representasse os músicos ou grupos cuja carreira foi (e é) relevante para a música em Portugal; que representasse os diferentes estilos da música urbana; que representasse os discos que, por si mesmos, justificassem a inclusão. Cada um de nós fez uma lista. Os discos que as três listas referissem seriam imediatamente incluídos... Eram 16.

Os outros discutimos um a um. Alguns saíram da lista e com eles levaram outros, e o mesmo aconteceu em sentido inverso. Um dia antes de terminar os textos, ainda nos lembrámos de mais três discos... No fundo como qualquer lista, esta é marcada pela biografia de quem escolhe... no fundo, o único critério. Não escolhemos necessariamente os melhores... não saberíamos fazê-lo. Mas observando a música em Portugal nos últimos 40 anos, lembrámo-nos de sugerir estes. Faltam muitos, estão discos a mais... bom... isso já sabemos, mas como todas as listas, é composta de sugestões. Uma proposta de percurso onde uns irão puxar outros e, às tantas, o próprio leitor irá trazer a sua própria bagagem, as suas próprias memórias, fazer as suas próprias descobertas.

Esta lista é só um convite à viagem.
Teremos muito prazer em que o aceitem!"

Henrique Amaro - Divulgador e radialista
Jorge Mourinha - Jornalista
Pedro Félix - Antropólogo

Assinalo com contentamento a inclusão de (apesar de alguns serem bastante óbvios):

Por este Rio Acima, Fausto
Terra Firme, Trovante
Só, Jorge Palma
Muller no Hotel Hessischer Hof, Mão Morta
Lupa, Sérgio Godinho
Os Monstro Precisa de Amigos, Ornatos Violeta
April, Old Jerusalem
Exílio, Quinteto Tati
Rosa Carne, Clã
Humanos, Humanos

Hoje passei na KingSize (Rua da Madalena) e encontrei o GOLD do Ryan Adams em edição especial com um CD bónus de 4 faixas.

Ouvi dizer que ao estar prestes a mudar de morada baixasse os preços, mas não notei nada disso.

Só já tinha dez euros no bolso e o rapaz atrás do balcão não quis fazer o desconto. Espero que seja muito feliz na sua vida! :( Por mim continuo fiel à Carbono.

Summer Solstice

Sábado, Junho 25, 2005
The Smashing Pumpkins' Return Ad ou então: http://www.billycorgan.com/news050621.html

(Vídeo disponível)

Smashing Pumpkins sem D'Arcy nem Iha? Ou será que eles aceitam o convite.

Para quem gosta de Old Jerusalem:

Quinta-feira, Junho 23, 2005
O Blitz desta semana edita uma foto do Francisco Silva (da Rita Carmo) e uma crítica ao concerto da Galeria ZDB (de que tanto aqui falei).

Para além disso, o Blitz anuncia, numa das primeiras páginas, que o mesmo Old Jerusalem actuará no dia 24 de Julho no Festival Tejo.

Vemo-nos por lá!

Meadowlake Street

Terça-feira, Junho 21, 2005


"There's something about you
That reminds me of all those times
When I wasn't sorry, when I wasn't blue
The cherry moon it shone down on us
Under the stars shining down every one for you
If I could count them all
I would circle the moon
And count 'em back to nothing
Till I got to you

Something in you dies, when it's over
Everybody cries sometimes
If loving you's a dream
That's not worth having
Then why do I dream of you?

I used to be the house that you lived in
Down on Meadowlake Street
When you moved they cut down the maple tree
I carved your name into
The tree became a boat, I christened it your name
And when the water turned to salt
From your tears it hit the bottom of the ocean
Where I go when I hear your name
And I sink like a stone

Something in you dies, when it's over
Everybody cries sometimes
If loving you's a dream
That's not worth having
Then why do I dream of you?
Why do I dream of you
I feel like a dream that's not having
Like a nervous joke ain't nobody laughing
Like somebody with nothing 'cause they don't know
What they're wanting
Tiny like the sand in the cracks of drift wood
Washed up on the shore of an ocean of you
Boats out on the horizon
Made of the maple tree where we used to lie down
On Meadowlake Street counting the stars you and I
You and I
Something in you dies when it's over
Everybody cries sometimes
If loving you's a dream that's not worth having
Then why do I dream of you
Why do I dream of you
Why"

Ryan Adams, Cold Roses, CD 1, track 3

Ease the pain

Spider's bite and sharp knives

you're not here today and it seems to me that i'm just too quiet to care, too steady to breathe. you're not here and it seems to me that i've a spider wandering over my body, tasting my bruised flesh. you're not here and it seems to me that if you knew i missed you so you wouldn´t stay away today (but maybe i'm just wrong, i'm just a corpse filling its chore). you're not here and it seems to me that i didn't had the time to kiss all things about you.

love, come over tomorrow.
it's june so bring your warm soul and your joyful heart, 'cause it's just too cold when you're away and my veins aren't keen about my knives.

Casey Brennan

Jours Heureux

Segunda-feira, Junho 20, 2005


"La Courbe de tes yeux

La courbe de tes yeux fait le tour de mon coeur,
Un rond de danse et de douceur,
Auréole du temps, berceau nocturne et sûr,
Et si je ne sais plus tout ce que j'ai vécu
C'est que tes yeux ne m'ont pas toujours vu.
Feuilles de jour et mousse de rosée,
Roseaux du vent, sourires parfumés,
Ailes couvrant le monde de lumière,
Bateaux chargés du ciel et de la mer,
Chasseurs des bruits et sources des couleurs,
Parfums éclos d'une couvée d'aurores
Qui gît toujours sur la paille des astres,
Comme le jour dépend de l'innocence
Le monde entier dépend de tes yeux purs
Et tout mon sang coule dans leurs regards."

Paul Éluard

entre Oct. 1924 et aout 1926

Ce poème provient du recueil intitulé "Capitale de la douleur "

.

Sexta-feira, Junho 17, 2005
recordar jeff buckley

queixume

Terça-feira, Junho 14, 2005
o meu pequeno mundo desaba na frustração do insucesso, um qualquer teste irrelevante leva-me a sentir-me culpado apesar do esforço dos últimos dias. a falta de preparação conduz-me a um lamento estúpido de tristeza assolapada.

parece que não vou ser muito produtivo durante as próximas semanas aqui no blog, até porque não tenho acesso à web em casa, dado que este é o pior semestre de sempre, com uma segunda época que me causa dores de cabeça.

neste momento tudo se resume a três preocupações demasiado independentes para facilitar o estudo, qualquer susceptível colinearidade é pura ilusão.

Econometria+Macroeconomia+Finanças = enterrar a cabeça na heteroescedasticidade da melancolia agregada que incrementa o meu desespero :)

volto a escrever com mais assiduidade em julho... boa sorte para quem está em exames e muita inveja de quem já não tem esse tipo de obrigações!

Old Jerusalem (no passado dia 10/06)

Domingo, Junho 12, 2005
na sua vinda a lisboa, Old Jerusalem surpreendeu o aquário (bem composto) da ZDB com temas recentes, alguns deles não foram sequer incluídos no seu último trabalho. e como os Complicado nunca mais surgiam foi mesmo Old Jerusalem a abrir a noite com janela virada para os traseuntes da rua da atalaia.

fiquei espantado com a sua humildade e simpatia (ao incomodá-lo para me assinar o April e o Twice the Humbling Sun - consegui falar com ele antes do espectáculo com a sala ainda vazia - curiosamente saía das colunas uma música de Elliot Smith que nenhum de nós reconheceu) e fascinado por uma actuação tão nua.

Old Jerusalem apresenta-se num formato de 3 pistas, nada teatral apesar da profundidade das letras, num estado puro e com uma qualidade de escrita rara em Portugal. estamos perante alguém que gosta realmente do que faz.

quanto ao concerto/show case propriamente dito, um exemplo de uma das novas canções ouvidas foi "twice the humbling sun" (que não entrou no álbum por motivos "pouco prosaicos" segundo o próprio, dado que estava rouco no dia da gravação do tema :)

old jerusalem, visitou, para além de novos temas, "seasons", "one, i should know you" ou "earlier the lake today" e mais alguns ( não tenho a certeza se "the cry of a new birth" ou "a reasonable way of thinking things" foram tocadas e não me recordo se foram apresentadas outras faixas do álbum Twice the Humbling Sun ).

houve ainda tempo para uma cover (supostamente de erma thomas, o público também não soube confirmar) cujo nome não fixei e ofereceu-nos vários momentos de riso graças aos precalços de afinação ou devido à sede saciada pela garrafa de água de alguém desconhecido.

(agradeço se alguém que esteve no concerto quiser dar uma set list mais fiel!)

terminou com o hilariante e lascivo "loving cows" (ou "loving a cow"?), também inédito.

(reconheciam-se na audiência alguns rostos, como uma fotógrafa de que todos já ouvimos falar ou a vocalista dos Nobody's Buziness (que actuam assiduamente no Catacumbas)).

foi bom ouvir Old Jerusalem ao vivo, principalmente escutar...

"...there's so many things now i feel i should know better
one, i should know you, and two, get to know me
three, knowing wich one is wich
four, find the wisdom to say "fuck it" or "keep it"
five, keep the things that i need..."

Perdão da dívida



Optimismo cauteloso.

Francisco Silva

Quinta-feira, Junho 09, 2005

"o joy of seeing you

o joy of seeing you
i was exausted this week all the way to its end
remorse is such a tired enduring feeling

something weaves through your smoke
and your fingers they crook
as a thought leads you to talk

"o joy of seeing you" - you say
"what's been on your mind?"

saying fog is to overstate
the vapor that calls day's early hours
and awakes the living embers of thought

we're cursed through memory
and bliss would be a line
where one could rest on one's laurels..."

(twice the humbling sun - old jerusalem)

notícia

O Concerto de Billy Corgan

Segunda-feira, Junho 06, 2005
É sempre bom voltar a ouvir Billy Corgan ao vivo, tenho pena que fosse num espaço com cadeiras, até porque a sua aproximação aos registos de New Order levaram a que as pessoas sentissem realmente vontade de dançar, limitaram-se a poder aplaudir ao ritmo da percussão ao longo de todo o concerto, numa sala cheia de ouvintes que não suportavam estar sentados.

A faixa que um grupo trouxera com a frase "Welcome Home" ou a de outro "Saudade of U" (a lembrar o concerto de 98) não poderiam ser mais propícias. E o último post de Corgan no seu site depois dos dois concertos ibéricos ilustra que o próprio sente essa empatia do público.

Discordo da crítica do Disco Digital, reconheço que a minha condição de fã, quase doentio, me impossibilita de vislumbrar tudo o que é relativo a Corgan de uma forma não enevoada, de não ter uma perspectiva de um crente que nimba o seu ídolo. De qualquer modo penso que a apreciação do jornalista é injusta e redutora.

Billy Corgan não mostra neste novo álbum ou naquela actuação da Aula Magna a aura genial própria dos Smashing Pumpkins mas penso que foi perceptível a melhoria em relação a Zwan no Coliseu. E mesmo este novo álbum do qual se conhecem apenas 5 faixas na web, as outras só poderão conhecer aqueles que viveram a noite da passada quarta-feira na reitoria da UL, não se limita a copiar o legado dos New Order só pelo facto do som ser moderno e dançável.

Corgan evoluiu por um caminho talvez inesperado para aqueles que como eu veneram Gish ou Siamese Dream. Mas Machina e Machina II adivinhavam algo próximo do que ele nos apresenta hoje. E era expectável que Billy se tentasse afastar do timbre característico do grupo que liderou, e que foi em tempos um dos que mais vendeu por todo o globo (Mellon Collie continua a ser o álbum duplo mais vendido de sempre). Os que lá estiveram vibraram com dois brevíssimos acordes de Today e isso mostra que nunca irão esquecer os Pumpkins, Billy Corgan convive bem com o fantasma do passado mas quer provar algo diferente, sem a ajuda de Iha e companheiros.

Admiro o talento de Billy e julgo, talvez não tenha razão, que aqueles que reconhecem a sua genialidade se deixam tocar pelo seu trabalho actual (até porque o valor dos seus colegas de palco é inquestionável). No entanto não posso deixar de cair no lugar comum de que se devem aceitar opiniões diversas.

Cold Roses

Após uma longa espera vicio-me agora neste cd duplo (género dusk 'til dawn e twilight to starlight).

Pelo meio dos exames é no fundo a única coisa que me dá alento para não cortar os pulsos com palitos de la reine :)

Magnolia Mountain, When Will You Come Back Home?, How Do You Keep Love Alive, Easy Plateau ou Life Is Beautiful fazem os meus dias mais curtos e mais leves enquanto estudo hora após hora na famigerada secretária do meu quarto (o que até é bom devido à minha época de exames desastrosa).

Este álbum guarda tudo o que os anteriores tinham de melhor e apresenta-nos os lados mais tristes e mais coloridos de Ryan, entre momentos folk e desilusões blue, como o amarelo e azul do booklet...

As pausas de estudo servem-se brevemente entre a frequência 91.6 (para ouvir um pouco de Joy, Buckley , Violent Femmes ou Sonic) ou a leitura fugaz de Na Terra dos Sonhos (prenda de anos da Dias Felizes).

Bem, não vos chateio mais com as minhas frustrações de Finanças ou Econometria mas para quem ainda não o fez, o importante mesmo é ouvir Cold Roses!

"altas-luzes" e C.ª

Rita Carmo ( e ao vivo).

Studying Corporate Finance

Domingo, Junho 05, 2005
How boring can be my 22th birthday?

Who's gonna be at Billy Corgan's concert tonight?

Quarta-feira, Junho 01, 2005
ME!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

ZDB a dar cartas...


Concerto de Old Jerusalem no dia 10 de Junho, na Galeria Zé dos Bois (Bairro Alto)

Três sugestões em português

Terça-feira, Maio 31, 2005


margarida pinto, apontamento (fernando pessoa na voz de um anjo?)


jorge cruz, sede (fui ouvi-lo num show case na Fnac do Chiado e achei que a sua simplicidade é genial!)


donna maria, tudo é para sempre (com pena minha não consegui ir ao Santiago Alquimista!)

E se a Holanda diz que não? E se o défice permanece elevado? E se isto vai de mal a pior?



Pois é, os franceses cumpriram mesmo a promessa de uma resposta negativa, fazendo rolar cabeças no governo gaulês e colocando os dirigentes europeus, os mercados secundários e o próprio € de cabeça à roda. E ainda têm a prepotência de dizer que não se sentirão marginalizados pelos outros Estados-membros nesta questão. Acreditamos na decisão democrática dos cidadãos europeus mas não podemos acreditar numa campanha a favor do NÃO baseada em falácias, em premissas totalmente descabidas sobre ameaças de dilatação da taxa de desemprego e agravamento dos problemas sociais devido à revisão da legislação de trabalho. Para as máquinas partidárias a favor da rejeição do documento é preferível perseguir o caminho fácil, o da ilusão, comprometendo a construção de uma união efectiva. Em França, a demagogia saiu à rua, e quem ficou a ganhar foram os representantes das facções extremistas, quer da esquerda quer da direita.

Reinvindicando as incongruências entre o seu património liberal e o conservadorismo europeu, os holandeses defendem, na sua maioria, que é impossível coadunar a sua lei com uma "constituição" que supostamente possa por em causa alguns direitos adquiridos, geralmente não previstos pelos congéneres europeus. Na minha humilde opinião, penso que não há razão para tal preocupação, é possível dentro do documento proposto respeitar as liberdades idiossincráticas previstas na legislação holandesa. No entanto, esperemos pela respota dos Países Baixos.

Tenho algumas dúvidas acerca do efeito destas votações sobre os referendos a realizar nos Estados-membros que ainda não sufragaram a proposta, poderão ser eventualmente muito perversos mas também podemos aguardar surpresas.

No que concerne a este rectângulo de terra do sudoeste europeu que o mar não quis tragar, tomam-se medidas que sinceramente me deixam perplexo. Se por um lado se aplica a borracha a alguns direitos da função pública acabando com as desigualdades em desfavor do regime geral e se tomam medidas justas, apesar de populistas, como a anulação das subvenções vitalícias; surgem por outro, medidas sintomáticas da não aplicação da meritocracia social, de facto quem efectivamente cumpre as suas obrigações fiscais será mais uma vez sobrecarregado, quer através dos aumentos dos impostos indirectos quer com a criação de novos escalões do IRS para contribuintes que entregarão ao erário público cerca de 60% do que auferem.
Para além de tudo isto, as promessas eleitorais cumpridas são as mais desavindas, as relativas às portagens que os anteriores executivos também não resolveram. Não posso deixar de mostrar alguma preocupação com a bisbilhotice a que serão sujeitas as declarações fiscais de cada um, há que defender o fim do sigilo bancário e não divulgar publicamente o que apenas deveria interessar ao Estado, com a ignóbil desculpa de que cada indivíduo ou empresa também tem a vantagem de verificar a idoneidade de cada um e a sua capacidade de solvência.

Se por um lado acredito na competência do actual ministro das Finanças, reconhecendo o seu empenho e valor técnico, receio que as medidas sejam de certo modo inconsequentes, que a demagogia assolapada atire as finanças autárquicas ainda mais ao fundo, e que a vingança eleitoral dos impostos surja não apenas sobre o partido do governo mas também sobre um documento, que a ser votado em simultâneo conforme a revisão extraordinária que se discute agora no parlamento, espelha para o Zé Povinho as imposições de um Pacto que nos desterra para maiores dificuldades devido a obsessões com as finanças públicas, o povo ainda não percebeu que no défice reside um problema por si só e que não se reduz ao incumprimento ou ao corte dos fundos, que não é apenas algo imposto por directivas europeias. O Estado está gordo e como todas as pessoas consequentes dizem à boca cheia, urge cortar na despesa e não apenas aumentar a receita, se a adaptação se fará necessariamente de forma pouco célere, aproveite-se para dar a volta ao texto e acabar com o sorvedouro da eficácia e eficiência privada para sustentar uma máquina social que não funciona e que não consegue combater a evasão fiscal, que induz às compras em terras de Espanha e que não consegue suscitar o crescimento económico em areais de Portugal (que se tornam cada vez mais movediças).

As reformas estruturais não se revelam com a força necessária, temo que muitas das medidas não sejam efectivas apesar da boa vontade aparente do executivo, o receio de um mau resultado nas autáquicas e o desejo de "Estado Social" poderoso do PS adia a coragem de um pulso forte sobre o aparelho burocrático. Enquanto os executivos exercerem políticas de circunstância a inércia continuará a caracterizar o nosso desempenho. As alterações na função pública parecem apontar o caminho certo mas não bastam para que se dê a este governo o benefício da dúvida. É necessário emagrecer o Estado e instalar a desejada meritocracia em todos os planos, há que premiar o desempenho das melhores unidades de investigação, das melhores faculdades, dos melhores funcionários e do cidadão que cumpre as suas obrigações fiscais, considerar a mesma bitola para quem corre arduamente e para quem trilha a via mais cómoda só pode conduzir a que continuemos a desperdiçar os verdes anos de uma democracia que no longo prazo teve um bom desempenho mas que na última década abrandou o passo e não mostra sinais de recuperação.

The Dreamers

Segunda-feira, Maio 30, 2005


Vi pela primeira vez, há uns dias atrás, um filme de Bernardo Bertolucci, de 2003, que me deixou boquiaberto, The Dreamers.

Apaixonei-me pela marca ténue no ombro de cada irmão, pelo amor sinceramente incestuoso entre eles, pela nudez de Eva Green, pela lascividade do trio, pelo retrato mordaz da impotência dos pais de ambos, pela crítica social presente, pelos clichés da época, pela lucidez do jovem americano, pela homenagem ao cinema e pela simplicidade com que Bertolucci trata o Maio de 68.

Nota: Paulo, fico à espera de um comentário a este filme!

Desesperado

Domingo, Maio 29, 2005


O Cold Roses continua indisponível na FNAC! Que raiva!!! Porque é que eu não encomendei logo o álbum!

E não quero ouvir sermões daqueles que já o sacaram da net!

(a propósito o Billy Corgan bem que podia enviar mais umas faixas para a net e o pessoal fazia uns downloads antes do concerto!)

Parabéns SLB!!! Parabéns Campeão!!!

Segunda-feira, Maio 23, 2005


Não consigo encerrar tanta alegria! :)

Quando vi o Benfica sagrar-se campeão, na época de 1993/94, faltavam poucos dias para cumprir o meu décimo primeiro aniversário, onze anos depois tenho outra vez esta alegria imensa!

Tenho saudades do Rui Costa, do Veloso, do Vítor Paneira, do Abel Xavier, do Mozer, do Neno, do Schwarz (o meu jogador preferido), do Isaías, do João Pinto de outrora e de tantos outros... mas hoje, vendo o Simão e companhia, é difícil não gostar também destes novos campeões, da sua simpatia, da sua humildade e do seu esforço até aos últimos minutos!

Ontem à noite o país saiu à rua, de cara pintada, com a camisola vestida, o cachecol e a bandeira nas mãos! A esquecer facilmente o sorriso sacana pelo empate da Briosa e a façanha do Nacional!

Quando festa acalmou já "a noite roía as unhas à madrugada"!

Foi incrível ver o Marquês ou os Restauradores inundados de encarnado ou de vermelho, como queiram, e chegar a casa, ligar a televisão e ver imagens da festa no país inteiro e em todos os cantos onde vivem comunidades portuguesas!!!

Ver a Catedral em festa arrancou sorrisos e lágrimas em todo o mundo!

Pela alegria que supera o défice e envergonha a classe política, ou até a igreja, obrigado Benfica, obrigado por te mostrares glorioso de novo!

Vivamos felizes e contentes pelo menos por um dia!

(mal consigo esperar pela camisola com o brasão nacional!!!)

Fica ainda aqui um blog grande!

Txikiteo

Domingo, Maio 15, 2005


Txikiteo, foi um restaurante basco que eu e o Test Tube adorámos (ele até se apaixonou lá por uma rapariga, bem gira! :)

Enquanto escrevia a fita de finalista para o Test Tube quis combinar um reencontro nesse restaurante em Barcelona, mas não me lembrava como se escrevia... daí este post...

Quando estiverem em Barcelona passem por lá, fica em conta e tem um ambiente muito acolhedor, a comida é excelente e o atendimento é fantástico!

Dirección: Josep Anselm Clavé, 7.
Zona: Ciutat Vella/Barri Gòtic
Metro: Drassanes.
Tfn: 93 412 41 57.
Tipo de cocina: Vasca.
Especialidad: Bacalao a la Vizcaina.
Descripción: El Txikiteo es una típica y auténtica taberna vasca en la que podrás disfrutar de la gastronomía de la región en un ambiente acogedor y rústico. Las especialidades de la casa son el bacalao al pil-pil, el sukalki de ternera o la ensalada txikiteo; pero además, sirven tapas, cazuelitas y montaditos deliciosos que se acompañan de vinos de la casa, riojas y sidra natural. Ofrecen menús de mediodía y especiales para cenas en grupo.
Dias de cierre: Martes.
Abierto Domingo:Si.

Já agora, um bom sítio para ir depois...El Bosc de les Fades
"Passatge de la Banca, localizado al lado del Museo de Cera, este tranquilo bar con motivos de fantasía te hace sentir como si hubieras entrado en el mundo del Señor de los Anillos."

Maiúsculas




Maiúsculas

não o conheço mas ouço falar do seu quotidiano através da sua prima, a Teresa, uma das minhas melhores amigas, daquelas que conhecemos há muito e a quem podemos sussurrar tudo.

agora, que finalmente me deste o endereço do blog dele dou-me conta de que moras com alguém que brilha muito, tal como tu!

(private ones: Teresa, obrigado pela fita (muito especial :) e com muito humor! vindo de ti de que outra forma poderia ser?) e pelo endereço do blog)

novo álbum - nova webpage

Ryan Adams

E ninguém pára o Benfica! E ninguém pára o Benfica! E ninguém pára o Benfica!



Falta pouco!

Agora só desejo boa sorte ao Sporting para quarta-feira!!!

Por enquanto e apesar da goleada sofrida nesta jornada, vou torcer pelos Estudantes!

Força Académica!!!

American Club of Lisbon Award

Quinta-feira, Maio 12, 2005
ANNUAL AMERICAN CLUB AWARD

The American Club Award of 2005 aims to support individuals working on projects to enhance Luso-American ties. This year the American Club Award Committee has targeted five major subject areas: journalism in all media, tourism development, agriculture, oenology, non-litigious dispute resolution methods, and new technologies.

Competition for this award, in the amount of 3,000 US dollars, is open to Portuguese citizens between the ages of 20-35, who must have completed a minimum of two years undergraduate studies.The award is to be used for travel and lodging expenses within the United States for a 2-4 week visit, and also includes round trip tickets between Portugal and the United States courtesy of Continental Airlines.

Requirements:

Applicants must submit a one-page proposal with a specific description of the project, accompanied by a one-page Curriculum Vitae, both in English either by mail or by e-mail with the word "Award" in the subject line.
All applications received exceeding this 2-page limit will be immediately disqualified.
Applications will be accepted only until midnight on May 12, 2005.
Award must be used between September 10 and November 10, 2005, subject to availability.
Interviews will be conducted in English during the last week in May. Applicants must be fluent in both spoken and written English.

Para mais informações contacta:
The American Club of Lisbon
Sheraton Lisboa Hotel & Towers Rua Latino Coelho, 11069-025
LisboaTel: 213 529 308Fax: 213 529 309
E-mail: americanclub@mail.telepac.pt
Site oficial: www.americancluboflisbon.com

Keeping the Faith

Quarta-feira, Maio 11, 2005
Revi há uns dias uma comédia romântica, hiper-maxi comercial mas doce.

Talvez já tenham visto, trata-se de um triângulo amoroso, no mínimo improvável: "A story about two friends, a priest and a rabbi, who fall in love with the same beauty".

E surpresa das surpresas... ouve-se "Pitseleh" de Elliott Smith (do álbum XO e que é para mim a sua melhor canção) ou "Please Call Me Baby" de Tom Waits.

(Notas: Também a soundtrack do "Good Will Hunting" inclui registos de Elliott, entre eles: Angeles, Say Yes, No Name #3 ou Miss Misery. E em "The Royal Tenenbaums" surge a "Needle in the hay".)

Festival - Where's the Love

Segunda-feira, Maio 09, 2005
A Galeria Zé dos Bois continua a dar murros no estômago do espaços mais convencionais!

A partir da próxima Quinta (dia 12 de Maio) decorrerá o festival "Where's the Love" (destaque para Gang Gang Dance).

Encontramo-nos por lá?

in a groovy kind a way

Sexta-feira, Maio 06, 2005
Há uns dias atrás comprei o Compilation do Andy White, novo, por 3.99€, numa loja do Estádio do Benfica :)

Nem gosto muito de comprar este tipo de "best of" mas como não conhecia nada dele e o preço era convidativo...

Era um nome familiar, já o tinha lido algures e fiquei curioso. Só não esperava era ficar viciado "in a groovy kind a way"

saudades de Pandora

Quarta-feira, Maio 04, 2005
curiosamente uma amiga minha encontrou por acaso o meu mail na blogosfera (peço-lhe desculpa por transcrever algumas frases...)

"tropecei em ti. estava na net e tropecei no teu mail."

e diz-me aquelas coisas que gostamos de ler ou ouvir ainda mais quando temos saudades de alguém.

sorrio com os lábios rasgados, é uma das pessoas mais bonitas que encontrei. já não está por lisboa ou portalegre e eu nem sabia..."estou a fazer um estágio em Paris"

conheci-a graças ao grupo de Teatro da S. Lourenço (que nos deu tanto!!!) e despede-se recordando algumas das primeiras palavras trocadas... "amanhã vou ver huis clos de sartre. lembraste de termos falado nesse livro?"

tenho saudades do grupo, da montagem, da teia e das cortinas, do Professor Carlos, da prof. joaquina e do prof. pacheco, da joana, de todos os que pisaram palco na Gaia, dos que estiveram antes e depois de nós, dos amigos que ficaram para a vida! tenho saudades de ti!

brilha muito!!!

Adeus ataraxia!

Terça-feira, Maio 03, 2005


O post 322 deixou-me realmente feliz!

Para a Inês (Dias Felizes)



"Into my Arms

I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms

Into my arms, O Lord, into my arms
Into my arms, O Lord, into my arms
Into my arms, O Lord, into my arms
Into my arms, O Lord, into my arms
Into my arms, O Lord, into my arms
Into my arms, O Lord, into my arms

And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms

Into my arms, O Lord, into my arms
Into my arms, O Lord, into my arms

But I believe in Love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you
So keep your candles burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore

Into my arms, O Lord, into my arms
Into my arms, O Lord, into my arms
Into my arms, O Lord, into my arms"

my favorite from Nick Cave

Villa del Arte



desde Fevereiro que queria colocar este link.

eu e o Test Tube adorámos esta galeria (estivemos na da vila Olímpica), espero que gostem!

Bor Land

Segunda-feira, Maio 02, 2005


A Bor Land é uma pequena editora nacional que nos tem prendado com algumas surpresas agradáveis.

Falei há alguns posts atrás do Francisco Silva (Old Jerusalem) mas nesta editora encontramos ainda outros nomes já familiares, como Alla Pollaca ou The Unplayable Sofa Guitar (que tem tido algum destaque ultimamente).

Uma das grandes vantagens são os preços de venda na cdgo ou a possibilidade de subscrição anual.

A webpage está bem conseguida e convida a subscrever a mailing list.

Quando posso comprar os bilhetes?



Billy Corgan vem a Lisboa no próximo dia 1 de Junho!!!

Será a apresentação de "The Future Embrace", o seu primeiro trabalho a solo, com o baterista do costume!

É o reencontro com os portugueses depois de um concerto morno com os Zwan no Coliseu.

Entretanto ficamos à espera de ouvir o novo trabalho, até porque, para mim, faltou genialidade a "Mary Star of the Sea"!

No entanto penso que Corgan está muito menos perturbado, o que não será necessariamente mau presságio mas talvez o afaste de produzir outro "Siamese Dream".

Constellation Records

Sábado, Abril 30, 2005


Um amigo meu está completamente viciado nesta editora de Montreal (penso que já tem todos os discos editados pela Constellation :).

Quanto a mim, estou ainda a ouvir algumas faixas pela primeira vez, mas gostei do que ouvi. Aqui e ali vislumbra-se algo próximo de Sigur Rós.

Agrada-me o facto de se combater o label Indie colado a toda a música editada fora do seio das grandes editoras. Há que defender as idiossincrasias de cada grupo, de cada intérprete, nada do que é hoje tratado como indie ou folk se pode reduzir a esses mesmos rótulos. A música editada fora do mundo das grandes editoras, fora da "Universal & Enemies of Modern Music", é considerada por esta editora num plano diferente, questionando a compartimentação difundida ao longo dos anos.

Não se critica aqui a música das grandes e médias editoras discográficas, estas promovem álbuns apenas com o intuito de atingir o maior público possível mas isso não significa que não apresentem trabalhos de qualidade inquestionável. Critica-se apenas a valoração imediata e a distribuição por gavetas a que a maior parte dos artistas está sujeito.

No entanto após o detestável, mas necessário, processo de pesquisa auditiva dos álbuns da Constellation, através do download gratuito de algumas faixas, aconselho vivamente a compra directa à editora.

Deixo aqui o texto de introdução do site da editora, um manifesto.

Words from them

"Constellation began releasing experimental rock music in Montreal in 1997, seeking to enact a mode of cultural production that critiques the worst tendencies of the music industry, artistic commodification, and perhaps in some tiny way, the world at large. We have attempted to evolve one possible model for the recovery of an independent music ethic, hoping to summon some real sense of indie rock in spite of its reduction to a branded slogan through corporate co-optation, its laissez-faire attitude towards the market and the means of production, and all the facile irony that helps pave the path for these content-negating trends.
Together with the musicians who release records on the label, we have worked to rekindle a critical rock music cognisant of geography and social conditions; to reflect these concerns both musically and practically by building self-sufficient local structures for performing, recording and releasing work; to hold fast to the beautiful promise of independent rock as a perpetually nascent musical form capable of uncertain, unstable, unassimilable, untarnished transmissions.

This is our 'post-rock' -- a term that must be construed politically in equal measure to its referencing of some diffuse 'instrumental' or 'deconstructed' musical aesthetic. 'Indie rock' was never a genre and its bastardisation as an aesthetic category was one of countless elegant corporate-intellectual coups during the 1990s. Sadly, all too many hipper-than-now taste-makers were happily complicit, ready to replace 'indie' with 'post' and thus help extinguish any abiding concern about the economies that ground and contextualise rock music. So fuck post-rock, and the smooth untroubled consumption it enables. Independent rock as a utopic analogue for social organisation is our mandate.

The world has not changed. Evil cowards rule the world and terror prevails on all sides. We go on mucking about with instruments and cardboard and test pressings and distribution deals in ways that we hope will avoid or at least minimise corruption of the work, all the while knowing our freedom to do so is soaked in the blood of innocents. Music means very very little in all of this, but if it can somehow speak to THIS, we humanise ourselves a little along the way."

O último de Vasco Gato

Quinta-feira, Abril 28, 2005
A Prisão e Paixão de Egon Schiele

Depois de Um Mover de Mão (2000) e Imo (2003), Vasco Gato editou, em Fevereiro de 2005, A Prisão e Paixão de Egon Schiele .

Infelizmente apenas tive conhecimento desta edição hoje. Espero conseguir lê-lo em breve!

Assírio & Alvim



Decorre de 4 a 30 de Abril a Feira do Livro Manuseado da Assírio & Alvim.

Trata-se de mais uma oportunidade a não perder (até porque a editora tem alguns dos melhores títulos mas pratica alguns dos piores preços! Mesmo na Feira do Livro de Lisboa os descontos são tão reduzidos que mais vale comprá-los na F***)

Apesar da proximidade do final do evento, encontra-se ainda uma oferta alargada e com livros em bom estado, apesar do uso ou de alguns defeitos, quase imperceptíveis.

As moradas e contactos em Lisboa (a Feira também decorre na Inbicta) são os seguintes:

Entre a Estefânia e a Almirante Reis
Rua Passos Manuel, 67-B, 1150-258 Lisboa
Tel.: 21 358 3030; Fax: 21 358 3039

Edifício Cinemas King
Av. Frei Miguel Contreiras, 52-E, 1700-213 Lisboa
Tel.: 21 847 9992; Fax: 21 840 2259

Peço-vos um favor! Se encontrarem algum exemplar d'O Medo de Al Berto não o comprem :)

Boas compras!

American Express

Segunda-feira, Abril 25, 2005


Um post d'O Mundo Original leva-me a dizer algo sobre...

José Mourinho, um homem à frente do seu tempo!

Apesar de ser um "pouco" pedante temos que reconhecer o seu valor! Quer pela sua inteligência quer pelo seu método!

No entanto, continuo a pensar que caso o Benfica tivesse assegurado o salário que exigia na altura, José Mourinho nunca teria sido tão bem sucedido ou pelo menos de forma tão célere.

Caro Mister, agradeça então ao Glorioso ter sido dispensado!

(:

Waiting for the Sirens' Call



NO

1. Alguém viu o videoclip de Krafty?

2. Alguém não tem bilhete para dia 28?

3. Alguém se lembra qual foi o artista convidado para a faixa de 3 de Get Ready?

4. Alguém gostava que Ian Curtis ressuscitasse?

5. Alguém se lembra do vídeo de Cristal?

6. Alguém está viciado na Manchester de 2005?

7. Alguém viu o 24 Hour Party People sozinho?

8. Alguém não convidava a Ana Matronic?

9. Alguém tem exame depois do concerto?

10. Alguém como eu?

Rufus Wainwright

E afinal não pude ir ao concerto! Que m****!

Leiam também o post de Dias úteis

Quem toca amanhã no Coliseu?

Sábado, Abril 23, 2005
:)

O ano mais feliz

Sexta-feira, Abril 22, 2005
Dia 22 de Abril de 2005.

Cumpre-se hoje o primeiro aniversário do dia mais feliz da minha vida! Foi um ano repleto de lágrimas e gargalhadas, de amuos e beijos doces, de dúvidas e lamechice.

É bom ter-te tão perto, perder as minhas mãos nos teus cabelos, ver o sorriso das tuas janelas estelares, escutar a tua voz quando desafinas, provar a tua pele, morder os teus lábios.

É bom saber que mesmo quando não concordas comigo estás ao meu lado.

Sabe bem sentir que quando adormeces tens alguém que também pensa em ti. Sabe bem ver as tuas fotos. Sabe bem partilhar tudo.

Sabe bem gostar de ti, todos os dias. Porque contigo, todos os dias, mesmo os mais difíceis, são sempre felizes.

Um livro a comprar por menos de 3€

Sexta-feira, Abril 15, 2005
Li este livro há uns anos atrás e, admito, fiquei com uma inveja enorme de não ter sido eu a escrevê-lo. É relativamente difícil encontrá-lo mas ainda existem alguns exemplares na loja da Caminho. Deixo-vos aqui um pequeno diálogo do texto que me induziu a procurar um dos livros mais inteligentes que descobri até hoje, com aforismos que fazem cócegas à massa cinzenta.

"...qualquer coisa diferente. Uma estética curiosamente depressiva, cinzenta, quase pop.
- Pois é – assentiu o Alberto.
– Faz-nos lembrar certos lugares e certas pessoas, não achas?
- Exactamente como o António Ferro.
- O António Ferro?
- Sim.Ele parecia genuinamente espantado. Experimentei uma certa satisfação. Enfim, uma coisa, um livro que ele não lera, sobre o qual não possuía ainda qualquer opinião definitiva.
- O do Orfeu? O do Salazar? – insistiu ele.
- Sim. Ou melhor, um livro dele, chamado Teoria da Indiferença, onde se fala de lábios verdes e dourados, e de poentes artificiais, e de roupas que são as fotografias do corpo. Isso não te recorda nada? Um certo bairro de Lisboa à noite, talvez?"

in pp. 34 de "Os Dias Felizes", de Luís Rodrigues (Caminho)

A Quadratura do Círculo

Uma leitura no final do decénio

“A tarefa que incumbe ao Primeiro Mundo no próximo e no futuro decénio consiste em conseguir a quadratura do círculo entre criação de riqueza, coesão e liberdade política. A quadratura do círculo é impossível; mas pode haver uma aproximação, e um projecto realista de promoção de bem-estar social não pode, provavelmente, ter objectivos mais ambiciosos.”

Ralf Dahrendorf
(in A Quadratura do Círculo. Bem-estar Económico, Coesão Social, Liberdade Política. Lisboa: Edições 70, 1996)

No seu livro “After 1989: Morals, Revolution and Civil Society”[1] Lord Ralf Dahrendorf reúne uma série de ensaios no âmbito das Ciências Sociais e da Política onde se espelha a sua vivência particular de momentos marcantes do século passado, como a vitória dos Aliados sobre o Nazismo e o colapso do Comunismo em 1989.
Como João Carlos Espada [JCE] refere, no primeiro ensaio do seu livro – “As Revoluções devem Fracassar?” – Ralf Dahrendorf critica o utopismo revolucionário[2], defendendo a tradição anglo-americana das «revoluções relutantes» (1688 e 1776) opondo esta à Revolução Francesa (1789). JCE caracteriza ainda o «liberalismo especial» de Dahrendorf, “aberto à mudança mas respeitando a tradição; a favor da escolha individual mas contra o individualismo desbragado; firmemente do lado dos mercados livres e da propriedade privada mas oposto à destruição do «terceiro sector», que o autor encara como indispensável a uma sociedade civil forte”[3]. Espelho deste confronto de ideias e valores é o ensaio que aqui se cita, “Economic opportunity, civil society, and political liberty[4]”.
Ralf Dahrendorf é um daqueles pensadores que, como diria Sir Isaiah Berlin, podem desarmar “os conceitos filosóficos acalentados na tranquilidade do gabinete de um professor” que “podem destruir uma civilização”, e que “podem manejar este poder fatal”[5]. Além disso, se Sir Isaiah Berlin sugere a incapacidade dos governos e dos comités parlamentares para realizar esta tarefa, Dahrendorf talvez seja uma magnífica excepção dada a sua experiência governativa na Alemanha, no Reino Unido e como comissário europeu.

A Sociedade Civil segundo Ralf Dahrendorf
Ralf Dahrendorf afirma que o termo “sociedade civil” é mais sugestivo do que preciso mas que de qualquer modo, a noção de sociedade civil é bastante clara, entendo-se como “as associações em que vivemos a nossa vida, e que devem a própria existência mais às nossas necessidades e às nossas iniciativas do que ao Estado” (p. 29). E dá alguns exemplos, referindo que umas resultam de projectos profundamente meditados, outras são de breve duração (como um clube desportivo ou um partido político), por vezes têm séculos de história (como as Igrejas ou as Universidades) ou são simplesmente, os lugares de trabalho ou de convívio, as empresas, as comunidades locais; não esquecendo que também a família faz parte da sociedade civil. Dahrendorf caracteriza como «caos criativo» a rede de relações criada pelas diversas associações da sociedade civil, algo que nas palavras do autor é descrito como “uma realidade preciosa, não propriamente universal, que por seu turno é o produto de um longo processo de civilização, mas que se encontra muitas vezes exposta às ameaças representadas por governantes autoritários ou pelas forças da globalização.” (p. 30).
JCE descreve a “sociedade civil” de Dahrendorf através da definição do seu “traço característico” que “é a associação que fornece o necessário elemento de coesão na sociedade civil.” Referindo ainda que as “associações da sociedade civil interagem no mercado (no domínio económico) e no público (no domínio político). As sociedades civis estabelecem as estruturas profundas ou, como Dahrendorf as denomina, as ligaduras, que constituem a âncora para a constituição da liberdade. Para Edmund Burke, elas constituem «o contrato primevo da sociedade eterna.»”[6]

A Quadratura do Círculo
Em defesa do Primeiro Mundo. O caminho que conjuga o desenvolvimento económico, a democracia política e a sociedade civil está preenchido de entraves e tentações, constata o autor. No seu ensaio, Dahrendorf, começa por mostrar como de alguma forma o “Primeiro Mundo” reunia, aparentemente, no seu melhor momento três aspectos positivos: economias no caminho do desenvolvimento e proporcionando oportunidades aos menos prósperos, coesão social[7] e liberdade política[8]. Dahrendorf aponta como exemplo mais pronunciado do Primeiro Mundo os Estados Unidos da América[9] “no arco de tempo que vai de Roosevelt a Kennedy, mas também, embora não na mesma medida, antes e depois.” (p. 10). Dentro do Primeiro Mundo inclui ainda alguns países da OCDE, especificando. No entanto, o Primeiro Mundo mesmo no seu apogeu apresenta imperfeições graves e visíveis, todos os seus membros excluíram outros dos benefícios das suas conquistas e até das suas oportunidades, segundo o autor. Mesmo a história dos EUA, impregnada de batalhas pela inclusão, travadas muitas vezes no seio das instituições, não permitiu que a sociedade americana se aproximasse da perfeição em termos de oportunidades económicas, de integração social e de participação política. Também nos outros países desenvolvidos ocorrem imperfeições, onde as assimetrias económicas “continuam a ser para muitos o sinal de uma promessa quimérica de cidadania”(p.11), com um passado de “lutas de classes” e um terrível factor de nivelamento social que envolveu toda a população, cada uma das Guerras Mundiais[10].
Dahrendorf esclarece ainda que a cidadania é incompatível com o privilégio. A desigualdade sistemática não se coaduna com a existência de uma sociedade civil, “enquanto houver indivíduos que não têm o direito de participação social e política, os direitos dos poucos que dele gozam não se poderão considerar legítimos” (p. 13). Considera aqui que se trata de um juízo moral, mas não só, apontando a intolerância da Suíça quanto à liberdade de movimento das pessoas. O autor diz-nos que o desenvolvimento é possível e aponta exemplos. Com uma perspectiva popperiana, e estranha a qualquer resíduo historicista de Hegel, considera que este processo é necessário, apesar das ameaças que contém[11], dado que os valores de uma sociedade civil exigem que o privilégio seja substituído por direitos generalizados, pelo menos direitos de cidadania para todos.
Segundo Karl Popper tudo flui, não existe estabilidade e isto sucede também com as premissas da prosperidade, da sociedade civil e da democracia. Dahrendorf aponta para uma situação em que os países mais desenvolvidos para garantir a manutenção da sua competitividade num mercado mundial em crescimento se inclinam a danificar a coesão das sociedades civis. A impreparação para escolhas dramáticas pode, segundo o autor, conduzir a restrições das liberdades civis e de participação política, preconizando um novo autoritarismo. Assim o que está em causa é a necessidade de nos aproximarmos de um projecto real de promoção do bem-estar, encetar um processo que coadune criação de riqueza, coesão social e liberdade política, de alguma forma aproximada, a quadratura do círculo é impossível. Neste momento apenas a OCDE e o Japão se podem mostrar realmente interessados em fazê-lo, enquanto entre as potências asiáticas, a ex-URSS e a América Latina quase todos os países procuram conjugar crescimento económico e coesão social, mas descurando a promoção de um Estado de Direito e a democracia política.

Dahrendorf apresenta no seu ensaio a sua interpretação do processo de globalização, e dos vínculos e escolhas que se relacionam com o mesmo. Num momento em que o crescimento económico é a principal preocupação dos governos da OCDE e os seus acessores, funcionários ou académicos, induzem a colocar a mesma no centro da política, mesmo que isso signifique enfraquecer os processos de inclusão social. O vínculo actual com a liberalização das actividades económicas, tomando certos pressupostos como correctos indubitavelmente, ignora e denigre os factores sociais segundo o autor, num mundo em que os efeitos da globalização se fazem sentir em todos os campos da vida social. Assim Darhendorf indaga acerca da origem e características da globalização, da eventual perda de significado de “nação”, da formação de blocos regionais associados às revoluções da tecnologia da informação e dos mercados financeiros. O autor descreve no fundo o desaparecimento das barreiras físicas convencionais nas mais diversas actividades, mas ao mesmo tempo conduz-nos ao que não é a globalização, salientando as idiossincrasias culturais das diversas potências económicas e a inexistência um cultura económica comum no seu seio, e ao modo como estas diferenças estão, supostamente, destinadas a desaparecer. No entanto “falta compreender em que medida terão um carácter nacional no futuro” dada a actual plausibilidade cultural das regiões que hoje se estão a formar.[12] Dahrendorf indica do que carecem os actores económicos para se adaptarem às mutações suscitadas pela globalização, flexibilidade, e como para esta eliminação da rigidez contribui a desregulação e a limitação das interferências governamentais.
No que concerne a escolhas, Dahrendorf lança o debate acerca de um modelo económico de baixos salários e alta especialização ou de uma economia com baixa pressão fiscal e baixa distribuição dos lucros. Variações sobre o tema fundamental da globalização e dos desafios de um mercado global do quais os actores económicos não se podem alhear, dependendo das suas escolhas a atenuação ou exagero de determinados efeitos.

Ralf Dahrendorf, expõe os efeitos[13] da globalização sobre a sociedade civil e clarifica o que se entende pela mesma. O autor associa este processo a novos tipos de exclusão social, afirmando que as disparidades económicas aumentaram. Se alguns consideram uma sociedade civil digna inviável com estas assimetrias Dahrendorf discorda, defendendo que num ambiente aberto em que há possibilidade de melhorar através do esforço as condições de bem-estar, as mesmas disparidades “podem ser fonte de esperança e impulso ao progresso” (p.30). O problema é que, considera o autor, os rendimentos dos mais desfavorecidos diminuiram em termos reais, ou seja as disparidades não se devem apenas ao crescimento dos rendimentos auferidos pela porção de população mais favorecida. A propósito, refere o caso dos “underclass” que não perspectivam usufruir das vantagens da cidadania, e cuja exclusão não se deve apenas a factores económicos mas também à discriminação racial, religiosa ou por outras razões.
O autor aborda a moda do eficientismo e a consequente alteração do número e variedade dos postos de trabalho, que afecta mesmo as faixas de população laboral geralmente alheias ao desemprego. Pronuncia-se também acerca de outras questões sociais inerentes à globalização económica, como a ambivalência da flexibilidade, que é também sinal de instabilidade e insegurança. Dahrendorf preocupa-se essencialmente com a destruição dos espaços públicos, e a decadência do valor do serviço associado, que resulta do triunfo do economicismo elevado ao plano da ideologia. O que sucede em termos económicos revela-se também no plano social, onde o individualismo singrou e não permite constituição de movimentos unificadores, transformando a sociedade civil, mas também os conflitos sociais. A falta de empenhamento social conduze a um sentimento de anomia, à decadência das regras e a uma profunda insegurança.

Ralf Dahrendorf apresenta a perda da liberdade, o surgimento do autoritarismo e a anulação da cidadania, no âmbito do enfraquecimento da confiança e da dificuldade em garantir o Estado de Direito numa época em que a fusão da competitividade global e da desintegração social não constitui condição favorável à constituição da mesma liberdade. Assim dá-nos o exemplo do que pensam os porta-vozes políticos asiáticos: “...a Ásia é capaz de competir seja com quem for nos mercados do mundo sem renunciar aos próprios valores. Centros urbanos degradados, subproletariado, droga e crime organizado são fenómenos de que a Àsia pode muito bem dispensar-se.” (p.40) O autor refere: “No seu seio a coesão social – há quem diga o confucionismo – permanecerá o fundamento moral da vida, e não só não interferirá com o crescimento económico, como o irá favorecer.” (p. 40-41) E nesta medida, o autoritarismo apresenta-se como resposta para afastar os “temidos valores do Ocidente”, conduzindo as margens da liberdade cívica ao mínimo.
Dahrendorf questiona então se as únicas alternativas para as sociedades modernas serão desenvolvimento económico na liberdade política, mas sem coesão social, ou desenvolvimento económico e coesão social privados da liberdade política. As experiências bem sucedidas de combinação de crescimento económico e autoritarismo político (como a Alemanha Imperial) provocam tentações fortes para países que alcançaram bons resultados económicos antes do amadurecimento das suas instituições civis e políticas democráticas, e para os que passam pela transição económica, seguirem também o caminho do autoritarismo.
Ralf Dahrendorf reflecte finalmente sobre uma questão essencial, relacionada com os sacrifícios na reforma do Estado-providência, “Sociedade civil e liberdade política seguem o desenvolvimento económico, admitindo que não o precedem. Mas será de facto assim?”

O autor assume que desejando a prosperidade para todos se aceitam as exigências postas pela competitividade nos mercados globais. Dahrendorf escreve: “Aspiramos a sociedades civis capazes de se manterem unidas e de constituirem o sólido fundamento de uma vida activa civil para todos os cidadãos. Auguramos o Estado de Direito e instituições políticas que permitam não só mudança, mas também a crítica e a exploração de horizontes novos.”(p.47) Mas, “os desafios da globalização exigem respostas que ameaçam a sociedade civil; a afirmação da autonomia inicia o retorno de tentações autoritárias que, para alguns, se tornaram mais fortes graças à sua percepção do modelo asiático.”(p.47)
O que fazer então para manter o equilíbrio civilizacional na busca pelo crescimento económico, coesão social e liberdade política? Tal como Popper, o autor deste ensaio coloca de lado qualquer solução globalizante. Quem pense deter uma solução total poderá efectivamente criar mais estragos do que resolver os problemas reais, isto implica também que as respostas praticáveis não podem abarcar toda a dimensão do problema.
Dahrendorf, inicia no final deste ensaio uma discussão de diversas propostas no âmbito da mudança da linguagem da economia pública; da alteração da natureza do trabalho; da inclusão dos mais desfavorecidos e o cortar das raízes de onde poderão nascer a gerações futuras dos “excluídos”; de percepcionar globalização como centralização, um processo que simultaneamente individualiza e centraliza – o autor conclui que se deve combater as pressões para a individualização e para a centralização através da valorização do poder das comunidades locais; de encarar o poder local como “um factor do mais vasto conceito de economia dos stakeholder”(p.51); do papel dos governos, mais propriamente acerca do financiamento e da organização dos serviços públicos. Ralf Dahrendorf refere ainda a necessidade de uma resposta geopolítica, debruçando-se no fundo sobre os valores asiáticos, os valores europeus, as instituições internacionais, e os blocos regionais; uma preocupação global que espelha a vastidão da tarefa por realizar.

Fechando a posta
O autor não preconiza uma teoria do terror ao contrário do que se possa pensar, simplesmente a globalização dos mercados não é a causa de todo o bem ou de todo o mal, trata-se de algo que influencia planos muito diversos. Na leitura do ensaio ganha relevo a dispersão dos problemas, enquanto determinadas regiões se debatem com dificuldades de carácter social, noutras a preocupação é a economia, enquanto noutras ainda o cerne da questão é a liberdade política. Refira-se ainda, à luz da diversidade dos blocos regionais e das pressões da massificação sobre a sociedade civil, que é fulcral que mais pessoas, como fez este ilustre pensador, alertem para os riscos da atracção pelos caminhos do autoritarismo ou das “soluções” óptimas.
A perspectiva sobre os direitos sociais e económicos a adoptar será a de que se trata de um abuso de linguagem associar "direito" à igualdade, por exemplo. Direitos são coisas que se podem reinvindicar e não se pode simplesmente exigir auferir rendimentos mais elevados. No entanto, e acho que se coaduna com o espírito de Ralf Dahrendorf, é correcto dizer que há condições económicas e sociais que têm de ser satisfeitas para tornar esses direitos reais para todos. Satisfazer essas condições é extremamente relevante, mas assume um carácter político, não se tratando portanto de direitos.
O autor defende que a noção de igualdade económica e social deve ser substituída pela de inclusão. Inclusão de todos no universo das oportunidades, como a “tarefa vasta” de uma política social que seja guiada pelo princípio da cidadania, e não pela concepção de igualdade ou distribuição. A tolerância de Dahrendorf revela-se na sua atitude de considerar essenciais os direitos civis e políticos, e a necessidade de estender os mesmos a toda a população. Há que ter consciência que estes direitos não serão “legítimos” a não ser que as pessoas detenham condições sociais e económicas que lhes permitam usufruir da cidadania. Mesmo não sendo um direito, é necessário poder melhorar as perspectivas de bem-estar através do esforço.
No ensaio salienta-se uma questão, existindo países que são significativamente mais desfavorecidos que outros, esses são confrontados com os mesmos entraves - como se podem criar as condições de uma prosperidade sustentável e ao mesmo tempo assegurar a inclusão da generalidade da população, com instituições livres, num Estado de Direito?
Ralf Dahrendorf mostra-nos que entre o Estado e a existência privada, encontra-se a sociedade civil como expressão de uma rede de forças culturais, religiosas, sociais e económicas, sobrepostas por laços mútuos e interligadas por diversos micro-poderes. Julgo ser muito relevante a actuação de comunidades, de dimensão e complexidade extraordinariamente variável, de âmbitos que vão desde o local ao transnacional, e cuja acção se apresenta entre a realização de potencialidades pessoais e a intervenção política.
Por último, refiro que as sociedades civis não são construídas a partir de uma tábua rasa, nem de um contrato social que substitui o estado de natureza. Originam-se na sobreposição de uma ordem de poderes à rede de entidades diversas que constituem o tecido social, e que permitem a coesão social, única forma de atenuar problemas de instabilidade, insegurança ou de anomia.

[1]Dahrendorf, Ralf, After 1989: Morals, Revolution and Civil Society, Londres e Nova Iorque: Macmillan/St. Anthony’s, 1997.
[2] Noutro ensaio, critica também o igualitarismo e o relativismo.
[3]ESPADA, João Carlos, Ensaios sobre a Liberdade, Cascais, Principia, 2002, p. 130.
[4] Estudo apresentado na Conferência UNRISD sobre o tema “Rethinking Social Development”, Copenhaga, 11-12 de Março de 1995.
[5] BERLIN, Isaiah, “Dois Conceitos de Liberdade”. In A Busca do Ideal – Uma Antologia de Ensaios, Lisboa, Editorial Bizâncio, 1998, p.244.
[6] Ibidem, p. 131.
[7] “…constava de sociedades que tinham realizado a passagem de estatuto ao contrato, de uma dependência inerte ao individualismo combativo, sem destruir as comunidades em que as pessoas viviam;” (p. 9).
[8] “…realizava programas políticos que combinavam o Estado de Direito com os riscos da participação política, com a alternância entre remoção e escolha de governos, que aprendemos a chamar “democracia””. (p. 9).
[9] “Dezenas de milhões de pessoas de todos os países do mundo sonharam viver na América e, a fim de o conseguir, muitíssimos homens esgotaram os seus recursos. A capacidade de exercitar uma força magnífica tão poderosa sobre fluxos migratórios é um indício fiável de bem-estar social.” (p. 10).
[10] Quanto a estas, o autor refere “as ameaças sérias à paz vêm de países empenhados na transição do velho ciclo de pobreza, dependência e falta de liberdade para as possibilidades de vida aqui descritas como características do Primeiro Mundo. Quando se apresentam oportunidades novas, mas as pessoas não conseguem ainda captá-las, quando o desenvolvimento económico conhece uma forte aceleração, mas o crescimento social e político sente dificuldade em descolar, amadurece uma mistura de frustração e de irresponsabilidade que alimenta a violência…” (p. 12).
[11] “…a explosão demográfica; os perigos de agressão militar agravados pela vasta difusão de armas letais ou até nucleares; o integrismo militante, a saber o “fundamentalismo” […]; o proteccionismo no confronto dos bens e das pessoas: estes e outros males são todos subprodutos possíveis e, também com demasiada frequência, reais das primeiras fases do desenvolvimento, destinados a acompanhar-nos no decurso das próximas gerações.” (p. 14).
[12] “Seja qual for a forma que tais estruturas emergentes tomarem no móvel caleidoscópio de uma economia mundial ainda mais cristalizada, continua válido o pressuposto fundamental de que as reacções à globalização serão diversas, não obstante o facto de que o mercado global exige a todos as mesmas qualidades positivas. Mais, não fossem essas diferenças a questão levantada neste ensaio perderia significado. Fazer a quadratura do círculo entre crescimento económico, sociedade civil e liberdade política é, sem dúvida, uma tarefa universal, mas seria deslocado pensar que todos perseguem semelhante objectivo, ou também só procuram alcançá-lo, nestes termos. Para os que se empenham nessa direcção, o ponto consiste em poder acercar-se de tal objectivo sem se perder no mercado global.” (p.23)
[13] “Os efeitos sociais das respostas económicas aos desafios da globalização, tornaram-se objecto de atenção por parte do público e do mundo académico, especialmente nos Estados Unidos. E não se trata de um acaso. A América do Norte é a pátria da sociedade civil moderna, o lugar em que se advertem mais agudamente as ameaças à sua vitalidade. De súbito o mundo de Tocqueville, o mundo dos autores do Federalist parece prestes a ruir; o novo tema é o da desunião da América, juntamente com os do medo, da violência e das várias formas de fundamentalismo. O facto de semelhante situação não concernir exclusivamente à América é uma fraca consolação. O catálogo essencial das pressões sobre a sociedade civil alimenta-se tanto da experiência europeia como da americana e, pelo menos em parte, aplica-se também a outros países da OCDE“.(p.30)

O marasmo instala-se!

Terça-feira, Abril 12, 2005
Com um primeiro ministro sóbrio que cultiva o silêncio no executivo, a ana sousa dias a dominar libidinosamente o professor, um santana sem condições que admite Cavaco com condições, um animal político do aparelho laranja a liderar uma oposição consequente e o presidente da assembleia municipal de alter-do-chão a assumir finalmente o seu papel societário em Portugal com a 2ª moção mais votada, corremos o risco dos noticiários, a rádio, o Gato Fedorento ou o IP se resumirem a relatos de futebol e comentários acerca da Trash TV nacional!

Será que estamos no caminho certo?!

Viste o Sai-mo?

Projecto vidros que quebram pedras transparentes
Enquanto a noite me ontifica
Enquanto na imperceptibilidade das minhas veias
Observo a claridade dos teus olhos quentes
Transpirando a alma que não tenho e me glorifica
Tenuemente perdida em mentiras que me são alheias
Solta nas teias também tramadas por ti
Por ti ou por um espelho que me embevece
Me embriaga num silêncio sobejamente adocicado
Adocicado pelas letras alinhadas nas palavras disformes que li
Li no teu sorriso pintado com estrelas de prata que me entristece
Entristece, chove em mim, caem lágrimas etéreas de um paúl alado
E mesmo se o meu quarto me esmagasse haveria sempre lugar para uma gaveta vazia Taciturnamente esquecida para conter as minhas lágrimas de pó
Metamorfoseada numa borboleta castanha com manchas que não sabem voar
Não sei, não quero, não estou, não vou, não espero, não chorei. Magia
que nunca existiu, que nunca foi, que nunca esteve, que me deixou só
Por vezes penso ser Deus mas logo me recordo que não sei mentir nem quero matar
Só por não querer chorar, só por me usar, só por não esperar pela eternidade
A vida é breve demais, é bom não ter tempo para apagar cigarros nas mãos
A felicidade momentânea é extensamente monótona para mim
A utopia demasiado doce para apreciar sem vontade
Preciso de sisal, ou láudano, apenas alguns grãos
Apenas peço ao frio que me quebre de espasmos tacteados pelo fim
ópio perfumado de meias-mentiras adornadas em textos impregnados de religiosidade
Ah! Se soubessem como amo as pedras rasgadas da rua
Como se fossem os insectos apodrecidos que cinzelam as minhas janelas estelares
Ou os teus cabelos que murmuram segredos inefáveis com sabor a infinito
Expulsando ideais polidos pela sujidade de quem amua
Propagando uma melancolia intangível que inebria o desejo de te suicidares
E te faz sonhar com o vácuo de porosidade etérea contido num só grito

Para ti, Basquiat
(05.01.2001)

Last Days - o discípulo de burroughs no cinema

Segunda-feira, Abril 11, 2005
de Gus Van Sant

retirado da edição do Y (08.04.2005)

"É um dos filmes de que se fala para o Festival de Cannes: "Last Days", uma meditação sobre Kurt Cobain tal como Gus Van Sant o vê - um músico introspectivo e atormentado na hora da sua morte. A colagem ao líder dos Nirvana, que se suicidou em Abril de 1994, é explícita (basta ver as fotografias do filme...), mesmo que o protagonista de "Last Days" se chame Blake (é interpretado por Michael Pitt). Não se esperem conclusões sobre o suicídio de Cobain, "Last Days" anuncia-se como um filme na senda do anterior "Elephant" (que valeu a Van Sant a Palma de Ouro), elíptico e meditativo. E, tal como "Elephant" pretendia ser uma leitura alternativa aos media sobre o massacre no liceu de Columbine, "Last Days" não corresponde ao Cobain mediático. "Conheci-o [Kurt Cobain] um par de vezes, e ele tocou num concerto de beneficência em Portland [cidade de Van Sant]", explica o realizador à revista "Tokion". "Falei com ele uma vez ao telefone. À parte isso, não posso dizer que o conhecia bem. O filme não se baseia nas minhas percepções dele, porque essas percepções foram tão breves que são o mesmo ou menos informativas do que as da imprensa."

Kings of Convenience

Esta banda norueguesa tem vindo a afirmar-se através da produção de músicas algo despidas, numa quietude eminentemente acústica, mas com uma electricidade ténue, que por vezes nos faz nos faz lembrar os New Order.

A sua música dá uma atenção primacial às vozes dos intérpretes, encontrando-se talvez semelhanças com Simon & Garfunkel.

O álbum «Riot in an empty street» conduz-nos ao longo dos seus 45 minutos por canções quase sussurradas, com um registo pop em "I'd rather dance with you" apesar da classificação indie do grupo, e letras inteligentes. Foi considerado um dos melhores discos do ano de 2004 pela crítica internacional.

Indispensável para quem goste deste último é o disco que lhes valeu a classificação de revelação do ano em 2002 "Quiet is the new loud" (continuo apaixonado pelas faixas «The weight of my words» em «The girl from back then»)... os títulos de ambos os álbuns são ilustrativos da sua sonoridade.

A caminho do título?

Domingo, Abril 10, 2005
Grande parte dos meus amigos não é Benfiquista. Uns são Leoninos outros do FCP, uns adeptos dos azuis do Restelo, enquanto existem uns Sadinos e outros que preferem os Estudantes.

Entre amigos as preferências clubísticas (ou partidárias) pouco importam mas de qualquer das formas perdoem-me aderir a esta euforia desenfreada que os adeptos encarnados perfilam! Independentemente das piadas fantásticas do IP (apelando aos esforços do Ministério da Administração Interna e da Protecção Civil) acerca da alegria benfiquista é impossível não me entusiasmar com algo que nos foge há uma década e ainda com a possibilidade de alcançar a dobradinha!

No último jogo contra o Marítimo dei por mim, num Estádio apinhado, a sofrer até ao golo de Mantorras como se tratasse de um desafio de vida ou de morte, e hoje verei na televisão com alguma dificuldade o embate com um Rio Ave que ainda não perdeu em casa e que nos impôs um empate na 1ª ronda do campeonato (3-3 se não me falha a memória)!

De qualquer das formas o FCP perdeu ontem com o Boavista e dado que nas últimas jornadas o Glorioso joga precisamente contra os Leões e os Axadrezados tudo depende de nós!

Força Benfica!!!

Ryan Adams

Como terão percebido através do post dedicado aos suicidas da música (All my favorite ones had a suicidal will) e de lyrics transcritas no blog, sou completamente viciado em Ryan Adams. Escuto o Gold e o Demolition quase todos os dias, enquanto o resto da discografia fica adiada até aos fins-de-semana :)

Á genialidade de Ryan associa-se também uma vontade tremenda de produzir novos discos e é desse viciado em trabalho que vos queria falar um pouco. Primeiro sobre o seu último álbum e depois sobre as surpresas que se avizinham.

Love is Hell foi o último álbum lançado por Ryan Adams, ainda em 2004. (Surgiu na altura uma crítica fantástica no Y a propósito de Love Is Hell - Part I). Prefiro a edição do álbum completo tal como foi concebido pelo músico (reunindo os temas dos dois EPs quebrados e mal promovidos, inicialmente editados pela Lost Highway Records). Ryan surpreende-nos neste disco com a brilhante faixa "Please do not let me go", com a melancolia depressiva e bela de "My Blue Manhattan", a folk revivalista de "City rain, City streets", a balada folk "I see monsters" ou a folk à Bob Dylan de "English girls approximately". Próximo de Leonard Cohen em alguns registos, salienta-se também a sua premiada versão de "Wonderwall" dos irmãos Gallagher (Oasis) e a solidão doce de "Anybody wanna take me home".

Ryan é um dos artistas mais reconhecidos e talentosos dos States, com 5 discos editados a solo, facilmente audível na banda sonora de diversos filmes ou séries como "Orange County" ("Na terra dos Ricos") apresentada recentemente pela RTP1.

Editará este ano, a partir de Maio, três novos álbuns, um dos quais duplo. Segundo o Disco Digital, o músico revelou o alinhamento de «Cold Roses», que contou com o auxílio dos The Cardinals, a ser editado no próximo dia 3 de Maio. Além deste trabalho, Adams planeia editar «Jacksonville» e «29», ainda em 2005. (Os Cardinals são os guitarristas JP Bowersock e Cindy Cashdollar, a baixista Catherine Popper e o baterista Brad Pemberton.)

Alinhamento de «Cold Roses»:

Disco 1:
Magnolia Mountain
Sweet Illusions
Meadowlake Street
When Will You Come Back Home?
Beautiful Sorta
Now That You`re Gone
Cherry Lane
Mockingbirdsong
How Do You Keep Love Alive

Disco 2:
Easy Plateau
Let It Ride
Rosebud
Cold Roses
If I Am A Stranger
Dance All Night
Blossom
Life Is Beautiful
Friends

Fico ansiosamente à espera de um concerto em terras lusas de Ryan Adams enquanto penso nas dificuldades em arranjar fundos para ver Rufus (espero q os bilhetes n esgotem), comprar o Want Two, e os 3 cd's de Ryan!

(todas as lyrics em www.azlyrics.com/a/adamsr.html à excepção das do álbum Heartbreaker)

Ouvir português

Quinta-feira, Abril 07, 2005

Este post é dedicado aos ainda não ouviram e aos que continuam a ouvir aqueles que são para mim os melhores álbuns nacionais do ano passado.


Humanos
Camané, David Fonseca e Manuela Azevedo interpretam temas inéditos de António Variações, vinte anos depois da sua morte, com a produção de Nuno Rafael (director musical de Sérgio Godinho) e Hélder Gonçalves (dos Clã), num álbum que foi aclamado pela crítica como o melhor do ano de 2004 em Portugal, juntamente com o Cinema, do Rodrigo Leão.
De entre as doze canções apresentadas surgem pelos menos seis interpretações notáveis do legado de Variações acondicionado numa caixa de sapatos (43 cassetes de 60 minutos religiosamente guardadas nas instalações da EMI Valentim de Carvalho). "Mudar de Vida", "A Culpa é da Vontade" (ambas de Manuela Azevedo), "Maria Albertina", "Adeus que me vou embora" (ambas de Camané), "Já não sou quem era" (de David Fonseca) e o fantástico dueto "Rugas" (Manuela Azevedo e Camané) são exemplos da melhor música portuguesa já alguma vez produzida.


Bom dia
O grupo portuense Pluto - liderado pelos ex-Ornatos Violeta Manuel Cruz e Peixe - lançou em 2004 o seu primeiro álbum (curiosamente a apresentação foi realizada na Recepção ao Caloiro da Universidade Nova de Lisboa, organizada pela FAUNL).
O disco apresenta-se sem as teclas dos Ornatos e num registo ainda mais rock que "Cão" ou o "O Monstro precisa de Amigos" (que, só para fazer inveja, eu tenho autografado pelo Manel Cruz e pelo Peixe) . No entanto, é redutor comparar o novo grupo aos Ornatos Violeta, até porque os elementos não são os mesmos.
O resultado é um disco forte, com as letras de grande qualidade de Manuel Cruz, mas que parece não ter vingado em termos comerciais apesar da promoção do single "Só mais um começo" se ter arrastado por largos meses antes da edição do álbum em Outubro.


O Assobio da Cobra
O Assobio da Cobra - A banda sonora de um filme por fazer - álbum de Manuel Paulo, é um dos discos de 2004 que passou quase despercebido, apesar da qualidade da produção e dos artistas envolvidos no projecto, talvez devido à sua fraca promoção.
Conta com a colaboração de Rui Veloso, Manuela Azevedo, Manuel Cruz, Isabel Abreu, Filipa Pais, Camané, Zeca Baleiro, Sérgio Godinho, Jorge Palma, Tim, entre outros, ao longo de 13 faixas e 47 minutos da melhor música de expressão portuguesa.
Só para revelar um pouco mais deste tesouro escondido cito a faixa 9 "Só penso nisso" em que canta a actriz Isabel Abreu, interpretando um monólogo tipicamente masculino de um modo singularmente risonho, com uma voz imperdível.


Rosa Carne
O quarto álbum dos Clã é um disco cuidado, com a voz inconfundível de Manuela Azevedo a falar de mulheres, de amores imperfeitos, promessas não cumpridas, relações fugazes ou de alienação. Um disco para "pôr no "play" e deixar correr até ao fim" segundo a vocalista.
Feminino (lembremo-nos da frenética "Mulher da Vida" ou a grávida da faixa 8), violento e até libidinoso são adjectivos que lhe encaixam como uma luva. Longe de ser um disco comercial, contém no entanto uma musicalidade viciante ao longo das letras de Arnaldo Antunes, Sérgio Godinho, Carlos Tê ou Adolfo Luxúria Canibal, entre outros. Aqui e ali, encontram-se influências de Portishead ou PJ Harvey.
Destaque para o single "Competência para amar" ou para a silly song "Carrocel dos esquisitos" com uma letra que tange o imaginário de Tim Burton. Por tudo isto e muito mais, Rosa Carne é um disco completo e pensado ao pormenor, que funciona muito bem ao vivo - é provavelmente o melhor dos Clã.

op

a op disponível nas bancas ainda é a de Inverno mas de qualquer das formas para quem ainda não a comprou penso que vale a pena (são só 2€) até porque dedica a capa a Tom Waits.

para quem não conhece a publicação sugere-se a prática da leitura diagonal exaustiva, na Ler Devagar ou na loja de revistas do Alvaláxia por exemplo, muito praticada por aqueles cuja escassez de recursos é um hábito graças aos vícios incontornáveis (cinema. livros. cds. dvds...lol)

A não perder...

Terça-feira, Abril 05, 2005


De 1 a 15 de Abril decorre a Exposição Fotográfica «Não há longe nem distância» de Pedro Mota, na Livraria Ler Devagar (a livraria de fundos próxima do Príncipe Real, ali no início do Bairro Alto, que acolhe os leitores da melhor forma possível).

Passem por lá, as fotos são fantásticas e os comentários hilariantes! A exposição permite-nos visitar alguns locais que a generalidade das pessoas não conhecem!

A minha foto de eleição é uma das da Nova Zelândia mas existem fotos para todos os gostos!

Para quem não sabe onde fica (que vergonha!) aconselha-se uma visita à webpage!

Mais boas notícias!

Sexta-feira, Abril 01, 2005
Twice the Humbling Sun

Para quem não leu a crítica favorabilíssima do Y da semana passada ou a capa do último Blitz (que fotos!) talvez seja uma surpresa mas a verdade é que não se trata de uma mentira da ocasião - Francisco Silva aka Old Jerusalem lançou o sucessor de April! (até que enfim! estava à espera que saísse no final de 2004!)

A melhor notícia do ano!!!

"Billy Corgan edita disco a solo em Junho

O músico norte-americano Billy Corgan edita o seu disco a solo no próximo mês de Junho. «Walking Shade» constitui o primeiro single do álbum intitulado «TheFutureEmbrace». O disco conta com as colaborações de Robert Smith (The Cure) e Jimmy Chamberlain (Smashing Pumpkins).

O trabalho do músico conta com 11 temas sendo que um deles é uma versão a «To Love Somebody», dos Bee Gees, e conta com a colaboração de Robert Smith (The Cure).

Em declarações à Billboard, Corgan considerou que «muitas pessoas assumem que quando faço algo mais progressivo estou a tentar afastar-me de algo, quando na verdade o que quero é aproximar-me o mais possível do que realmente sou».

Segundo Corgan o novo disco retrata de várias formas bonitas «os seus sentimentos acerca da sua vida e o mundo ao meu redor». O músico acrescentou que «é fácil ser negativo, é muito mais difícil encontrar as linhas prateadas por detrás das nuvens da sociedade moderna», concluiu.

Para lá das sessões de gravação, Billy Corgan ainda escreveu um volume de poesia intitulado «Blinking With Fists».

O alinhamento do disco «The Future Embrace» é o seguinte:

«All Things Change»
«Mina Loy (M.O.H.)»
«TheCameraEye»
«To Love Somebody»
«A100»
«DIA»
«Now (And Then)»
«I`m Ready»
«Walking Shade»
«Sorrows (in blue)»
«Pretty, pretty Star»
«Strayz»"

Garden State

Quinta-feira, Março 31, 2005

Depois de ver o filme e de ouvir mais de mil vezes a ost... estou viciado no site!


(: vejam os storyboards :)

Clã (Aula Magna - 28/03)

É sempre bom voltar a ouvir Manuela Azevedo.

No entanto guardo para mim como melhores momentos o meu primeiro concerto (ainda com Ornatos, em Portalegre), Afinidades no Coliseu e o último (no Verão de 2004 em Portimão).

Num concerto em que Lustro continua a ser venerado e já perto do final, antes de um segundo encore para recordar Adolfo Luxúria Canibal ou mimar o público com o tão esperado Gentle, Tall and Intelligent, os Clã ofereceram mais uma reminiscência de Kazoo...


"Problema de Expressão

Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Para ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto."

(Letra_Carlos Tê)

Carbono

Terça-feira, Março 22, 2005

O novo espaço é muito mais agradável que o antigo no CC Portugália da Almirante Reis mas os preços muitas das vezes continuam a não compensar as ofertas convidativas da fnac...

No entanto é sempre uma boa opção para explorar alguns fundos.

A Supermarket in California

Segunda-feira, Março 21, 2005
Após um fim-de-semana a devorar o word virus: the william s. burroughs reader sinto-me obrigado a celebrar o dia mundial da Poesia (dia 21 de março) com alguém da beat generation.

A Supermarket in California de Allen Ginsberg

Para ler em voz alta!

Para quem não conhece a página www.poets.org aconselha-se uma visita.

Saudações poéticas!!!

...the less travelled by

Sexta-feira, Março 11, 2005


No próximo dia 16 de Março termina para mim um percurso.

Foi no já longínquo mês de Outubro de 2001 que entrei para a Associação de Estudantes da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa.

Por esses dias as coisas eram um pouco diferentes, apenas quatro pessoas restavam da direcção eleita naquele ano - o Policarpo, o David, o Marcos e o Duarte - enquanto o Nuno (o Portalegre) começava a preparar a sua campanha. Eu era apenas o caloiro disposto a ajudar no que fosse possível.

Já no mês de Dezembro e até ao final de Fevereiro de 2002, o Nuno, a Sofia, o David, o Marcos, a Ana Gomes, o Fanático e eu constituíamos o núcleo duro que levaria a Lista A ("A atitude certa!") à memorável vitória contra a Lista S (do intragável Tam e do execrável Antunes). As peripécias desses tempos são tantas e tão marcantes que levaria dias a descrevê-las. Foram os melhores tempos de sempre para mim nesta casa. A campanha de então foi sensacional, saíamos da faculdade às 4 da manhã dada a conivência com os funcionários da casa, abrindo as salas de computadores fechadas desde as onze para colocar a página da lista como webpage (não me perguntem como arranjávamos a chaves), preenchendo o corredor principal de cartazes e balões (como diziam que éramos socialistas juntámos aos balões azuis uns cor-de-laranja) e ficando até tarde a decorar o bar com um gigantesco A de hélio que no final do dia já estava meio vazio. Entretanto pelas 7 horas já estávamos prontos para dar os programas e o restante merchandising da campanha (os programas eleitorais em formato de revista surgiram pela primeira vez na FEUNL pela mão da Lista A) - sempre com um sorriso rasgado (penso que foi a direcção mais simpática que conheci, pessoas divertidas e humildes).

Foi um mandato fantástico, em que se abriram as portas da AE ("A tua Associação está de portas abertas!") e se iniciaram uma série de serviços até ali inexistentes e que ainda hoje são assegurados (as sebentas, as colecções de exames, o business forum, o guia dos finalistas, os computadores na sala da AE, venda de material académico, semana cultural, conferências, o cartão magnético, o envio de e-mails através de uma base de dados actualizada, etc). Foi bom ser responsável pelo pelouro cultural de então.

Entretanto o David Machado tornava-se presidente da Federação Académica da Universidade Nova de Lisboa.

Em 2003 a Lista A ("Absolutamente por ti!") concorreu como lista única com a Rita a presidir a Direcção, e a Ana Rita como tesoureira implacável. Foi um mandato de manutenção e de estabilização financeira, aproveitando os apoios financeiros angariados pelo Nuno junto da CGD e do David na FAUNL.

A Rita assumiu ainda em 2003 a Presidência da FAUNL levando Economia a um segundo mandato.

Em 2004 a Lista A ("Aposta nesta equipa!") voltava a ter oposição e numa campanha esforçada, a equipa liderada pelo Luís, venceria a Lista M por apenas 100 votos. Penso que foi um mandato muito bem sucedido, levando a AEFEUNL a assumir um papel mais preponderante no seio da comunidade académica da UNL e junto do meio empresarial.
Durante a campanha em Economia eu próprio assegurava, depois de ter sido incentivado pelo João Cabral, o terceiro mandato consecutivo de Economia ao ser eleito com dois terços dos votos para a Presidência da FAUNL, num mandato que também agora termina.

Terminei também em 2004 o meu terceiro e último mandato como reprentante dos alunos no Conselho Pedagógico e em 2005 concluo os mandatos de 4 anos na Assembleia de Representantes, na Assembleia da Universidade, no Senado Universitário e o mandato de um ano na Secção Permanente do mesmo.

Sem dúvida terei muitas saudades das horas passadas na sede da AEFEUNL, das directas feitas em frente ao computador, da escrita de programas eleitorais e das moções, das noites passadas nos ENDAs e nas assembleias da AAL, do Nova Opinião, de vender sebentas quando mais ninguém pode... tenho saudades do primeiro mandato, do David e do Nuno, da Sofia e da Ana Gomes, do Marcos, da Ana Rita e do Fanático e todas aqueles pessoas que se revelaram verdadeiros amigos à entrada na Faculdade... e das dezenas de pessoas que passaram pela AE ao longo destes quatro mandatos... e fico com saudades de trabalhar mesmo quando se tem exame no outro dia e faltar às aulas durante meses inteiros.

Em Março de 2005 disputam as eleições em Economia não os sucessores dinásticos da Lista A e uma qualquer oposição de circunstância mas dois elementos da Direcção anterior, dois amigos meus cujo empenho prezo muito, o Vargas e o Fernando, Lista V vs Lista W.

Tenho pena que não possam ter encetado uma candidatura conjunta mas acredito que qualquer uma das equipas possa fazer um trabalho, ainda melhor que as direcções anteriores (algo que já é perceptível pela qualidade da campanha).

O meu boletim de voto ficará em branco, não poderia ser de outro modo, mas independentemente do resultado do sufrágio espero que ambos se empenhem no desenvolvimento da estrutura associativa da UNL em favor dos seus alunos.

Espero que a tradição das eleições da AEFEUNL serem das mais participadas do país se mantenha e que seja ultrapassada a barreira dos 800 votantes.

Para aqueles que queiram discernir acerca da melhor alternativa a eleger sugiro uma visita pelas webpages das listas.

Lista V http://www.voarmaisalto.com/

Lista W http://www.workmakesthedifference.pt.vu/


Adriana Partimpim

Domingo, Fevereiro 27, 2005
Sem dúvida um dos melhores álbuns de 2004, de classificação livre, um disco para crianças e para adultos que conservam o gosto pelo que é mais simples e verdadeiro, arredados de qualquer materialismo. Todo o disco é um caminho terno mas incisivo sobre a inocência que reservamos ou perdemos ao longo da vida, num curto álbum que nos leva a uma versão de "Saiba" (de Arnaldo Antunes), uma das melhores músicas do ano e terrivelmente doce, tal como "Fico assim sem você", a faixa quatro para cantar ao ouvido de quem nos quer bem, que é acompanhada de um videoclip animado brilhante. Este álbum recorda-nos o mundo do pequeno príncipe criado pelo aviador francês que o mundo venera, com desenhos de cobras com elefantes lá dentro.

José Luís Peixoto

A escrita de José Luís Peixoto [JLP] apresenta-se, sem intenção de catalogar o autor, como um universo ficcional pleno de elementos fantásticos, no qual se estabelece uma relação com o mundo do absurdo de cariz existencialista.
Os seus romances, quer em Nenhum Olhar quer em Uma Casa na Escuridão, medeiam entre o realismo mágico de Gabriel García Márquez e os aspectos mais reflexivos dos ciclos do absurdo e do amor de Albert Camus.
O escritor encara a escrita como redentora, salvando-se ao escrever e possibilitando salvar quem lê, com os seus limites. É uma forma de atenuar angústias e obter consolação.
JLP abraça como temas principais dos seus livros os grandes temas da escrita universal, a morte e o amor. Até agora a genialidade deste jovem escritor tem presenteado o público com uma narrativa e uma poética de qualidade inquestionável.
Os seus textos estão marcados por um negrume que parece quase involuntário, apesar de revelar a intenção de transportar em elementos taciturnos a alteração da normalidade, do quotidiano das personagens-sombra, induzindo-as à acção. É talvez susceptível que o facto dos narradores (e talvez o próprio JLP) verem a morte como o fim de tudo, sem que no seu mundo fantástico seja introduzido qualquer elemento esotérico, conduza a uma narrativa impregnada de melancolia. Respira-se uma falta de esperança inerente à consciência de que Deus não existe, pelo menos por enquanto.
Em entrevista ao DN, JLP refere "não quero estar, de maneira nenhuma, condenado a escrever livros tristes durante toda a minha vida. No entanto, como diz Alberto Caeiro, às vezes a tristeza é natural, às vezes faz falta como a chuva faz falta em certos dias." Mas a melancolia presente nas obras publicadas é consequência das realidades que o autor pretendeu caracterizar, como a ocorrência permanente de suicídios nas vilas do Alentejo.
Mas o brilhantismo de JLP espelha-se no modo de levar a intensidade da escrita aos leitores, com a intenção de que estes possam assimilar a experiência vivida no choque dos estados espíritos presentes, o do escritor e o do leitor. Por exemplo, em Nenhum Olhar, JLP domina na perfeição as hipóteses da escrita e da leitura e recorre várias vezes a aspectos fantásticos, como elementos bíblicos, desafiando o leitor a descodificá-los. A sua narrativa está repleta do fantástico dos contos populares e da literatura oral. O autor convida quem lê a entrar num universo de onde só sairá na última página do livro. Entra-se numa dimensão literária que compreende um gigante, um demónio que preside às cerimónias religiosas, uma arca que fala, dois gémeos ligados pelo dedo mindinho e outras personagens que narram um universo paralelo em que a proximidade do real nos envolve de modo a ler este livro de um só fôlego.
Uma Casa na Escuridão é um livro que enfrenta a vida com uma gravidade incisiva, abordando a inevitabilidade do amor e da solidão. O autor conduz-nos a um espaço intangível do nosso imaginário onde opõe a certeza de um destino fatídico, do qual não podemos fugir, à aventura de viver e de nos deixarmos resgatar por uma ternura que, apesar de breve, constitui a única razão de existir de uma civilização que se encontra presa a um mundo efémero. Cingidos a esta realidade, as personagens tentam descobrir na possibilidade do amor a única capacidade libertadora da sua condição humana.José Luís Peixoto equilibra o que sente e pensa acerca do real na utilização dos elementos literários que sustentam a sua narrativa e os seus versos, deve-se a esta estabilidade o facto de se apresentar como um dos melhores escritores lusófonos da actualidade.

Grace - Legacy Edition

Originalmente produzido em 1994, o álbum de estreia de Jeff Buckley é hoje considerado um dos melhores álbuns da década de 90.
Dez anos após o seu lançamento, a Columbia Records lançou uma edição especial do álbum, remasterizado, com um cd adicional de raridades (incluindo alguns inéditos) e um dvd com todos os vídeos de Grace acompanhados de um breve documentário acerca da produção do mesmo. Para quem não conhece Grace sugere-se uma breve visita à web em busca de "Grace", "Hallelujah" ou "Love, You should've come over".
Em 1994, era difícil imaginar que Grace seria tão bem sucedido. Apesar do talento de JB ser já reconhecido, o lançamento foi uma desilusão, dado que não representou uma redeclaração do poder do Rock'N'Roll, nem um sucesso comercial - não era um Nevermind, apenas um disco subtil, meditativo.
Num momento fantástico da história da música, num espaço entre Nine Inch Nails e Smashing Pumpkins, Grace surgiu desconectado da revolução em curso. Ninguém podia imaginar que se tornaria num dos discos mais influentes dos anos 90. De facto, actualmente, é possível perscrutar a influência de Jeff Buckley em todo o lado - desde Coldplay a Ryan Adams, PJ Harvey ou Radiohead.
Ao não se enquadrar na expressão artística do seu tempo Grace tornou-se um disco intemporal. Falhando qualquer catalogação específica, JB tornou-se universal. Uma década depois, mais de dois milhões de pessoas possuem o seu álbum debutante, além dos downloads cibernéticos. Durante a sua breve vida JB ganhou a admiração de artistas como Elvis Costello, Paul MacCartney, Lou Reed ou Bono dos U2 (artistas que o convidaram para actuações conjuntas).
Grace está impregnado de beleza e de sofrimento e o talento de JB, que tocava de uma forma inconfundível, influenciou inúmeros músicos. Podia tocar qualquer nota imaginável, musical ou emocional. Jeff Buckley faleceu sem sequer concluir o seu segundo trabalho, cujas gravações inacabadas foram editadas como "Sketches for my sweetheart the drunk".

my favorite place

Sexta-feira, Janeiro 28, 2005


.

Real Gone

tom waits investe toda a sua genialidade em cada álbum que edita. Real Gone (outubro de 2004) é um disco para ouvir e ficar viciado. desta vez waits surpreende-nos não apenas com novos conceitos musicais e vocais ("cubist funk") mas também ao tomar o lugar de qualquer imberbe ao serviço da vontade primata de uma elite déspota - "day after tomorrow" (faixa 15) - uma canção de intervenção sublime, intemporal, acerca da guerra.

waits já editou cerca de 20 discos de originais a solo desde Closing Time em 1973 e continua a constituir uma referência incontornável para músicos de todos os géneros, de todo o globo. este seu último trabalho ganha especial relevância pela nova fuga ao piano.

real gone foi considerado por diversas publicações internacionais o melhor álbum do ano.


um site a visitar, a revisitar, a fixar residência...

Quinta-feira, Janeiro 13, 2005
casa

"Um dia quando a ternura for a única regra da manhã

um dia, quando a ternura for a única regra da manhã,
acordarei entre os teus braços. a tua pele será talvez demasiado bela.
e a luz compreenderá a impossível compreensão do amor.
um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for
tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada
de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da
nossa janela. sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso
será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi
nem uma palavra, nem o príncipio de uma palavra, para não estragar
a perfeição da felicidade."

José Luís Peixoto, in A Criança em Ruínas

"Um Mover de Mão"

"diz-me que há ainda versos por escrever,
que sobra no mundo um dizer ainda puro."


vasco gato prova-o ao longo de cinquenta páginas em que se reúnem imagens e recatos tremendamente doces.

surpreende ao tingir-nos com o azul que escorre nas suas palavras ou ao tocar-nos os pulsos com o gelo de uma ternura (in)tangível.

versos presos a gestos, a convulsões labirínticas presas nos trilhos das nossas mãos.

bebem-se as palavras de um só trago, ósculos surgem entre luares azuis, cheios, frios, sujeitos ao brilho de carícias estelares preenchendo o vazio com uma mescla de sensações e pensamentos que não destoam no poema mas que nos exige o regresso a uma sensibilidade onírica.

a magia surge em cada recanto, brota do gesso, vive da luz que se emancipa com o cair da noite e não nos deixa de libertar de um vício órfico que reencontramos no inconsciente.

com um mover de mão tocamos as palavras deste livro e redescobrimos laços cativados na noite dos dias.

obrigado.


de Vasco Gato:

Um Mover de Mão - Assírio & Alvim (7.20€)
Imo - Edições Quasi (9.45€)

all my favorite ones had a suicidal will

Quarta-feira, Janeiro 12, 2005


apesar do meu gosto musical ser relativamente eclético há poucos artistas que me levam a afectar parte do meu orçamento, bastante reduzido, em álbuns originais.

a verdade é que nestes últimos meses dou por mim, com alguma felicidade, a enriquecer a minha discografia de smashing pumpkins (o problema é mesmo a box de singles do Siamese Dream "The aeroplane flies low") e de tom waits.

entretanto continuo a ouvir aqueles que considero os meus preferidos, mas que já não vão lançar mais álbuns, devido a razões pessoais.

Ian Curtis (15.07.1956-18.05.1980) dos Joy Division, Jeff Buckley (17.11.1966-29.05.1997) e provavelmente Elliot Smith (06.08.1969 - 21.10.2003)* cometeram suicídio. E toda a aura de mistério envolvente contribuiu para um reconhecimento póstumo estelar. Mas a verdade é que o seu talento é imediatamente perceptível ao perscrutar os seus trabalhos e não basta o obscurantismo dos seus destinos para justificar que as suas músicas sejam alvo de milhões de downloads diários (a única medida credível do sucesso de qualquer artista que se preze). De qualquer modo toda a sua actividade criativa potencial, por frustração ou demência, foi destruída.

Assim, lanço um desafio ao reduzido número de seres inteligíveis do submundo da net que vagueiam por aqui: enviem repetidamente mensagens aos agentes dos vossos artistas preferidos no sentido destes últimos adoptarem de imediato o hábito de visitar semanalmente um psiquiatra, de modo a que não se verifiquem perdas de valor inquestionável para o nosso bem-estar, enquanto promotores dos desportos de sofá mais radicais (como aproveitar o max sound da nossa aparelhagem) e defensores daquelas futuras inúmeras faixas de mp3 seleccionadas com carinho ou daqueles álbuns que ao serem alvo da nossa alocação financeira arruinarão os nossos planos de embriaguez semanal.

Pela minha parte, tenho encetado esforços com o intuito de levar o Ryan Adams a evitar uma futura depressão, dado que não quero capitalizar já o investimento nos quatro cd's comprados recentemente, que tenho consumido horas a fio, de uma forma quase demente, apenas pelo facto do mesmo vir a achar que já não tem mais nada a fazer pela comunidade de ouvintes que está dele dependente.

Assim, enviei uma lista de contactos de possíveis clínicas a que ele pode recorrer, no entanto chamei desde logo a atenção para os efeitos secundários plausíveis, como a elevação do ego até ao tecto ou a exacerbação de um pretenciosismo que o poderia levar a aderir à agenda de futuros festivais fluviais de cariz comercial.

No que concerne ao Billy Corgan não vou efectuar qualquer esforço dado que a credibilidade de qualquer vontade suicida é posta em causa pelos longos anos de melancolia a que nos sujeitou, para além de que quem resiste a uma relação com a CL revela algo de premonitório quanto a uma longevidade de vida assegurada.

*"The coroners report on the death of Elliot Smith found a few inconsistencies from a typical suicide. At the time of his death, Smith and his girlfriend (Jennifer Chiba) were heavily arguing. Chiba then locked herself in the bathroom, only to hear Smith scream moments later. Chiba rushed out and removed a knife from his chest and called 911. The coroner found Smith's history to be consistent with a suicide, but the report also found some inconsistencies. The absence of "hesitation wounds," the presence of "possible defensive wounds" and "stabbing through clothing" are noted as atypical of suicide. The LAPD are reinvestigating the case."

i better be quiet now

wish you gave me your number
wish i could call you today, just to hear a voice
i got a long way to go
i'm getting further away
if i didn't know the difference living alone'd probably be ok
it wouldn't be lonely
i got a long way to go
i'm getting further away
a lot of hours to occupy, it was easy when i didn't know you yet
things i'd have to forget
but i better be quiet now
i'm tired of wasting my breath
carrying on and getting upset
maybe i got a problem, but that's not what i wanted to say
i'd prefer to say nothing.
i got a long way to go
i'm getting further away.
had a dream as an army man with an order just to march in my place
while a dead enemy screams in my face
but i better be quiet now i'm tired of wasting my breath
carrying on, not over it yet
wish i knew what you're doing
and why you want to do it this way, so i can't go the distance
i got a long way to go
i'm getting further away
i got a long way to go
i'm getting further away

Elliot Smith, figure 8

Compras para 2005

Quarta-feira, Dezembro 15, 2004
Cd's

1. O Assobio da Cobra
2. Dirty - Sonic Youth
3. Sister - Sonic Youth
4. Sketches for my sweetheart the drunk - Jeff Buckley
5. Mistery White Boy (versão em papel) - Jeff Buckley

6. Poses - Rufus Wainwright
7. Riot on an empty street - Kings of Convenience
8. Mule Variations - Tom Waits

9. Blood Money - Tom Waits
10. Cão - Ornatos Violeta


Livros

1. O Medo - Al Berto
2. Os Passos em Volta - Herberto Hélder
3. O Idiota - F. Dostoiesky
4. Da Alvorada à Decadência - Jacques Barzun
5. Ou o Poema Contínuo - Herberto Hélder
6. Le Premier Homme - Albert Camus
7. On the Road - Jack Kerouac
8. Ghost of a Chance - William Burroughs
9. Blinking with Fists - Billy Corgan
10. Memoria de mis putas tristes - Gabriel Garcia Marquez

DVD's

1. Gato Fedorento
2. Eyes Wide Shut - Stanley Kubrick
3. Dead Poets Society - Peter Weir
4. Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain - Jean Jeunet
5. Gato Preto, Gato Branco - Emir Kusturica
6. Lost Highway - David Lynch
7. Manhattan - Woody Allen
8. Annie Hall - Woody Allen
9. Basquiat - Julian Schnabel
10. 24 Hour Party People - Michael Witterbottom

b- already bought

(a enumeração não reflecte qualquer hierarquia)

Sobre um Poema

Sábado, Dezembro 11, 2004
"Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

- E o poema faz-se contra o tempo e a carne."

Herberto Hélder, "O Poema"

Demolition

Terça-feira, Novembro 30, 2004
De um dos meus álbuns favoritos...

"Desire

Two hearts fading, like a flower.
And all this waiting, for the power.
For some answer, to this fire.
Sinking slowly. The water’s higher.
Desire

With no secrets. No obsession.
This time I'm speeding with no direction.
Without a reason. What is this fire?
Burning slowly. My one and only.
Desire

You know me. You don't mind waiting.
You just can't show me, but God I'm praying,
That you'll find me, and that you'll see me,
That you run and never tire.
Desire"

Ryan Adams, Demolition

Rufus Wainwright

"In a Graveyard

Wandering properties of death
Arresting moons within our eyes and smiles
We did rest
Amongst the granite tombs to catch our breath

Worldly sounds of endless warring
Were for just a moment silent stars
Worldly boundaries of dying
Were for just a moment never ours
All was new
Just as the black horizons blue

Then along the bending path away
I smiled in knowing I'd be back one day"

Rufus Wainwright, Poses

E ainda não comprei o "Riot in an empty street"!

Segunda-feira, Novembro 29, 2004
"The weight of my words

There are very many things
I would like to say to you
But I've lost my way
And I've lost my words

There are very many places
I would like to go
But I can't find the key
To open my door

The weight of my words
You can't feel it anymore
The weight of my words
You can't feel it anymore

There are very many ways
I would like to break the spell
You've cast upon me

Because all the time
I sacrificed myself
To make you want me
Has made you haunt me

The weight of my words
You can't feel it anymore

The weight of my words
You can't feel it anymore

The weight of my words
You can't feel it anymore

There are very many things
I would like to say to you
But I've lost my way
And I've lost my words

There are very many places
I would like to go
But I can't find the key
To open my door"

Kings Of Convenience, Quiet is the New Loud

Lost Boy. od & died . 30 years ago

Quinta-feira, Novembro 25, 2004


Nick Drake

"Music history is full of fallen heroes, from Jimi Hendrix to Kurt Cobain, who burned brightly and went out in a blaze of notoriety. But Nick Drake's death in 1975 went largely unnoticed. His recording career only stretched to three albums, none of which were hits. He appeared live a handful of times. His death, from an overdose of anti-depressants at the age of 26, was hardly the stuff of rock legend.

Since then, however, interest in Drake's small body of work has grown, year by year, developing into one of music's most enduring cult followings. He's regularly cited as an influence on artists as diverse as REM, Belle and Sebastian, Ryan Adams and Paul Weller. His albums are hailed as classics and Island Records are poised to release yet another compilation, including a never before released track. There have been television and radio documentaries, an acclaimed biography and numerous tribute albums.

At the core of it all, though, remains the shadowy figure of Nick Drake himself. Drake was the child of upper middle class parents, educated at Malborough and Cambridge, dropping out of the latter to pursue a musical career under the guidance of producer Joe Boyd. Although his albums were critically well received, they sold poorly. Radio at the time was ill suited to Drake's beguiling combination of visionary lyrics, complex guitar parts and lush, sweeping string arrangements. The disappointment this caused may well have contributed to the crippling depression which gradually swamped Drake in the last years of his life. "

from BBC


More about the lost boy...

http://www.algonet.se/~iguana/DRAKE/NDlyrics.html

http://www.nickdrake.net/

http://www.geocities.com/brendan_smith2000/

grey skies above

Terça-feira, Novembro 23, 2004
tears blossom whenever you break the silence
so ease your pain and enjoy my sadness
and remember
love me while you're still able to
not while you want to.

...the river runs south
thru barrios and ghettoes and starched neighborhood squares
and everywhere the dogs howl
I don’t even trust the sound of my own voice here
my own impermanence haunts me, but this thought alone relieves the pressure
from the mirror to the gutter, gutter tongued
my heart speaks to the silence in me
let me walk alone
home as the dead stoplights wave goodnight...

from "The River Runs Foul"

Billy Corgan, Blinking with Fists

Dias Felizes?

Hoje não te deste ao meu dia e essa ausência de afecto mordeu-me duramente, cinzelando o meu rosto de feições pútridas.

Não me beijes quando o que dizes não encontra equilíbrio no que sentes.

Sinto necessidade de hibernar num silêncio gélido que me torne ainda mais vulnerável à morte.

Quero ficar só.

Novembro

Novembro é o meu conforto cinzento, embriagado de neblina e de árvores desnudas.

"November

No shadow
No stars
No moon
No care
November
It only believes
In a pile of dead leaves
And a moon
That's the color of bone

No prayers for November
To linger longer
Stick your spoon in the wall
We'll slaughter them all

November has tied me
To an old dead tree
Get word to April
To rescue me
November's cold chain

Made of wet boots and rain
And shiny black ravens
On chimney smoke lanes
November seems odd
You're my firing squad
November

With my hair slicked back
With carrion shellac
With the blood from a pheasant
And the bone from a hare

Tied to the branches
Of a roebuck stag
Left to wave in the timber
Like a buck shot flag

Go away you rainsnout
Go away, blow your brains out
November"

Tom Waits, Blackrider

Elliott Smith

Quinta-feira, Outubro 21, 2004
O primeiro aniversário.

Schizophrenia

Sexta-feira, Maio 28, 2004
"Schizophrenia

I went away to see an old friend of mine
His sister came over she was out of her mind
She said Jesus had a twin who knew nothing about sin
She was laughing like crazy at the trouble I'm in
Her light eyes were dancing she is insane
Her brother says she's just a bitch with a golden chain
She keeps coming closer saying "I can feel it in my bones
Schizophrenia is taking me home"

My Future is static
It's already had it
I could tuck you in
And we can talk about it
I had a dream
And it split the scene
But I got a hunch
It's coming back to me"

Sonic Youth, Sister

Quinta-feira, Maio 27, 2004
Querida fada:

Hoje não encontrei os teus olhos nem o teu sorriso rasgado.

Não vi o teu rosto corar. Fiquei sozinho sem tanger a tua cintura.

Não toquei o teu cabelo nem beijei os teus lábios.

A noite caiu sem que a tua pele queimasse o meu corpo...

...mais um dia sem morder a tua carne doce.

bliss

Sábado, Maio 22, 2004
Para uma fada muito especial,

"Maçã de Junho

És a estrela da alvorada e a madrugada junto ao cais
És tudo o que eu vejo em ti, és a alegria e muito mais
És a minha maçã de Junho, és o teu corpo e o meu
Amo-te mais que à vida, que a vida sem ti morreu
Amo-te mais que à vida, que a vida sem ti morreu

És a erva perfumada, debruada a girassóis
O trago do café quente nas manhãs entre lençóis
És a minha maçã de Junho e a minha noite de Verão
Anda, vem comigo, vamos, dá-me a tua mão
Anda, vem comigo, vamos, dá-me a tua mão

És o encontro na estrada, és a montanha e o pôr do sol
O vinho bebido em festa, és a papoila e o rouxinol
És a minha maçã de Junho e a minha estrela polar
Sem ti eu não tenho norte, sem ti eu não sei amar.
Sem ti eu não tenho norte, sem ti eu não sei amar."

Jorge Palma, Qualquer Coisa Pá Música

...porque a fada mais bonita do mundo nasceu em Junho

Continua a brilhar Inês, continua a beijar dias felizes

Quarta-feira, Abril 14, 2004
13 de abril, a noite mais escura da alma

a rejeição tomou conta de mim, magoa lacrimalmente o ego que tangia o tecto, enquanto esvazia o meu peito de ar e o preenche de uma dor física perceptível pelas insónias que me visitam.

gosto de ti, espero que um dia sintas o mesmo por mim.

by starlight

Quinta-feira, Março 11, 2004
"by starlight i'll kiss you
and promise to be your one and only
i'll make you feel happy
and leave you to be lost in mine
and where will we go, what will we do?
soon said i, will know
dead eyes, are you just like me?
cause her eyes were as vacant as the seas
dead eyes, are you just like me?
and all along, we knew we'd carry on
just to belong
by starlight i know you
as lovely as a wish granted true
my life has been empty, my life has been untrue
and does she really know, who i really am?
does she really know me at last
dead eyes, are you just like me?"

SP, BC, MCIS

as andorinhas não me deixam dormir
gostava de dormir o dia inteiro
mas as andorinhas não me deixam
o umbral da minha casa
está preso de sonhos com asas pretas
e peito branco
perto os fios de luz
onde se encontram bicos
contentes
como me irritam!
ah! não poder ser ave
ah! não poder namorar em fios de luz
é um ultraje!
ser leve! passar!
andorinhar o dia todo!

Mais uma noite no bairro alto...

Sexta-feira, Fevereiro 20, 2004
Três seres noctívagos de olhar obscuro e sedentos de coxas níveas deambulam pelo Princípe Real e naufragam em pleno Bairro Alto, dado o seu torpor etílico arrastam os pés pelo chão de uma livraria vagarosa ao som de Keith Jarret e em busca do ficções que inclui o Putas de Mensa do Woody.
Finalmente, esquecendo-se do propósito de roubar algum livro para oferecer aos pais, acusam uma fantástica verborreia de insanidade que os percorreu durante os minutos tacteados pelo fantástico de Poe...



The Raven

Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore--
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
"'Tis some visiter," I muttered, "tapping at my chamber door--
Only this and nothing more."

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow;--vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow--sorrow for the lost Lenore--
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore--
Nameless here for evermore.

And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me--filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating
"'Tis some visiter entreating entrance at my chamber door--
Some late visiter entreating entrance at my chamber door;
This it is and nothing more."

Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you"--here I opened wide the door--
Darkness there and nothing more.

Deep into that darkness peering, long I stood there wondering, fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, "Lenore?"
This I whispered, and an echo murmured back the word, "Lenore!"--
Merely this and nothing more.

Back into the chamber turning, all my sour within me burning,
Soon again I heard a tapping something louder than before.
"Surely," said I, "surely that is something at my window lattice;
Let me see, then, what thereat is and this mystery explore--
Let my heart be still a moment and this mystery explore;--
'Tis the wind and nothing more.

Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and flutter,
In there stepped a stately Raven of the saintly days of yore.
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed he,
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door--
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door--
Perched, and sat, and nothing more.

Then the ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore,
"Though thy crest be shorn and shaven, thou," I said, "art sure no craven,
Ghastly grim and ancient Raven wandering from the Nightly shore--
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning--little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blessed with seeing bird above his chamber door--
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as "Nevermore."

But the Raven, sitting lonely on that placid bust, spoke only
That one word, as if its soul in that one word he did outpour
Nothing farther then he uttered; not a feather then he fluttered--
Till I scarcely more than muttered: "Other friends have flown before--
On the morrow he will leave me, as my Hopes have flown before."
Then the bird said "Nevermore."

Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful Disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore--
Till the dirges of his Hope that melancholy burden bore
Of 'Never--nevermore.'"

But the Raven still beguiling all my sad soul into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird and bust and door;
Then, upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore--
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt, and ominous bird of yore
Meant in croaking "Nevermore."

This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamp-light gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamp-light gloating o'er
She shall press, ah, nevermore!

Then, methought, the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by Seraphim whose foot-falls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee--by these angels he hath sent thee
Respite--respite and nepenthe from thy memories of Lenore!
Quaff, oh quaff this kind nepenthe and forget this lost Lenore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil!--prophet still, if bird or devil!--
Whether Tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate, yet all undaunted, on this desert land enchanted--
On this home by Horror haunted--tell me truly, I implore--
Is there--is there balm in Gilead?--tell me--tell me, I implore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Prophet!" said I, "thing of evil!--prophet still, if bird or devil!
By that Heaven that bends above us--by that God we both adore--
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore--
Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name Lenore."
Quoth the Raven, "Nevermore."

"Be that our sign of parting, bird or fiend!" I shrieked, upstarting--
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul has spoken!
Leave my loneliness unbroken!--quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my door!"
Quoth the Raven, "Nevermore."

And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming
And the lamp-light o'er him streaming throws his shadows on the floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted--nevermore!

O sono venceu-os quando "a noite já roía as unhas às madrugada", um acompanhado pelo Estrangeiro, outro envolto no Processo, o terceiro abandonara-nos após o crime.

Tudo acerca do Amor

"Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crêpe bows round the white necks of the public
doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good."

W. H. Auden

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Terça-feira, Fevereiro 03, 2004
Alguma vez olharás para mim?

Arrependo-me sobretudo do que não te disse.


"20 000 Seconds

20 000 seconds since you've left and i'm still counting
and 20 000 reasons to get up, get something done
but i'm still waiting
is someone kind enough to
pick me up and give me food, assure me that the world is good
but you should be here, you should be here

how colors can change and even the texture of the rain
and what's that ugly little stain on the bathroom floor
i'd rather not deal with that right now
i'd rather be floating in space somewhere or
worry about the ozone layer

and it's almost like a corny movie scene
but i'm out of frame and the lighting's bad
and the music has no theme
and we're all so strong when nothing's wrong
and the world is at our feet
but how small we are when our love is far away
and all you need is you"

K's Choice, Cocoon Crash

ama-me. mas não me toques.

entra na minha vida sem que eu te veja.

beija-me sem corpo.

sai.

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004
"O Insecto

Das tuas ancas aos teus pés
quero fazer uma longa viagem.

Sou mais pequeno que um insecto.
Percorro estas colinas,
são da cor da aveia,
têm trilhos estreitos
que só eu conheço,
centímetros queimados,
pálidas perspectivas.
Há aqui um monte.
Nunca dele sairei.
Oh que musgo gigante!
E uma cratera, uma rosa
de fogo humedecido!

Pelas tuas pernas desço
tecendo uma espiral
ou adormecendo na viagem
e alcanço os teus joelhos
duma dureza redonda
como os ásperos cumes
dum claro continente.

Para teus pés resvalo
para as oito aberturas
dos teus dedos agudos,
lentos, peninsulares,
e deles para o vazio
do lençol branco
caio, procurando cego
e faminto teu contorno
de vaso escaldante!"

Pablo Neruda, Os Versos do Capitão


Cedi, como algo que quer cair no abismo.

Pensava tactear o esquecimento enquanto murmurava a tua maldição.

Quero dormir nas tuas pálpebras e abraçar o teu sangue.

Morde-me uma última vez.

Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
hipocampo

Oscilo.
Onde está o resto de mim?
Sozinho...
estou.
Perto de tudo o que não importa
persistem marcas quase ilegíveis
que me tatuam as palmas das mãos
as mesmas contadoras de histórias
preenchem um caminho que escolhi
e me prende a recordações que não o são
porque estás! espero...
é bom saber que olhas o mar no azul
e não na espuma
o breve assusta
peço-te: não tremas!
Quero ir ao fundo de mim
limpar as sobrancelhas de quem me quer bem
enrolar-me nos teus cabelos
adormecer na tua saliva
permutar sensações na noite terna
tocar búzios que revoltem a água
e esculpam as rochas com as minhas verdades
quero rebentar dentro e fora de mim
inundar a terra de felicidade
e construir conchas onde as pessoas se possam gostar
sem beber a espuma
sem dizer adeus

escolhe tu as cores...

guarda cada momento
e pinta-o com lápis de cor
nada de mentiras ou sorrisos falsos
só olhos a brilhar
narizes e recatos molhados
deixa os lábios em branco
para podermos pintá-los vezes sem conta
escutar a perfeição será algo banal
quando nos tocarmos
cingiremos o céu
e faremos corar os anjos
(mas eles também gostam de azulejos com saliva)
o impossível é fácil com plumas vermelhas
macias nos ouvidos de quem nos quer bem
o meu corpo e o teu
um
a felicidade surge nas aspas do silêncio
enquanto o amor nos adorna de penas
níveas
são os deuses que nos nimbam com oferendas
mas eles não me importam
não preciso de asas
podes vir voar comigo?

(as plumas são brincos, os azulejos de Cargaleiro)

sabe bem ouvir-te de novo

“Embora lave o medo que há do fim
A chuva apaga o fogo que há em mim
Oiço a voz de quem me quer tão bem
E fico a ver se a chuva a ouvirá também”

Ornatos Violeta

Eu quero hibernar, eu
Ultimato crepuscular: eu hibernar!

Há chuva, nevoeiro, faz gelo
Isto é os dedos que roxos são meus
Bem como posso não arrancar os olhos teus
Embora quisessem não conseguiram sê-lo
Raramente farto de tentar ser não terno
Na pele enrugada e cobra, em que vegetas
Assim como claro não estão as tuas vestes secretas
Recatos de aconchego com sabor a Inverno!

Segunda-feira, Janeiro 26, 2004
Tom Waits no seu primeiro álbum (Closing Time)


"Martha

Operator, number, please:
it's been so many years
Will she remember my old voice
while I fight the tears?
Hello, hello there, is this Martha?
this is old Tom Frost,
And I am calling long distance,
don't worry 'bout the cost.
'Cause it's been forty years or more,
now Martha please recall,
Meet me out for coffee,
where we'll talk about it all.

And those were the days of roses,
poetry and prose and Martha
all I had was you and all you had was me.
There was no tomorrows,
we'd packed away our sorrows
And we saved them for a rainy day.

And I feel so much older now,
and you're much older too,
How's your husband?
and how's the kids?
you know that I got married too?
Lucky that you found someone
to make you feel secure,
'Cause we were all so young and foolish,
now we are mature.

And those were the days of roses,
poetry and prose and Martha
all I had was you and all you had was me.
There was no tomorrows,
we'd packed away our sorrows
And we saved them for a rainy day.

And I was always so impulsive,
I guess that I still am,
And all that really mattered then
was that I was a man.
I guess that our being together
was never meant to be.
And Martha, Martha,
I love you can't you see?

And those were the days of roses,
poetry and prose and Martha
all I had was you and all you had was me.
There was no tomorrows,
we'd packed away our sorrows
And we saved them for a rainy day.

And I remember quiet evenings
trembling close to you..."


Sexta-feira, Janeiro 23, 2004
caro Gâfias,
(post 93)

bebe as cores do teu dia, isso basta-te para apagar o cinzento que sentes.
dá aos teus e a ti o sonho que alimentas.

Não te dou conselhos, dou-te o mestre WW.

"O ME! O life!... of the questions of these recurring;
Of the endless trains of the faithless—of cities fill’d with the foolish;
Of myself forever reproaching myself, (for who more foolish than I, and who more faithless?)
Of eyes that vainly crave the light—of the objects mean—of the struggle ever renew’d;
Of the poor results of all—of the plodding and sordid crowds I see around me;
Of the empty and useless years of the rest—with the rest me intertwined;
The question, O me! so sad, recurring—What good amid these, O me, O life?

Answer.

That you are here—that life exists, and identity;
That the powerful play goes on, and you will contribute a verse."

"Os suicidas são os turistas da morte."

António Ferro, Teoria da Indiferença

Uma ideia neuralmente mais colorida, da amiga Joana L.

"sobre a morte.
acho que a glória é a vida! acho que só nela podemos encontrar felicidade, mas também paz
e mesmo alívio. porque quando o momento chegar, acho que devolvemos ao universo
os átomos que momentaneamente alugamos para fazer parte deste nosso conjunto
particular e nisso já nada podemos sentir ou esperar. acho que tudo de bom
(embora de mau também, claro!) nos acontece enquanto os átomos particulares que
constituem os nossos neurónios ainda não tiverem voltado à circulação natural da
matéria."

Para a piolho eléctrico

"O beijo é o cadeado dos lábios."

António Ferro, Teoria da Indiferença

Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
Apaixonei-me por este texto, e vocês?

de António José Forte

"UMA FACA NOS DENTES


O MAIS BELO ESPECTÁCULO DE HORROR SOMOS NÓS.


Este rosto com que amamos, com que morremos, não é nosso; nem estas
cicatrizes frescas todas as manhãs nem estas palavras que envelhecem no
curto espaço de um dia. A noite recebe as nossas mãos como se fossem
intrusas, como se o seu reino não fosse pertença delas invenção delas. Só a
custo, perigosamente, os nossos sonhos largam a pele e aparecem à luz diurna
e implacável. A nossa miséria vive entre as quatro paredes cada vez mais
apertadas, do nosso desespero. E essa miséria, ela sim verdadeiramente
nossa, não encontra maneira de estoirar as paredes. Emparedados, sem
possibilidade de comunicação, limitados no nosso ódio e no nosso amor, assim
vivemos. Procuramos a saída - a real a única - e damos com a cabeça nas
paredes. Há então os que ganham a ira, os que perdem o amor.

Já não há tempo para confusões - a Revolução é um momento, o revolucionário
todos os momentos. Não se pode confundir o amor a uma causa, a uma pátria,
com o Amor. Não se pode confundir a adesão a tipos étnicos com o amor ao
homem e à liberdade. NÃO SE PODE CONFUNDIR! Quem ama a terra natal fica na
terra natal; quem gosta do folclore não vem para a cidade. Ser pobre não é
condição para se ganhar o céu ou o inferno. Não estar morto não quer
forçosamente dizer que se esteja vivo, como não escrever não equivale sempre
a ser analfabeto. Há mortos nas sepulturas muito mais presentes na vida do
que se julga e gente que nunca escreveu uma linha que fez mais pela palavra
que toda uma geração de escritores.

A acção poética implica: para com o amor uma atitude apaixonada, para com a
amizade uma atitude intransigente, para com a Revolução uma atitude
pessimista, para com a sociedade uma atitude ameaçadora. As visões poéticas
são autónomas, a sua comunicação esotérica.

Os profetas, os reformistas, os reaccionários, os progressistas arregalarão
os olhos e em seguida hão-de fechá-los de vergonha. Fechá-los como têm feito
sempre, afinal, e em seguida mergulharem nas suas profecias. Olharem para a
parte inferior da própria cintura e em seguida fecharem os olhos de
vergonha. Abandonarem-se desenfreadamente à carpintaria das suas tábuas de
valores, brandirem-nas por cima das nossas cabeças como padrões para a vida,
para a arte, para o amor e em seguida fecharem os olhos de vergonha às
manifestações mais cruéis da vida, da arte e do amor.

MAS NÃO IMPORTA, PORQUE EU SEI QUE NÃO ESTOU SOZINHO no meu desespero e na
minha revolta. Sei pela luz que passa de homem para homem quando alguém faz
o gesto de matar, pela que se extingue em cada homem à vista dos -massacres,
sei pelas palavras que uivam, pelas que sangram, pelas que arrancam os
lábios, sei pelos jogos selvagens da infância, por um estandarte negro sobre
o coração, pela luz crepuscular como uma navalha nos olhos, pelas cidades
que chegam durante as tempestades, pelos que se aproximam de peito
descoberto ao cair da noite - um a um mordem os pulsos e cantam - sei pelos
animais feridos, pelos que cantam nas torturas.

Por isso, para que não me confundam nem agora nem nunca, declaro a minha
revolta, o meu desespero, a minha liberdade, declaro tudo isto de faca nos
dentes e de chicote em punho - e que ninguém se aproxime para aquém dos mil
passos

EXCEPTO TU MEU AMOR EXCEPTO TU
MEU AMOR

minha aranha mágica agarrada ao meu peito
cravando as patas aceradas no meu sexo
e a boca na minha boca
conto pelos teus cabelos os anos em que fui criança
marco-os com alfinetes de ouro numa almofada branca
um ano dois anos um século
agora um alfinete na garganta deste pássaro
tão próximo e tão vivo
outro alfinete o último o maior
no meu próprio plexo

MEU AMOR
conto pelos teus cabelos os dias e as noites
e a distância que vai da terra à minha infância
e nenhum avião ainda percorreu
conto as cidades e os povos os vivos e os mortos
e ainda ficam cabelos por contar
anos e anos ficarão por contar

DEFENDE-ME ATÉ QUE EU CONTE
O TEU ÚLTIMO CABELO"

Este poema de Robert Frost cativou-me à seis anos, dou-o aos amigos

THE ROAD NOT TAKEN

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveller, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim
Because it was grassy and wanted wear;
Though as far that the passing there
Had worn them really about the same.

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way.
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I –
I took the one less travelled by,
And that has made all the difference.”

O Desvio

"Se o teu pé se desviar de novo
será cortado.

Se a mão te levar
para outro caminho,
cairá apodrecida.

Se me afastares da tua vida,
morrerás,
ainda que estejas viva.

Continuarás morta ou sombra,
Caminhando sem mim pela terra".

Pablo Neruda, Os Versos do Capitão

Terça-feira, Janeiro 20, 2004
“A cor da verdade é o cinzento.”
André Gide

"Os homens morrem e não são felizes."
Albert Camus

"O único problema filosófico sério é o suicídio"
Albert Camus

é só

o silêncio acontece-me
escuta-me
corrompe-me
permaneço
tremo não choro mas tremo

toque
a ausência esvazia-me
o tempo escorre

pretendo passar
ser quem me imagino
me crio
e finjo-me
mal

mordo-me por dentro
e por fora
só não mordo o mundo
porque também lhe dói

vejo pessoas bonitas
que são muito feias
e pessoas feias
muito muito bonitas
outras brilham

eu não brilho
eu sou feio

auto-estima?
nunca ninguém aprendeu o valor das coisas
inúteis

os gatos são vaidosos
gostava de ser gato

último beijo

a lua oscula o sol
(as árvores tremem na sua mudez)
o universo surpreende a vertigem
de um amor celeste
escrito em lágrimas estelares
e antes da noite chegar
antes de tudo adormecer
um último brilho
único e eterno

da Joana

"Poema sem P nem M

Fiz dois desenhos.
Este és tu, aquele sou eu,
Este é a continuação do outro
Vês? Igual a nós
Gostas? Dou-te o teu, o outro não, guardo-o
Guarda esse desenho que nos liga
Guarda-o! Eu tenho a continuação...
E quando não estiver aí, olha-o e recorda o quanto te adoro,
Que eu hei-de sonhar contigo..."

Insanidade Anadiplosa

Doce que é doce não amarga
Amarga o limão que apesar de amargo
Amargo não é do doce que se sente
Sente citrinos e outros frutos que cornucopeiam
Cornucopeiam tudo o que a imaginação me dá
Dá tudo o que não tenho e que não posso
Posso talvez beijar um pouco, mas só à beira
Beira-mar, inodora que não é e faz-me crescer a maresia
Maresia, Mar + Poesia e um pouco de nevoeiro
Nevoeiro, neblina matinal, faz-me sonhar!
Sonhar dói, sem doer à consciência, o sonho é-nos infiel
Infiel, mentiroso, cornucopeia-nos de falsidades e de fútil
Fútil era... mas não posso pensar mais em quem não devo
Devo a todos a insanidade que devo provocar, é o meu dever
Dever, mas não posso ter o prazer de não o cumprir...
Cumprir leis, horas, recatos, palavras, olhares, cingir meu corpo
Corpo horrível, asqueroso, moribundo, traiçoeiro, nojo
Nojo de mim, tanto, tanto, tanto, sabonete
Sabonete não serve para a catársis da minha parte inteligível
Inteligível,..., meu caro Platão apetece-te uma torrada?
Torrada ou brinde, masculino ou feminino?
Feminino Whitman, meu bom velho, meu mestre
Mestre porque deixaste o nada que valha a pena?
Pena de nós que sem ti não somos
Somos tudo o que ser não importa
Importa, hoje já se importa de tudo
Tudo, meu bom velho, desequilibra
Desequilibram-se espasmódicas correntes
Correntes de sangue que traz a vertigem das veias do Brasil
Brasil, não quero
Quero viajar para outros lugares, apreender com o sensível
Sensível de caracóis negros que inebriam de perfume
Perfume salutar que me traz a regeneração, me faz reviver!
Reviver tudo o podes não ter dado
Dado, dados, jogo, perda, azar, monotonia, louco
Louco não por ti, mas pelas veias que venero
Venero até as querer só para mim, fecundas, abertas a hemorragias
Hemorragias, espasmos de mim que inoculam a minha sombra
Sombra de um dia que não veio
Veio quando o ocaso embeveceu todos os lagos de orvalho
Orvalho fresco que segrega a minha alma, Orvalho de Ideias
Ideias que não são tuas nem minhas, nem do sol nem da lua
Lua que reflecte a luz que o sol dás
Dás-me nada, porosidade etérea que despes

Espelhos de Whitman

Amo-vos porque me vejo em vós
Vós sois o meu sol, o meu mar e as minhas estrelas
Fostes os espelhos da dor que enrouqueceu a minha voz
E sois a maresia que me refresca e alegremente convida
A soltar as minhas memórias e a esquecê-las
Na certeza de que nunca ficaremos a sós
Porque os laços de neblina perfumaram a nossa vida
E os jardins que visitámos tornaram-se archotes de alegria...
Purificámo-nos ao pôr-de-sol e perdemos esse desejo suicida
Para mergulhar nesse luar impregnado de esperança e de magia
Ninguém é mais glorioso que nós, Ninguém
Nós somos majestosos, apagámos a melancolia
Vencemos! Levantem-se dos vossos túmulos e gritem também
Juntem-se a nós neste sonho de crepúsculo acabado,
De noites resplandecentes, para surgir do nada
E achem-se imortais com o infinito ao vosso lado
Apagaram-se os medos... a eternidade foi alcançada!

20 de Janeiro - Aniversário de Ricardo Reis, algumas das suas palavras:

“Para ser grande, sê inteiro nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.”

“Segue o teu destino
rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é sombra
De árvores alheias”

"Qual é a diferença entre a ignorância e a indiferença?
Não sei e não me importa."

Tristeza de ondas de pedra

Tristeza de ondas de pedra.

Lâminas apunhalam lâminas
Vidros quebram vidros
Lâmpadas apagam lâmpadas.

Tantos laços quebrados.

A flecha e a ferida
O olho e a luz
A ascenção e a cabeça.

Invisível no silêncio”

Paul Éluard

(se alguém encontrar a versão original... é que só tenho esta tradução...)

Segunda-feira, Janeiro 19, 2004
introspecções analíticas

meu poema cru
é lágrima de beijo adormecido
demasiado imberbe
em fúteis momentos adverbiais
para sangrar pedras polidas,
premissa de talento que não nasce
vivendo de vaidades ou reumatismos
nas teias de aranha em que se perde.
meu poema é frágil
não suporta a crítica.
depois de dissecado
resta a sopa de letras,
esvaziado de sentido
meu poema é estrangeiro
em regras e formatos
não por se julgar melhor
mas porque só sabe alhear-se.
meu poema sou eu
revisto no mundo
que quero beijar,
verdade retratada
em proposição falsa.
dia que findou antes de amanhecer.

Primeiro Aniversário

O queijo toma o sabor pestilento do bolor
Mas as passas de uva ainda aromatizam esta mesa
A televisão chora argumentos mil vezes difundidos.
Os outros sabiam que eu não aguentaria mais
No entanto não me senti mal, nunca conheci a dor
Escrevo raiva, pois nunca salivei a tristeza
Por entre os meus dedos amargamente polidos
Atirem cordas, amarrem a minha voz a qualquer cais
Prendam a minha garganta, mantenham-me calado
Toquem o medo que eu nunca senti e sempre quis
Falem-me de amor, sim, do que não acredito
Mostrem-me os labirintos do pôr-de-sol
E depois de perscrutarem a minha prisão pintem-me prostrado
Embebido na frustração que uma garrafa vazia me diz
ser ainda mais importante que a noção de infinito
Pudera eu ao menos livrar-me de morrer com hálito de lençol
E fugir ao silêncio bubónico do gelo que me tacteia
Gostava que o tempo escorresse um pouco mais devagar
Seria sempre demasiado cedo para tomar gravatas digitais e horários flexíveis
Mas isso não me limitou a sentir apenas o vosso perfume suicida
Docemente recordado por sonhos lunares e espelhos de areia
O fim parece ser a luz mais quente e salutar
E as minhas unhas as lâminas apropriadas às veias mais sensíveis
Talvez porque nunca chorei em cerimónias lúgubres de vida

o cão masturbador

Atira vidros que quebrem pedras transparentes
arrancadas aos lábios sangrentos da calçada
suavemente beijados por pneus disformes
que manifestam o saber de protuberâncias erógenas
Onaniza a língua, as gengivas e os dentes!
Deixa que o meu sémen invada essa região alada
...lembra-te de mim enquanto dormes
gasta todas as energias endógenas
acaricia a minha pele com as tuas janelas estelares
Toca-me com elas, tinge-me de azul
O crepúsculo abraça-nos e os ratos são esventrados
Este é o melhor momento para morrer!
e o melhor será talvez não pensares
deixando que o tapete térreo te adule
e sintas assim os teus ossos venerados
(lembra-te que este é o melhor momento para morrer)
ser lambidos por cães enlevados num torpor alcoólico

A Mentira do “Filho do Homem”
Molde do Homem, filho do molde


Uma bala chegaria para me fazer feliz
Ou então um pouco de sisal entrançado
Para ter nas mãos o níveo sabor da lua
Perpetrado pela cor dos meus ossos malditos
Diz! Apesar do silêncio ser perfeito, diz!
Fala-me de enigmas e de espelhos, do outro lado...
Histórias de lábios perdidos nas pedras da rua
Acariciados pela raiva dos teus gritos,
Ensanguentados pelas minhas mandíbulas quentes
Desejo a morte... e acho-a mais bela e mais terna
E quero que todos possam sentir o que sinto
Nesta colheita estival que me traz a felicidade
Deus! Nem podes admitir que não sentes!
Não existes... tal como eu existo na mentira eterna
Essa Grande Mentira perfumada por um velho tinto
Que rotula a embriaguez da tua santidade
A bíblia? Fábula magnífica protagonizada por animais grotescos,
Espelho asqueroso de toda a História do Mundo
Instrumento de ócio e desculpa para a servidão.
Amar é suicídio e o suicídio não é pecado!
Ainda sinto o perfume dos teus atentados frescos.
Dada a celebração de um auto-sacrifício profundo
O monopólio de milagres foi reafirmado após a ressurreição
Para que ninguém questione se és sagrado
Só fingiste amar-nos para nos deixar o medo
Só morreste para criar o Mito
Os milagres permitiram uma multiplicação crente
Para nos fazer esquecer de que todos podemos criar
A fé é desnecessária ao talento e não é segredo!
Os pintores só choram quando esboçam o infinito
Porque vender o corpo é apenas um modo de vida diferente
Mas a alma, prostituem-na nos altares ao rezar!

Para quem viu o filme de 89 de Peter Weir, Dead Poets Society:


“I went to the woods because I wanted to live deliberately I wanted to live deep and suck out all the marrow of live! To put to none all that was not life… And not, when I come to die, discover that I had not lived…”

Henry David Thoureau

António Ferro tem um livro magnífico de aforismos com o título "Teoria da Indiferença", bebe-se de um trago. Aqui está um exemplo do seu brilho:


“Porque não varia a beleza humana?
Porque hão-de os lábios ser sempre rubros? Se houvesse lábios azuis, dourados, verdes, brancos? Se cada beijo desse à pele uma nova cor?...”

Não tens que me amar

Este é um dos poemas de Leonard Cohen que mais gosto:


Não tens que me amar

Não tens que me amar
Só pelo facto de seres todas as mulheres
Que sempre desejei
Nasci para te seguir
todas as noites
enquanto for
os muitos homens que te amam

Estás sentada à mesa
Tomo o teu pulso entre as minhas mãos
num táxi solene
e acordo só
a minha mão na tua ausência
num dormitório de uma casa de correcção

Escrevi todas estas canções para ti
queimei círios vermelhos e negros
com formas de homens e mulheres
Casei-me com o fumo
de duas pirâmides de sândalo
Rezei por ti
Rezei para que me amasses
e para que não me amasses”

“Só acho uma rapariga perfeita quando ela me rejeita”

Woody Allen

Como criar e quebrar laços em cinco cartas

Carta 1

nus, no chão, um copo de vinho tinto… aperto as pálpebras...
não estás a tremer, nunca tremes...tirito...
tomo uma lâmina, ferimos ambos o indicador, deixamos as gotas cair no copo... bebemos...
criámos um laço imortal, não estou doente, não estás... simplesmente somos eternos... se nos cortarem as asas os nossos lábios não deixarão de sangrar...

no dia da minha morte ficarás feliz pois terás a certeza de que estarei para sempre ao teu lado, terminarão as distâncias, apagar-se-ão os segundos, a eternidade é doce apesar de intangível...
morto... até te encontrar, a vida que me deste a beber não pode ser real... és perfeita... não penso... não falo... amo-te
nunca chores, nunca cales os teus olhos, sonha e flutua, voa, tange a água, dormir é inútil, toca-me, sempre!